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Coleta de óleo: trabalho ambiental e educacional

LUANA CIECELSKI
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Você sabia que um litro de óleo saturado polui até 1 milhão de litros de água? E que o óleo saturado, se derramado em pias e esgotos causa o entupimento das tubulações, rompe as redes de coleta e torna o tratamento da água ainda mais caro? E você sabia que Santa Cruz do Sul tem um programa, em funcionamento desde 2009, que visa justamente evitar tudo isso?

Trata-se do Programa de Recolhimento de Óleo Saturado, pertencente ao Projeto Verde é Vida da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Além de tirar o resíduo poluente do meio ambiente, o programa também faz um trabalho de educação ambiental, porque assim como os demais programas do Verde é Vida, funciona através de parcerias diretas com as instituições de ensino dos três estados da Região Sul do país.

Na escola, as crian̤as participam do projeto e entendem a importÌ¢ncia do recolhimento do Ì_leo para nÌ£o poluir a natureza

De acordo com o técnico agrícola Nataniel Sampaio, responsável pelo programa, as escolas (ou demais instituições e associações que visem o ensino) se cadastram e passam a coletar e receber óleo. Depois elas acionam a Afubra e agendam a busca do que foi arrecadado. Para cada litro entregue, a escola ganha um bônus de R$ 0,50 centavos e ao fim do ano todas as escolas participantes ganham vale-compras no valor da quantia arrecadada. Com esses vale-compras, elas podem adquirir produtos em qualquer loja da Afubra.

“Se a escola arrecadou 2 mil litros de óleo, no fim do ano eles vão ganhar um cheque de R$ 1 mil pra retirar em mercadoria”, exemplifica. “Mas a gente sempre ressalta que não compramos óleo. O que nós fazemos é um trabalho de gratificação pelo trabalho ambiental que é feito”.

E são permitidas as mais variadas formas de arrecadação. “Além dos alunos trazerem de suas casas o óleo de cozinha já utilizado, muitas escolas também procuram arrecadar em estabelecimentos próximos como lancherias, padarias e restaurantes que queiram doar o óleo saturado. Algumas também fazem gincanas”, explica Nataniel.

No entanto, há também uma outra opção. Os estabelecimentos comerciais que não forem procurados por nenhuma escola também podem auxiliar. Eles podem acionar a Afubra, doar o óleo saturado e indicar uma escola para a qual gostariam que o valor fosse creditado. Um dos estabelecimentos que faz isso é a Franguig’s localizada no bairro Arroio Grande.

E o óleo saturado? Esse segue para uma usina de reciclagem montada dentro do Parque da Expoagro em Rincão del Rey (Rio Pardo), onde é transformado em biodiesel. Esse biodiesel depois é utilizado nos veículos da Afubra, caminhões que transportam os produtos das lojas, e também nos tratores que trabalham preparando o parque parao evento que acontece no mês de março. “Dessa forma, o serviço da Expoagro é feita praticamente sem poluir o meio ambiente”, destaca Nataniel.

No total, em seis anos de projeto, mais de 422 mil litros de Ì_leo foram recolhidos

Em 2014 foram arrecadados mais de 118 mil litros de óleo nos três estados e em 2015, levando em consideração o histórico de arrecadação (confira na tabela) a expectativa é de que sejam arrecadados mais de 120 mil litros. Cada filial da Afubra nos três estados é responsável pelo recolhimento na sua área de abrangência e pelo encaminhamento para a usina de Rincão del Rey. Muitas vezes, segundo Nataniel, os caminhões da Afubra vão até alguma filial com mercadorias e retornam com o óleo.

Tudo é aproveitado

Dentro da usina de reciclagem do óleo, o responsável é Claiton Teixeira, que trabalha no programa desde o seu início, em 2009. Ele explica que todo o óleo saturado que chega, num primeiro momento é filtrado e que em seguida passa para uma maquina de onde sairá já como biodiesel.

Claiton, que trabalha hÌÁ seis anos na usina, Ì© responsÌÁvel pela transforma̤̣o do Ì_leo em biodiesel

Nessa máquina são misturados ao óleo as substâncias Metanol e o Metóxido de sódio (Metilato de sódio) que separam a parte viscosa do óleo transformando-o em biodiesel. No total, todos os anos, segundo Claiton, são produzidos mais de 3,5 mil litros de biodiesel, sempre aos poucos e de acordo com a necessidade para evitar que o produto final perca a sua validade.

Além do óleo que chega na cooperativa, as embalagens também são aproveitadas. “Tudo o que chega aqui tem um fim correto”, explica Claiton. As garrafas de plástico são todas encaminhadas e doadas para uma cooperativa de Rio Pardo que faz a reciclagem delas. Já os galões, que vêm de escolas, mas muitas vezes também de empresas que doam os benefícios para alguma instituição de ensino, são lavados para tirar os resíduos e reencaminhados aos doadores de óleo para serem reaproveitados.

Para Nataniel, esse é um projeto onde todos os envolvidos saem ganhando. “Tira o resíduo que é altamente poluente da natureza, passa pela escola fazendo um trabalho de sensibilização ambiental e o mais interessante é que desse resíduo se faz um produto (o biodiesel) que polui 80% a menos que o diesel de petróleo. É um lixo que com um simples processo se torna um produto limpo”.

Histórico do Programa
EXERCÍCIO     MUNICÍPIOS    ESCOLAS    PROFESSORES    ALUNOS    ÓLEO COLETADO
    2009                 35                    67                  1300               20.000             14.249
    2010                 47                   294                  5794              76.937              47.426
    2011                 69                   401                 14.343           121.015             59.305
    2012                 69                   408                 14.948           122.368             87.122
    2013                 86                   448                 15.840           130.068             95.721
    2014                 88                   470                 16.399           135.929             118.795
    Total                 88                   470                 16.399           135.929             422.618