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Saúde | Iniciativa oferece apoio psicológico a vítimas das enchentes

Projeto Recomeçar oferece atendimento gratuito em saúde mental para quem sofreu com as cheias no RS

Divulgação

Estão abertas as inscrições para o Projeto Recomeçar, que oferece atendimento gratuito em saúde mental a vítimas das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. A iniciativa é do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Proadi-SUS, e prevê a triagem de cerca de 10 mil pessoas diretamente afetadas pelas cheias.

O programa utiliza o protocolo Enfrentando Problemas+ (EP+), desenvolvido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), baseado em técnicas internacionais para situações adversas. A abordagem prevê até sete encontros com ferramentas práticas para manejo do estresse e melhoria do bem-estar. “Trata-se de um cuidado que vai além da perda material. Nosso objetivo é reduzir os impactos na saúde mental associados a essa experiência, que podem persistir por anos”, explicou Regis Goulart Rosa, médico intensivista do Moinhos.

O processo de participação envolve três etapas: pré-triagem online, avaliação de sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, e inclusão no programa de apoio psicológico para os que se enquadrarem nos critérios. Quem não for selecionado receberá material de apoio com orientações e serviços disponíveis. “A equipe do projeto é multidisciplinar, composta por profissionais qualificados e capacitados em saúde mental, com supervisão de psicólogos e psiquiatras”, destacou Geraldine Trott, líder operacional da iniciativa.

O psiquiatra Christian Kieling ressaltou que “o protocolo consiste em uma intervenção psicológica de baixa intensidade que oferece ferramentas práticas que empoderam o indivíduo para lidar com o estresse e o sofrimento emocional de maneira mais saudável”. Já Admilson Reis, superintendente de Responsabilidade e Gestão de Riscos do Moinhos, lembrou que “catástrofes naturais podem gerar impactos psicológicos que perduram por até uma década, afetando significativamente a qualidade de vida das pessoas”.

Para o CEO do hospital, Mohamed Parrini, “mais que uma resposta emergencial, o Recomeçar oferece um modelo estruturado de enfrentamento psicológico para situações de desastres climáticos que pode até apoiar futuras políticas públicas na saúde pública”. Com duração prevista até dezembro de 2026, o projeto também servirá como base para um estudo científico sobre os resultados da intervenção, contribuindo para preparar o sistema de saúde brasileiro diante de cenários climáticos extremos.