Everson Boeck
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Duas greves que assolavam a rotina dos brasileiros chegaram ao fim esta semana. Após entrarem em acordo na madrugada de sexta-feira, 11 de outubro, os bancários começaram a voltar parcialmente ao trabalho ontem. Já os carteiros, por determinação do Tribunal Superior do Trabalho, voltaram ao trabalho na quinta-feira, 10.
BANCÁRIOS
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) chegaram a um acordo na madrugada desexta-feira, 11 de outubro, para encerrar a greve da categoria, que completou 22 dias na quinta-feira. Depois a decisão começou a ser levada às assembleias locais para ser votada, e, se aprovada, porá fim à paralisação.Muitos estados realizaram assembleias na tarde desta sexta, no entanto, diversos sindicatos do país vão realizar assembleias até segunda-feira, 14 de outubro. A greve que durou 23 dias, fechou 12.140 agências no país.
Na área de abrangência do Sindicato dos Bancários de Santa Cruz do Sul e região, de acordo com o diretor de comunicação da entidade, Cândido Castro Machado, muitas agências voltaram ao trabalho na sexta-feira. “Estão sendo realizadas assembleias por banco. A expectativa é que o retorno às atividades nas agências não tenha maiores transtornos pelo movimento que já percebemos hoje”, avalia.
Machado informa que o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal aceitaram a proposta, mas retornam ao trabalho apenas na segunda-feira. Os bancos privados voltaram ao trabalho ontem, com exceção dos bancos Mercantil e HSBC, que também retornam às atividades na segunda-feira, 14.
Machado destaca que os principais pontos do acordo, segundo a Contraf-CUT, são 8% de reajuste (1,2% de aumento real sobre salários e verbas); 8,5% (2,29%) de reajuste para o piso da categoria, e aumento da PLR (participação nos lucros e resultados) de 2% para 2,2% do lucro líquido.
Assembleia na segunda-feira
O Sindicato dos Bancários de Santa Cruz do Sul e Região realiza na próxima segunda-feira às 18h, uma Assembleia Geral para deliberar sobre aprovação ou não da proposta da Fenaban. Na oportunidade também será aprovada ou não as propostas específicas dos bancos: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banrisul.
Diante da dura resistência do Comando, os bancos recuaram da proposição inicial de compensar todos os dias de greve em 180 dias. Evoluíram para a proposta do ano passado, de compensação de duas horas diárias até o dia 15 de dezembro. Finalmente aceitaram compensar no máximo uma hora extra-diária, de segunda a sexta-feira, até 15 de dezembro. A nova proposta da Fenaban incluiu ainda três novas cláusulas: proibição de os bancos enviarem SMS aos bancários cobrando resultados, abono-assiduidade de um dia por ano e adesão ao programa de vale-cultura do governo, no valor de R$ 50,00 por mês.
Serviços que são impactados pela greve
– Transferências e saques de maior valor, já que há limites nos caixas eletrônicos e correspondentes bancários
– Financiamentos e outros serviços que dependem de análise de crédito
– A compensação de dinheiro, cheques, documentos e títulos pode demorar
Pagamentos não vencidos, transferências e bloqueios e desbloqueios de cartões, por exemplo, podem ser feitos pela internet.A orientação é entrar em contato com a empresa para saber quais são as formas e locais de pagamento como internet, sede da empresa, casas lotéricas e código de barras para pagamento nos caixas eletrônicos. O pedido deve ser documentado (via e-mail ou número de protocolo de atendimento, por exemplo) para permtir a reclamação aos órgãos de defesa do consumidor, caso não seja atendido.
Divulgação/SindiBancários
Na segunda-feira, além do Banco do Brasil, podem retornar às atividades
a Caixa Econômica Federal e o Banrisul
CORREIOS
Os carteiros gaúchos retornaram ao trabalho nesta quinta-feira, 10, após 27 dias de paralisação. E, com o fim da greve, a entrega das correspondências deverá ser normalizada nas próximas semanas. Conforme o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect/RS) na região, Charles André Grudginski, em Santa Cruz do Sul 35 carteiros aderiram à paralisação. A carga em atraso devido a greve é de 400 mil correspondências. “Ainda temos cerca de 300 mil correspondências para serem entregues, tendo em vista que o CDD recebe cerca de 20 mil por dia. Acreditamos que em duas semanas o trabalho esteja normalizado”, afirma.
Os servidos dos Correios acataram o julgamento do dissídio do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que determinou o fim da paralisação – o julgamento concedeu 8% de reajuste salarial (o mesmo oferecido pela estatal) e 6,27% de aumento nos benefícios (auxilio de alimentação, creche e outros) e manteve o plano de saúde, impedindo que este fosse privatizado.O período parado deverá ser recuperado no prazo de 180 dias, com duas horas diárias extras.
Uma das principais reivindicações, segundo Grudginski, era a contratação de mais carteiros, no entanto, não foi atendida. “Precisamos de, no mínimo, mais 10 carteiros para atender a demanda que temos hoje na região. Em Rio Pardo, por exemplo, são apenas cinco carteiros para toda a cidade e todos aderiram à greve. No Brasil, a necessidade é que sejam contratados 30 mil carteiros”, esclarece.
Arquivo/RJ
Greve dos carteiros que durou quase um mês encerrou na última quinta-feira














