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Concentração de pombos chama a atenção

LUANA CIECELSKI
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Quem passa pela Praça Getúlio Vargas no Centro de Santa Cruz do Sul ou pelas ruas do entorno, como a Marechal Floriano, já deve ter percebido, em algum momento, os pombos que também circulam por ali. Algumas pessoas mais observadoras também se deram conta de que aos poucos a população dessas aves está aumentando, o que gera preocupação. Em muitos países, os pombos são considerados como um grave problema ambiental. Eles competem por alimento com as espécies nativas, danificam os monumentos com suas fezes e, o que é pior, podem transmitir doenças ao homem.

Foto Luana Ciecelski

Há alguns meses, havia cerca de 10 pombas e agora já são mais de 30 aves

De acordo com o biólogo e professor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Andréas Kohler, 57 doenças já foram catalogadas como transmitidas pelos pombos. Algumas delas são a histoplasmose (infecção que pode comprometer o sistema imunológico, principalmente de crianças), a salmonella (infecção bacteriana que tem como característica a diarreia, dor abdominal e febre) e a criptococose (infecção causada por fungos que atacam pulmões, tecidos subcutâneos, juntas cérebro e meninges). Além disso, pombos também têm risco potencial para transportar e espalhar gripe aviária.
“Pode se dizer que o problema são as fezes dos pombos. Quando você vai a uma praça pública há muitos locais onde as fezes estão acumuladas. Com o tempo seco que levanta a poeira, ela pode ser facilmente inalada. E essa poeira tem muitos micro-organismos”, explica o professor. Ele ressalta, no entanto, que não é necessário evitar praças públicas ou locais com pombos. “É só tomar cuidado, principalmente abaixo de ninhos ou em dias de seca”.
A presença de pombos também deve ser observada em áreas residenciais e escolas, porque além das fezes contaminadas, eles também possuem ácaros e piolhos que podem desencadear reações alérgicas. “Esses ectoparasitas podem invadir a casa e se multiplicar entre os familiares”, comenta. E o cuidado, segundo ele, contra o contágio deve ser ainda mais específico quando o assunto é comida. “Alimentos contaminados por fezes de pombos, que contém a bactéria Salmonella, trazem grandes prejuízos à saúde ao comprometer o aparelho digestivo com uma intoxicação alimentar”.

Superpopulação é problema

De acordo com Andreas os pombos põem dois ovos por vez. Eles são incubados por 16 a 19 dias, e fazem de 3 a 6 posturas por ano. Dessa forma, uma fêmea pode chocar até 12 pombinhas anualmente e assim aumentar muito a população de aves. A comprovação disso, é que há alguns meses, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade, recebeu uma denúncia informal. Na época, de acordo com a bióloga Daiane Geiger, os técnicos foram até o local e observaram que havia cerca de 10 pombos na Praça Getúlio Vargas. Agora, esse número já é três a quatro vezes maior, ou seja, já é possível ver entre 30 e 40 pombos. Esse número não representa ainda uma superpopulação, mas é suficiente para deixar os biólogos da secretaria alertas.
Problemas relacionados à superpopulação de pombos já aconteceram em outros municípios e servem de exemplo para a cidade. Em maio de 2015, por exemplo, a Prefeitura de Caxias do Sul se viu obrigada a tomar uma atitude com relação a grande quantidade de pombos que se encontravam na Praça Dante Aligheiri, uma das mais antigas e tradicionais da cidade. Parte dos animais – não todos – foram recolhidos pela Secretaria de Meio Ambiente e, segundo a prefeitura, levados para uma área afastada da cidade. Alguns foram deixados para manter um equilíbrio na fauna.
Além disso, a Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre também já foi várias vezes motivo de preocupação para a prefeitura da capital por causa da grande quantidade das aves. A movimentação de muitas pessoas pelo local todos os dias acaba deixando seus vestígios: restos de comida aqui e ali. Os animais acham um alimento fácil e se concentram no local. Técnicos acabam tendo que intervir.

Alimentá-los é errado

Esses restos de comida e a alimentação proposital por parte dos humanos é justamente um dos maiores problemas. “A superpopulação é sinal de desequilíbrio causado pela superalimentação de toda sorte fornecida por humanos”, explica a bióloga Daiane. “Por isso, pedimos encarecidamente que não alimentem estes animais. Deixem com que eles busquem seu alimento”.
Além disso, ao buscar seu próprio alimento, segundo Daiane, as aves circulam mais – não ficam apenas em um local, concentrados, esperando os alimentos dos humanos – e também ficam mais saudáveis. “Essa alimentação (fornecida pelas pessoas) é nociva, porque além de pobre nutricionalmente, ela pode gerar esteatose hepática (acúmulo gordura no fígado) dos pombos”, assegura.
O professor Andréas afirma o mesmo. “Normalmente a incidência de pombos na região é muito baixa, mas sabe-se que com as atitudes dos moradores, caso sejam alimentados frequentemente, o número pode rapidamente subir e assim começar provocar problemas”, declarou. É preciso deixar que eles busquem seus alimentos preferidos na natureza, ou seja, frutas e principalmente sementes variadas.


Aumento da população pode ser causada pela alimentação fornecida pelas pessoas

Prefeitura pede ajuda

A partir das últimas denúncias feitas a respeito dos pássaros, a Secretaria de Meio Ambiente está monitorando a praça e os pombos. No entanto, a Daiane explica que é muito importante a colaboração da comunidade em dois aspectos: na não alimentação e auxiliando a monitorar as aves. “Precisamos ser solicitados formalmente para que sejam emitidos pareceres com providencias”, explica ela. Ou seja, a secretaria deve ser acionada.
Além disso, vale lembrar que, apesar de presença dos pássaros ser preocupante em alguns casos, a população nunca deve tentar intervenções por conta própria, porque sempre há o risco de causar um desequilíbrio ambiental. O ideal é que a Secretaria de Meio Ambiente seja sempre informada para verificar a situação, identificar a espécie de pombo e decidir qual a melhor intervenção.

Como acionar a Secretaria de Meio Ambiente?

– Através do telefone (51) 3902-3611;
– Indo até a Secretaria de Meio Ambiente que está localizada na rua Galvão Costa, 708, em frente ao Parque da Oktoberfest;
– Além disso, é possível fazer o download de um Formulário de Ocorrências para a Fauna Silvestre acessando o site da Secretaria de Meio Ambiente (portal.sysnova.com.br). Depois de preenchido o documento deve ser entregue na secretaria.

– Reportagem sugerida por Pedro Andrade Silva.