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BOATE KISS: Uma luz de esperança para as famílias

A tragédia envolvendo a Boate Kiss em Santa Maria ocorreu em janeiro de 2013

Sara Rohde
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Uma notícia esperançosa para as famílias das vítimas do incêndio da Boate Kiss, ocorrido em janeiro de 2013, foi anunciada na última terça-feira, 18. A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os acusados pela tragédia terão sentença definida por júri popular. A data será agendada assim que o juiz Ulysses Fonseca Louzada, titular da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, receber o comunicado oficial no período entre 15 e 20 dias.

Um alento para os corações dos pais de Matheus Rafael Raschen, Nestor e Núria, que desde 2013 clamam por justiça. “A notícia foi muito bem recebida por todas as famílias. Entrei em contato com as famílias de Santa Maria que esperavam muito por isso, e nesse sentido, foi até reconfortante saber que em algum espaço deste país, se olha com bastante seriedade, com bastante cuidado com as questões que estão sendo encaminhadas. Era o que esperávamos, pois a irresponsabilidade que tiveram naquele espaço precisa de fato ser punida e isso precisa ser decidido pela própria sociedade, pois houve um atentado contra a vida”, disse Nestor Raschen.

Nestor ressaltou que a falta de cuidado, a maneira como as vítimas foram expostas no espaço com superlotação, e as dificuldades de saída de emergência do local, a negligência do pessoal da banda em usar artefato de fogo dentro de um espaço fechado, onde havia espuma exposta, foram primordiais para a tragédia ocorrer. 

Conforme Nestor, a partir de agora, o momento é de espera para que não haja mais recursos e que em breve seja marcado o júri popular em Santa Maria. “Depois de tanto tempo de espera que estamos tendo, foi um momento muito acalentador saber que estamos mais perto de fazer justiça. Esperamos que não haja nenhum recurso protelatório e que ainda tenhamos no segundo semestre o desfecho disso, antes de completar sete anos em janeiro. O que a gente nota é que esta é a expectativa de toda a sociedade gaúcha, todas as pessoas que acompanharam e têm acompanhado nossa trajetória desde 2013, sabem e também têm esse sentimento, essa mesma expectativa, de que haja justiça, e isso nos mostra que a morte desses jovens não foi em vão, e que as pessoas sejam responsabilizadas e punidas dentro do vigor da lei”.

Para Nestor e as demais famílias, a esperança maior é que o ocorrido sirva de exemplo para que todas as pessoas tenham mais cuidado com a vida e que isso sirva de alerta para quem tem espaços de lazer e espaços públicos. “A gente entende que desde 2013 houve muitos avanços e também toda a sociedade ficou mais vigilante, mas, não é necessário que se perca tantas vidas para daí se ter mais cuidado com a vida. Cada um cuidando da sua e todos cuidando uns dos outros”, frisou.

Nestor Raschen: 'Depois de tanto tempo de espera, foi um momento muito acalentador saber que estamos mais perto de fazer justiça'

Tragédia

O incêndio ocorrido por volta das 2h30, do dia 27 de janeiro de 2013, envolvendo a Boate Kiss em Santa Maria, deixou 242 mortos e 600 feridos, a maioria jovens e universitários. As chamas iniciaram após a banda Gurizada Fandangueira utilizar artefatos pirotécnicos durante o show, o que era costume dos integrantes. O fogo logo tomou conta do teto, que era feito de material inflamável com o propósito de isolar a acústica do local. A fumaça do produto queimado era altamente tóxica e preta e tomou conta da boate. Os extintores expostos não funcionaram no momento das chamas. 
O desespero tomou conta das centenas de pessoas que imediatamente tentaram sair do local pela porta da frente, única saída da boate, a qual estava fechada com barras de ferro. Conforme relatos de sobreviventes, os seguranças não queriam deixar as pessoas saírem por achar que se tratava de uma briga e que as pessoas não pagariam suas comandas.
A boate podia receber no máximo 691 pessoas e estava com superlotação o que dificultou a fuga das vítimas. A polícia suspeita que houvesse mais de 1000 frequentadores. Muitas pessoas tentaram se esconder das chamas nos banheiros e a maioria foi pisoteada no desespero de tentar sair do local. 
As primeiras pessoas que conseguiram sair acionaram os bombeiros que chagaram por volta das 3 horas. Frequentadores da boate, na tentativa de ajudar as pessoas que ainda estavam dentro da boate, quebraram buracos nas paredes. Por volta das 10h40 foi encerrada a remoção dos corpos.  
A maioria das vítimas morreu por asfixia.