Início Geral Colono & Motorista | Nova geração mantém viva a tradição dos táxis

Colono & Motorista | Nova geração mantém viva a tradição dos táxis

Para pai e filho, relação é construída com os passageiros ao longo dos anos
Foto: Divulgação

Fabrício Goulart
[email protected]

Nos últimos anos, o táxi passou a ser visto como uma profissão exercida por motoristas mais experientes. Desde o surgimento dos aplicativos de celular, muitos jovens passaram a migrar para um serviço que parecia mais prático e cômodo. Em Santa Cruz do Sul, porém, esse cenário parece começar a mudar.

Cada vez mais jovens estão assumindo o volante e ajudando a renovar uma categoria que segue encontrando espaço mesmo diante da concorrência. Um dos exemplos está na família Eichelberger. Taxista há 13 anos, Douglas Eichelberger, de 39 anos, viu o filho Gabriel, de 21, escolher o mesmo caminho logo após conquistar a Carteira Nacional de Habilitação definitiva. Hoje, os dois dividem o trabalho e compartilham corridas diariamente. O filho conta que a decisão foi natural: “Fiz 18 anos e, no dia seguinte, comecei a fazer a carteira”.

Inicialmente, Gabriel atuou como funcionário do pai durante cerca de oito meses, cumprindo o turno da noite no ponto de táxi do Bairro Higienópolis. Com o surgimento de uma oportunidade, alugou um veículo e, posteriormente, adquiriu o próprio carro, tornando-se permissionário. “No início, eu virava a madrugada com a gurizada”, diverte-se o jovem taxista. A escolha pela profissão veio a partir da ideia de seguir os passos do pai. “É um trabalho virtuoso e gratificante, porque conhecemos muita gente. É muito amplo o número de pessoas que passam pela nossa rotina”, observa Gabriel.

Douglas, que tem um ponto em frente ao Shopping Germânia, percebe que esse movimento não acontece apenas dentro da própria família. Segundo ele, o perfil dos taxistas mudou nos últimos anos e novamente a categoria passou a contar com mais profissionais jovens. “Hoje a gente tem motoristas com 20 e poucos anos. A juventude voltou a enxergar o táxi com outros olhos. É um serviço que ainda tem muito a crescer”, projeta.

Na avaliação de pai e filho, o principal motivo para o táxi permanecer relevante é a relação de cumplicidade construída com os clientes. Enquanto os aplicativos ganharam espaço pela praticidade, o atendimento personalizado e a proximidade mantêm muitos passageiros fiéis ao serviço tradicional.

Gabriel vivencia isso diariamente. Grande parte de suas corridas envolve crianças levadas à escola. “Muitas mães me ligam todos os dias para buscar os filhos em casa. Eu levo as crianças pela mão até o professor ou cuidador e, à tarde, faço o caminho de volta. Vai criando um vínculo, porque elas sabem que os filhos estão seguros”, salienta.

O pai Douglas compartilha da mesma percepção do filho. Para ele, essa relação é construída ao longo dos anos, já que o taxista acompanha a rotina de famílias inteiras. Muitos clientes passam a agendar corridas fixas para compromissos médicos, atividades escolares e eventos, criando uma relação que ultrapassa a prestação do serviço. Segundo ele, foi justamente essa característica que permitiu ao setor enfrentar a chegada dos aplicativos. Depois de uma queda inicial na procura, muitos passageiros voltaram a utilizar o táxi em busca de segurança, atendimento conhecido e facilidade de acesso.