Nelson Treglia
[email protected]
Em seus 70 anos, o Esporte Clube Avenida viveu diversos momentos de glória. O ano de 2014 trouxe alegrias, novamente, aos torcedores periquitos com a grande campanha na Divisão de Acesso. Para alcançar as glórias, um clube precisa contar com jogadores que, ao final das suas carreiras, ficam na memória do torcedor. Isto não falta ao Avenida nas sete décadas de sua história, com um fator adicional: o Periquito revelou ídolos, que brilharam no alviverde e em outras equipes, alcançando projeção nacional.
É o caso dos irmãos Cleo e Silvio Hickmann, que surgiram ainda garotos no Avenida, na década de 70. Respectivamente, um meia e um atacante. Nos anos 80, ambos escreveram páginas importantes do Sport Club Internacional. Agora, mesmo tantos anos depois daquele início nos Eucaliptos, Cleo e Silvio continuam torcedores do Periquito e demonstram enorme satisfação com o acesso do clube santa-cruzense à Primeira Divisão. Sem falar na gratidão que ambos têm em relação ao Avenida. Confira os depoimentos que os irmãos Hickmann concederam a este especial sobre o acesso do Periquito.
As lembranças de Silvio
Fotos: Divulgação/RJ
Silvio Hickmann: “Sempre estou ao lado do Avenida”
“Em 1977/78, fiz parte do grupo amador/profissional do Avenida, época do técnico Carlitos, do xerifão Sarará, do goleiro Serginho, do craque Rogério e tantos outros. Em 1º de agosto de 1978 às 14h, embarquei num ônibus do Expresso Gaúcho rumo ao Inter. Cumpri um período de estágio até dezembro deste mesmo ano, quando fui convocado para a Seleção Gaúcha Juvenil, que foi vice-campeã brasileira. Em 1º de abril de 1981, oficialmente passei a fazer parte do profissional do Inter.
Foram sete anos vestindo a camisa do Inter, na maioria dos jogos como titular. E muitos títulos. Somando ao total, conquistei 11, como: Copa Kirin (no Japão), Joan Gamper (contra o Barcelona na Espanha), quatro títulos gaúchos, Copa São Paulo de juvenis e outros torneios.
O sonho de sair do interior e jogar em um clube grande se realizou. Alegria e orgulho dos pais, amigos, torcedores. O fato de sermos dois irmãos jogando no mesmo clube e na mesma época foi muito divulgado por todo o Brasil.
O tempo passou e, no início dos anos 90, retornei por breve tempo ao Avenida, disputando a Segunda Divisão. E no ano de 1995, encerrei minha trajetória como atleta profissional de futebol.
Iniciei atividades com escolinhas de futebol em Sinimbu com o amigo e professor Jair Câmara, em seguida em Vera Cruz, clube Aliança… Em 1997, abrimos a escolinha de futebol no Avenida e também o time amador, que já existia, porém agora sob meus cuidados, onde o Bolívar (hoje zagueiro do Botafogo) era meu atacante. Em 1998, reiniciamos o profissional com o professor (Paulo Sérgio) Poletto como técnico, onde fizemos excelente campanha.
Eu passava para a função de supervisor de futebol e assim foi até 1º de março de 2002, quando saí do clube e voltei a morar e trabalhar em Porto Alegre. Mas foram muitas emoções na luta para subir para a Primeira Divisão e também a luta para se manter nela. Sempre com a dificuldade de não se ter uma estrutura compatível com a Primeira Divisão.
Hoje trabalho como gerente administrativo de duas empresas ligadas ao futebol. Mas sempre estou ao lado do Avenida em todos os jogos, mesmo que como torcedor distante. E feliz por mais esta conquista, torcendo por um Avenida mais estruturado, se qualificando cada vez mais para permanecer entre os grandes do futebol gaúcho.
Parabenizo os torcedores, o presidente Jair (Eich) e sua diretoria, o técnico Tonho (Gil), meu colega de Inter… E todos os que fazem parte desta conquista, e que fazem do Avenida um clube da Primeira Divisão do futebol gaúcho em 2015.” (Silvio Hickmann)
O depoimento de Cleo

Cleo: “Hoje sou fã e torcedor do Avenida”
“Minha história no Avenida começou ainda muito cedo. Mesmo menino, eu não saía do estádio acompanhando os treinos do profissional, era a minha realização. Isso desde meus 10 anos. Morava a poucas quadras do estádio e, por isso, minha história sempre teve o Avenida. Mas foi com 14 anos que comecei a participar mesmo da rotina dos treinos e, com 16, já jogava entre os profissionais que tinham Carlitos como treinador e Paulo Eick como diretor. Que, com 17 anos, me levaram até Porto Alegre para fazer testes nas categorias de base do Inter. Acabei ficando e comecei aí minha trajetória no Inter.
Hoje narrador, Paulo Brito era meu colega de categoria juvenil no Avenida. Logo em seguida, chegava já meu irmão Silvio, que também começava aí sua carreira no Avenida. E que foi mais longa até que a minha em Santa Cruz. Depois, ele vinha para o Inter e, comigo junto, fizemos história no clube como irmãos e titulares por vários anos.
Com muito orgulho, tive a oportunidade de jogar em alguns dos maiores clubes do Brasil como Inter, Palmeiras, Flamengo, Sport Recife, entre outros. E com uma passagem muito boa na Seleção Brasileira Sub-20, era capitão e conquistamos a medalha de ouro no Pan-Americano de 1979 em Porto Rico. O que certamente colaborou para minha carreira profissional que iniciava no Inter.
O Avenida foi com certeza o início de tudo isso. Todos esses anos e apoio me deram uma base muito boa como pessoa e atleta. Hoje sou fã e torcedor do Avenida. Quero sempre o melhor e espero que, voltando à Primeira Divisão do futebol gaúcho, consiga se manter. E ter condições de, com isso, formar novos e grandes atletas em sua base. Mas para isso também precisa do apoio de todos, comunidade, imprensa, empresários, pois, para se ter um clube forte, o apoio é fundamental.
Gostaria de aproveitar essa oportunidade para fazer um agradecimento ao Avenida, que em sua longa história e em algum momento de sua história, me deu apoio, estrutura e a oportunidade pra que eu tivesse uma carreira maravilhosa em grandes clubes do Brasil. Avenida, volte e volte com tudo e pra ficar. A Primeira Divisão é teu destino.
Um grande abraço a todos os avenidenses, sua diretoria e atletas.” (Cleo Hickmann, atualmente empresário no ramo do futebol – “Com muito orgulho, ex-atleta do clube”)














