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A Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira, em Santa Cruz do Sul, completou sete décadas de trajetória nessa quinta-feira. Fundada oficialmente em 26 de março de 1956, iniciou suas atividades sob a direção de Oscar Jhacomeli Przbyslski e cinco professores, com 104 alunos matriculados.
O Decreto 5.091, publicado no Diário Oficial do Estado em 7 de agosto de 1954, havia criado o primeiro Ginásio Estadual da cidade, previsto para funcionar em março de 1955. Embora o decreto indicasse o Grupo Escolar de Goiás como sede, na prática as aulas começaram no Grupo Escolar de Santa Cruz.
Com o tempo, a instituição passou por diferentes denominações até chegar ao atual nome, oficializado pela Portaria 00.109, de 17 de abril de 2000.O patrono da escola é Ernesto Alves de Oliveira, nascido em Rio Pardo em 21 de outubro de 1861. Jornalista, advogado e deputado constituinte, destacou-se no cenário político nacional até sua morte precoce em 15 de agosto de 1891, aos 29 anos.
No primeiro ano de funcionamento, o professor Osmar Jaconelli Przybylski assumiu a direção, cargo que já exercia desde 1955. Emiliano Limberger deu posse à secretária Glaci dos Santos Lima. À época, para ocupar a função de diretor de ginásio, era exigido pelo Ministério da Educação ao menos dois anos de atuação no magistério secundário.
Atualmente, a escola mantém uma estrutura administrativa composta por Direção, Secretaria, Setor Financeiro e Conselho Escolar. No núcleo pedagógico, atuam serviços de Orientação Educacional, Supervisão Escolar e Audiovisual. A organização complementar inclui Biblioteca, Portaria, merenda escolar, serviços de conservação e limpeza, além do tradicional Círculo de Pais e Mestres (CPM).
A infraestrutura é considerada referência: auditório, laboratórios de química, física, biologia e informática, refeitório, cozinha, sala dos professores, 19 salas de aula, ginásio poliesportivo coberto com duas quadras, quadra aberta, pracinhas infantis e banheiros adaptados para pessoas com deficiência. Com 70 anos de história, o Ernesto Alves de Oliveira segue como marco na educação de Santa Cruz do Sul, preservando sua tradição e ampliando sua contribuição para a formação de gerações.
Os diretores
- Osmar Jacomelli Przybylski (1956-1957)
- Ivo José Muller (1957-1959, 1963-1982)
- José Evaldo Soder (1959-1963)
- Otto José Leifheit (1982-1983)
- Guido Seffrin (1983-1985)
- Marlene Scherer Bettin (1986-1988)
- Anildo Bettin (1988-1995)
- Erno João Kuhn (1995-1999, 2002-2011)
- Adilani Fátima Bolfe Prochnow (2000-2001)
- Elisabete Irene Dreher (2011-2012)
- Lizete Kessler Gassen (2013-2018)
- Janaína Andréa Halmenschlager Venzon (atual diretora)
Diretora Janaína Venzon: “Uma história de transformação”
Lucca Herzog
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Para Janaína Andréa Halmenschlager Venzon, atual diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira, comemorar os 70 anos da instituição – que hoje atende 41 turmas, no total de 1.250 alunos – é celebrar uma trajetória marcada por história, conquistas e transformações. “Representa não apenas o tempo que passou, mas tudo que foi construído ao longo de sete décadas de desafios superados, aprendizados acumulados e contribuições realizadas”.
Em entrevista ao Riovale, a diretora ressalta as práticas pedagógicas que sempre guiaram a Ernesto Alves e comenta sobre novos projetos educativos – com foco na sustentabilidade ambiental –, sobre a posição de referência educacional da escola e a presença central do educandário na vida da comunidade em geral. Além disso, Janaína alerta para os desafios da educação pública, como a evasão escolar e a presença das tecnologias digitais na vida dos estudantes. Confira a seguir.
Riovale Jornal – Como está sendo a vivência desta data? Alguma programação especial?
Janaína Venzon – Temos buscado marcar esse período com ações que valorizem nossa história, reconheça, as pessoas que fizeram e fazem parte dela e reforcem o nosso propósito em educação de qualidade e comprometimento. Dia 28, sábado, às 10 horas, haverá a inauguração do Espaço Esportivo de Areia – um presente para os estudantes. Neste dia, haverá uma palestra sobre racismo, preconceito, autismo, bullyng. Haverá um piquenique das turmas e presença da DJ Cris Francis. Dia 11 de abril, haverá o Jantar Baile dos 70 Anos no Tênis Clube Santa Cruz. E durante o ano faremos mais programações.
RJ – Qual a identidade e o propósito da Escola Ernesto Alves? O que a diferencia?
Janaína – O DNA da Escola Ernesto Alves está profundamente ligado ao compromisso com a excelência na educação e à formação integral dos estudantes. Ao longo de sua trajetória, a escola consolidou uma identidade baseada em qualidade de ensino, responsabilidade social e constante busca por inovação no ambiente escolar fazendo melhorias.
Ser referência em educação no estado não é apenas um reconhecimento, mas o reflexo de um trabalho consistente, evidenciado também pelos excelentes resultados nas avaliações externas. Esses indicadores reforçam a seriedade do projeto pedagógico e o engajamento de toda a comunidade escolar.
O que diferencia a Escola Estadual Ernesto Alves é justamente essa combinação entre tradição e atualização: uma instituição que valoriza sua história, mas que está sempre atenta às novas demandas educacionais, que entende que a família e a escola precisam estar juntas e primar pelos valores. O foco no desenvolvimento aliado à formação de cidadãos críticos, éticos e preparados para os desafios do futuro é o que sustenta sua identidade e fortalece seu propósito.
RJ – O que pode ser destacado sobre o programa pedagógico da escola, sobre seus projetos e também de sua organização administrativa?
Janaína – A escola desenvolve projetos interdisciplinares com o objetivo de promover o exercício da cidadania e a formação integral dos estudantes. Nesse contexto, busca-se a formação de sujeitos críticos, reflexivos e criativos, capazes de analisar suas vivências e experiências, tanto individuais quanto coletivas.
Atualmente, está em andamento um projeto de horta com as turmas dos anos iniciais, que oportunizará aprendizagens significativas relacionadas ao cuidado com o meio ambiente, à alimentação saudável e ao trabalho colaborativo.
As práticas pedagógicas também priorizam o desenvolvimento de competências socioemocionais, como o diálogo, empatia, a escuta ativa e o respeito ao outro, fortalecendo a convivência e o trabalho em grupo.
Além disso, a escola atua de forma intencional com temas transversais, abordando questões como povos indígenas, meio ambiente, direitos humanos, Semana da Pessoa com Deficiência, Semana Farroupilha e Consciência Negra, ampliando o repertório cultural dos estudantes e promovendo reflexões importantes para a vida em sociedade.
RJ – Como a senhora avalia a influência e o espaço da escola na vida dos alunos, dos ex-alunos e da comunidade em geral?
Janaína – A influência e o espaço da escola na vida dos alunos, ex-alunos e da comunidade são profundos e duradouros. Histórias são marcadas pelos corredores da escola por décadas. Mais do que um local de ensino, a escola se constitui como um ambiente de formação humana, onde se constroem valores, vínculos e projetos de vida.
Para os alunos, é um espaço de aprendizado, convivência e descoberta de potencialidades. Para os ex-alunos, permanece como uma referência afetiva e formativa, muitas vezes presente em suas trajetórias pessoais e profissionais. Já para a comunidade, a escola representa um ponto de encontro, de desenvolvimento social e de fortalecimento de identidades. Os Jogos de Integração Ernestão é um projeto que favorece a participação da comunidade.
Essa presença se manifesta no sentimento de pertencimento que atravessa gerações, na confiança depositada pela comunidade e no impacto positivo que a escola promove ao longo do tempo. É essa conexão viva que amplia o papel da escola para além da sala de aula, tornando-a parte essencial da história e do cotidiano de muitas pessoas.
RJ – Como a direção e corpo docente percebem e lidam com os desafios atuais da educação, especialmente a evasão escolar e a crescente presença dos meios digitais entre jovens?
Janaína – A direção e o corpo docente percebem os desafios atuais da educação como questões complexas, que exigem diálogo constante, sensibilidade e ação coletiva. Temas como a evasão escolar e a crescente presença dos meios digitais entre os jovens são tratados com atenção estratégica, buscando compreender suas causas e impactos no cotidiano dos estudantes. Equipe diretiva sempre presente e acompanhando tudo.
Nesse contexto, a escola tem investido em práticas pedagógicas mais significativas, no fortalecimento do vínculo com os alunos e em ações que tornem o ambiente escolar mais acolhedor e relevante para as novas gerações. A presença dos meios digitais, por exemplo, é encarada não apenas como um desafio, mas também como uma oportunidade de inovação, sendo incorporada de forma consciente e educativa ao processo de ensino-aprendizagem.
Um aspecto fundamental nessa transformação é a participação efetiva do Conselho Escolar e do Círculo de Pais e Mestres, que atuam como parceiros ativos na construção de soluções. Essa integração fortalece o diálogo entre escola, família e comunidade, sendo apoiada pelo Conselho Escolar e Círculo de Pais e Mestres, ampliando a capacidade de enfrentar desafios e de promover uma educação mais conectada com a realidade dos estudantes.
Assim, a escola busca não apenas responder às demandas atuais, mas se reinventar continuamente, com o envolvimento de todos os atores que fazem parte dessa trajetória educativa.

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Diretoria atual
- Diretora: Janaína Andréa Halmenschlager Venzon
- Vice-diretora geral: Fernanda Paz Goldschmidt
- Vice-diretoras dos turnos: Alessandra GassenEidt (manhã), Zuleica Regina JustenWeigert (tarde) e Silvana Maria Soares Lopes (noite)
- Assistente financeira: Adilani Fátima Bolfe Prochnow
Conselho e CPM destacam importância da participação ativa
O envolvimento do Conselho Escolar é apontado como essencial para fortalecer a gestão democrática e tornar o ambiente educacional mais participativo. Segundo o presidente do órgão na Ernesto Alves, Jeferson Peres da Silva, essa aproximação ocorre por meio de reuniões periódicas, canais abertos de comunicação e espaços de escuta ativa. “Essa relação se constrói com base na confiança e na transparência. A Diretoria contribui com sua visão pedagógica e administrativa, enquanto os pais trazem perspectivas importantes sobre a realidade dos alunos e da comunidade”, afirma.
Jeferson destaca que o papel do Conselho vai além da função consultiva, atuando como elo ativo entre gestão, professores, alunos e famílias. “Na prática, o órgão participa da definição de prioridades, acompanha a aplicação de recursos, propõe melhorias na infraestrutura, colabora na construção de projetos pedagógicos e garante que as ações da escola estejam alinhadas às necessidades reais da comunidade”, explica. Para ele, a maior contribuição está em tornar a escola mais democrática e sensível às diferentes vozes.
Já Reni Markus, presidente do Círculo de Pais e Mestres (CPM), ressalta que a presença dos responsáveis complementa esse processo. “Sua principal função é aproximar família e escola, criando um espaço de diálogo, cooperação e corresponsabilidade no processo educativo”, afirma. Segundo Reni, o CPM permite que os pais acompanhem mais de perto a rotina escolar e participem das decisões.














