Suilan Conrado
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Ela nasceu aqui. Em 15 de setembro de 1938, Santa Cruz do Sul teve a honra de conceber para o mundo aquela que seria a mais ilustre das suas filhas. Proveniente de raízes germânicas, aos 11 anos a menina de cândidos olhos azuis já decorava longos poemas de Goethe e Schiller. Aos 20, já traduzia obras do alemão e do inglês para o português. Quando completou 26, escreveu seu primeiro livro, Canções de limiar (1964), seguido de Flauta Doce (1972) e então, não parou mais.
Sim, estamos falando de Lya Luft. A romancista, poetisa, tradutora e colunista que já publicou mais de 20 livros ao longo da carreira conquistando diversos prêmios, é referência não só literária, mas de opinião. Na coluna quinzenal que mantém na revista Veja, a escritora aborda com maestria os temas mais polêmicos, e com leveza os assuntos do quotidiano, sempre calcados na rotina do que acontece no país e na vida das pessoas, deixando transparecer em cada linha, a ardileza de quem já vive há 74 anos, e carrega o dom da escrita desde que veio ao mundo.
Divulgação/RJ

Lya Luft: “Para mim Santa Cruz continua sendo o lugar mágico e feliz da
minha infância e juventude”
Leves como “luft”, intensos como só Lya poderia ser. São assim os romances da autora, que entre tantas coisas, nos transportam ao Mar de Dentro de cada um de nós e nos fazem viajar pelas Histórias do Tempo. Um completo Exílio no Quarto fechado de nossas vidas. Em outras palavras, Lya ensina que Pensar é Transgredir.
Confira a entrevista da célebre escritora concedida ao Riovale Jornal
-Tendo vivido a infância em Santa Cruz, qual lembrança da época mais lhe dá saudade?
“Não sou o tipo nostálgico, mas toda a minha infância, juventude, e primeiros anos de casada, com filhos pequenos – isto é, até a morte de meu pai em 1973 -, Santa Cruz para mim foi mágica e maravilhosa. Minha raiz melhor, mais profunda. Passávamos cada momento possível aí, na casa de meu pai. Férias, feriados, etc. Inesquecível.”
– Hoje, depois de tantas obras publicadas e consagradas, sente-se plenamente realizada profissionalmente?
“Realização plena é estagnação. Aliás nem penso nisso. Sempre escreverei, acho, enquanto tiver lucidez. Me dá alegria, nasci para fazer isso. Não penso em consagração e fama. Sou muito reservada, não faço vida literária, vivo recolhida e escrevo. E só.”
– Se não fosse escritora ou tradutora, o que você seria?
“Não faço ideia. A gente segue sua vocação, com alguma persistência, e sorte, e fica feliz assim. Não me imagino de outro jeito. Talvez fosse advogada, como meu pai, e cuidasse de famílias.”
-Falando em literatura, qual o seu livro preferido? Aquele que lhe marcou e
talvez até lhe inspirou a escrever?
“Sempre li muito, sobretudo na adolescência e juventude, mas um de meus
primeiros assombros foi O Continente, do Erico Veríssimo. E poemas de Mario
Quintana.”
-Na sua opinião, qual o verdadeiro papel da mulher nos dias de hoje? O machismo ainda impera na sociedade?
“Isso é muito subjetivo e localizado. De modo geral, as mulheres assumem seu papel de profissionais, de não-mais-escravinhas, mas também assumiram problemas, responsabilidades. Não é fácil. Ser uma boa profissional, ter filhos, cuidar deles, organizar e cuidar de uma casa e família, é difícil. Cada caso é um caso. Acho que não temos ainda a solução. Machismo é burro, primitivo, e superado. Mas em alguns lugares, ou casamentos, persiste porque as mulheres aceitam.”
Agência Brasil
Tradutora desde os 20 anos, Lya escreveu seu primeiro livro aos 26














