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Cesar Oliveira fala de música e tradições gaúchas

O Duo Cesar Oliveira e RogÌ©rio Melo preserva as raÌ_zes ga̼chas

VAGNER CERENTINI
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Cá estamos novamente na Semana Farroupilha, comemorando nossas façanhas, talvez quase voltando nossa bandeira à origem farrapa, consumida por tantas crises e dificuldades. É 20 de setembro, portanto, mostremos valor, constância. Quando se fala de Rio Grande, nosso orgulho infla ao falar de tradições e de nossa música, que ganhou vida e alma nova na década de 70 com os festivais, como a Califórnia da Canção, Tertúlia Nativista, Musicanto e outros tantos.

E dentre os grandes nomes de artistas foi revelado o duo Cesar Oliveira e Rogério Melo. São eles na atualidade, junto com outros artistas dessa mesma vertente, representantes da autêntica música do Rio Grande do Sul, tendo acesso a todas as faixas etárias e divulgação além das fronteiras de nossa querência. Em uma informal conversa com César Oliveira, podemos identificar a ligação e as raízes do duo com sua terra.

Riovale Jornal – A Semana Farroupilha nos últimos 20 anos sofreu alterações radicais, tanto nas comemorações (desfiles e carros temáticos) como nos participantes. Esta nova contextualização em relação à data, assim como os chamados “gaúchos de 20 de setembro”, viria ser uma renovação no nativismo?

César Oliveira – Presumo que não, as pessoas que de certa forma vivenciam mais avidamente a nossa cultura nos festejos sempre existiram, porém o que vejo é a evolução deste ativismo que agora está acontecendo com maior afinco e pode se dizer que até com maior orgulho e credibilidade.
Claro que deve-se muito tudo isso à juventude que, sem sombra de dúvidas, tem uma grande parcela neste crescimento, pois estão cada vez mais engajados na preservação do nosso folclore, usufruindo deste diferencial no cotidiano e em suas devidas profissões e formação escolar.

Riovale Jornal – A dupla Cesar Oliveira e Rogério Melo sempre manteve uma linha musical que permeia os ritmos latinos como as chacareras, rasguidos e payadas. Poderíamos dizer que esta postura dá uma identidade ao Duo junto aos países platinos e abre portas do mercado internacional?

César Oliveira – Não, a gravação e execução destes ritmos fazem parte de nossa formação cultural, pois todos estes ritmos citados são especificadamente danças.
Na nossa região sempre tivemos a influência dos ritmos constituídos por danças tanto argentinos como uruguaios.
Além disso, a música folclórica dos países irmãos sempre esteve em nossa formação musical, gravamos clássicos do folclore argentino para também pregar uma homenagem a esta escola musical que muito contribui para nossa formação.

Riovale Jornal – Os festivais, que já estiveram mais em evidência como a Califórnia, a Estância, a Tertúlia, o Musicanto, foram grandes fomentadores de cantores e autores nativistas, até mesmo dando um ar de urbanização à nossa música nativista do Rio Grande do Sul. No parecer de vocês, os festivais são os grandes responsáveis pela nova geração de nativistas que aumenta a cada dia?

César Oliveira – Os festivais foram a maior vitrine para muitos colegas músicos e continuam sendo, porém o movimento está muito enfraquecido.
Não se vê mais os festivais gerando clássicos do nosso cancioneiro muito menos dando condição desta geração citada se alicerçar no meio.
A crescente que enxergo e se expandiu, lamentavelmente não está destacando tantos músicos intérpretes como as anteriores.
Presumo que muito disso deve-se ao afastamento de muitos dos músicos com maior experiência, pois antigamente era promovida uma grande troca de conhecimento que hoje não existe mais.
Também vemos muito a falta de conhecimento dos jovens em relação aos precursores do nosso cancioneiro como do movimento dos festivais. É preciso conhecer sua história para depois difundi-la.

Riovale Jornal – A indicação para o Latin Grammy, pode-se dizer que foi a coroação e reconhecimento do trabalho do Duo?

César Oliveira – Sem dúvida, toda indicação de um projeto é um grande prêmio, ainda mais se falando em música regional. Ser indicado a um prêmio de tamanha expressão nos deixa feliz porque de certa forma é o reconhecimento do todo que defendemos, não nossa carreira, mas sim o que a sustenta, a cultura de nosso povo, nosso ideal é objetivo a ser defendido.

Riovale Jornal – Existe algum segredo para o Duo Cesar Oliveira e Rogerio Melo ter uma aceitação tão grande entre todas as faixas etárias e servir de exemplo para muitos artistas novos que estão começando?

César Oliveira – Presumo que alguns fatores são primordiais e em qualquer área. No nosso caso, a autenticidade e respeito assim como compromisso pelo que defendemos são fundamentais.
O folclore sempre chamará a atenção se o mesmo for difundido de forma espontânea, natural, é preciso acreditar nele, e quem leva esta mensagem que representa uma pátria deve, além de acreditar nela,vivenciá-la.
Quando o assunto é folclore, não é aceitável “personagens”, pois a crença só pode ser pregada se a fé for sincera.

Riovale Jornal – Quando o Duo tem previsão de se apresentar em Santa Cruz do Sul?

César Oliveira – Me parece que dia 19 de setembro.
É sempre um grande prazer visitar Santa Cruz. (O show está confirmado para hoje, 19, na Level, em comemoração à Semana Farroupilha)

Riovale Jornal – As atividades musicais nas escolas deveriam ser mais difundidas e trabalhadas, afinal música e poesia são cultura e cultura sempre se envolve com história. Qual a opinião sobre a maior divulgação nas escolas públicas da música e da poesia nativa do RS e dos países do Rio da Prata, tal qual é feito em nossos vizinhos platinos?

César Oliveira – Sou do tempo do caderno de música, acho o cúmulo não existir mais nas escolas aulas de música. Na Europa uma criança já lê música aos 9 anos de idade, isso é fundamental para formação de um jovem.
Mas presumo que deveríamos sim estudar e ser aplicado a história, usos, costumes do povo Rio-Grandense, já estamos misturando muito as culturas “latinas” e cada uma possui sua característica.
Me criei dentro do folclore argentino e latino num todo, mas antes de conhecermos outras culturas devemos ter total domínio sobre a nossa. Identidade é fundamental.

(*Colaboração de Fernando Lima)