
Nelson Treglia
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Março de 2018. Em Bangkok, na Tailândia, o lutador santa-cruzense Maurício Big Castilho conquistou o bicampeonato mundial de Muay Thai, repetindo o feito do ano anterior. Big começou neste esporte aos 20 anos de idade, em 2004. O início aconteceu por convite de um amigo. O objetivo era ter meios de defesa pessoal, desempenhar uma atividade física e ter um bom condicionamento.
“Entre idas e voltas, recomecei com força total no esporte em 2009, quando tive certeza de que esse era o caminho para viver minha vida”, recorda Big. Logo em seguida, em 2010, ele estreou no âmbito competitivo de lutas no Muay Thai e MMA, e seguiu sua trajetória nestas disputas. “O Muay Thai mudou minha vida.” Se no início a pretensão era o condicionamento físico e a defesa pessoal, depois Big percebeu que iria viver dentro do esporte.
Maurício Big Castilho é criador da Academia Big Fighters, atualmente ele é um vencedor de vários títulos nacionais e internacionais. “Isso me deu notoriedade dentro do esporte e uma satisfação pessoal para realizar, para viver dentro do que amo e gosto, que é o Muay Thai.” E o apelido “Big”? Como surgiu? “É um apelido carinhoso de amigos, porque eu era maior que os meus colegas, e foi um apelido que se manteve, e levo esse apelido como um nome profissional e nome da minha academia, nome que levo para todo o país e fora dele”, explica o lutador.
Em 2012, surgiu a Academia Big Fighters. Antes, Maurício treinava em outras academias, até que ele tomou a decisão de criar seu próprio estabelecimento, que passou a formar atletas para a disputa de campeonatos estaduais e nacionais. A ideia é formar também boas pessoas, bons seres humanos. Jovens de 12 a 18 anos contam com uma possibilidade de crescimento pessoal, através dos princípios das artes marciais.
Os sacrifícios realizados por Maurício e os resultados conquistados mostram que ele está no caminho certo. “O título mundial foi um sonho, a conquista de um sonho. O bicampeonato mundial representou ainda mais: a satisfação plena de viver do esporte, de viver do esporte que eu amo. O bicampeonato é uma realização para a vida inteira”, garante. “É uma conquista de todos nós, pois é uma conquista que destaca o esporte de Santa Cruz do Sul. É uma conquista de toda a comunidade santa-cruzense. A comunidade me incentiva, me cativa, me incentiva a continuar em frente para conquistar mais vitórias. O título de bicampeão mundial é de cada santa-cruzense, que me fez lutar e acreditar nessas conquistas”, complementa.
Mas o que se deve fazer para chegar a esse nível de rendimento? “Acredito que a dedicação é o ponto crucial para conquistar algo na vida. Tem momentos em que você precisa abrir mão de muitas coisas, para seguir em frente com seus sonhos.” Para Maurício, a principal questão é: “Do que você precisa abrir mão hoje para ter algo amanhã?”. Segundo o lutador, é preciso pensar nisso dia e noite para correr atrás dos sonhos.
Como resultado, uma história de sucesso é construída, para ser contada aos mais jovens. E é aí que entra também o trabalho social. Big transmite sua experiência de vida para crianças atendidas por ações sociais e centros comunitários de Santa Cruz do Sul, através do projeto “Construindo pequenos grandes mundos”. A intenção é, dentro ou fora da academia, formar “cidadãos de bem”.
Esse projeto é uma ótima contribuição para a comunidade santa-cruzense. Neste aniversário de 140 anos do município, Maurício Big Castilho parabeniza Santa Cruz e sua comunidade: “É um lugar exemplar, bom de se viver. Nossos filhos têm uma educação e saúde de alta qualidade. Muito podemos melhorar, mas vivemos em um paraíso. Desejo a Santa Cruz uma vida muito longa. Viva Santa Cruz!”














