
Foto: Fabrício Goulart
Fabrício Goulart
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O meio político em Santa Cruz do Sul foi movimentado durante os 50 anos de atividade do Riovale Jornal. Mas, para além dos grandes acontecimentos, em um universo majoritariamente masculino, dois momentos se destacaram ao longo dessas cinco décadas: as eleições de duas mulheres para a Prefeitura – Helena Hermany e Kelly Moraes. Devido às regras eleitorais, Kelly não pôde participar desta matéria especial.
A trajetória de Helena na política começou ainda antes de sua chegada ao Executivo. E foi justamente nesse período, em 1988, que teve início também a relação com o Riovale. Segundo ela, o vínculo com o veículo foi construído ao longo dos anos com base na confiança e na transparência. “A gente sabe que no Riovale são pessoas aqui de Santa Cruz, que conhecem a nossa realidade, que sabem quem é quem”, afirma.
Ao recordar essa relação, a ex-prefeita destaca o papel da imprensa local e os desafios enfrentados pelos veículos impressos diante das transformações provocadas pela internet e pelas redes sociais. Para Helena, a velocidade da informação modificou a forma como a população acompanha as notícias, mas não diminuiu a importância do jornalismo profissional.
Pelo contrário. Na avaliação dela, em meio à grande quantidade de informações que circulam diariamente, a imprensa precisa se diferenciar justamente pela apuração e pela credibilidade. “Quando realmente sai na imprensa escrita com fonte, então se torna uma coisa muito confiável”, afirma.
Credibilidade
A palavra credibilidade aparece naturalmente quando Helena é questionada sobre o que permitiu ao Riovale Jornal chegar aos 50 anos. Para ela, a longevidade de uma empresa de comunicação está diretamente ligada à confiança construída ao longo do tempo: “50 anos não são 50 meses, não são 50 dias. Para manter uma empresa por 50 anos, tu temns que ter credibilidade”.
Como gestora pública, também considera importante o papel desempenhado por uma imprensa capaz de apresentar opiniões diferentes. De acordo com ela, muitas vezes é por meio do jornalismo que um administrador toma conhecimento de percepções da comunidade que não chegariam diretamente até ele.
Para a ex-prefeita, ouvir posições divergentes pode ajudar o gestor a enxergar uma situação por diferentes ângulos. “Um gestor que tem a mente aberta e que realmente quer saber a verdade, ele deve sim olhar as opiniões divergentes. Deve pensar e deve tirar a melhor conclusão dessas diferenças”, afirma.
Ela também destaca o respeito como elemento fundamental nessa relação. Na sua avaliação, o jornalista cumpre sua função ao questionar, apurar e apresentar diferentes posições, cabendo ao gestor público analisar as informações e considerar os diferentes pontos de vista.
Olhar local
Para Helena, a imprensa regional tem ainda uma função que ultrapassa a publicação da notícia. Os veículos locais, segundo ela, são responsáveis por levar para fora da cidade informações que nascem na própria comunidade. “Eu acho importantíssimos os veículos daqui, porque eles alimentam os de fora para as notícias daqui”, observa. A ex-prefeita considera que uma informação produzida localmente pode alcançar veículos estaduais e ampliar a repercussão de acontecimentos da região.
Nesse sentido, os 50 anos do Riovale Jornal representam, para Helena, a continuidade de um espaço de informação sobre Santa Cruz do Sul e a região. Em um ambiente marcado pela velocidade das redes sociais, ela reforça a importância de uma imprensa baseada em informação confiável, apuração e conhecimento da realidade local.













