LUANA CIECELSKI
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O município de Santa Cruz possui cerca de 160 trabalhadores atuando diariamente nos veículos do transporte coletivo urbano através de duas empresas. Todos eles têm uma dificuldade em comum em seus cotidianos: a falta de banheiros. Diante disso, é comum que muitos deles, em momentos de necessidade, tenham que procurar por locais alternativos. Tão comum que a situação vem chamando a atenção da comunidade.
Foi o que aconteceu em Linha Santa Cruz. Depois de notar que os trabalhadores de uma determinada linha estavam frequentando até mesmo as redondezas de um cemitério da localidade, um morador resolveu procurar o Riovale Jornal. A situação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Transporte Urbano (Sindiurbanos), Adriano Sperb Castagnino.

De acordo com ele a situação pode estar ocorrendo com mais frequência em Linha Santa Cruz, por essa ser uma das linhas que se afasta mais da região central, mas ocorre também em outros pontos da cidade. Isso porque em nenhum dos locais onde há fins de linha ou pontos onde os ônibus fazem pausas, existem sanitários disponíveis para esses trabalhadores.
“Há algum tempo foi cedido um espaço para os funcionários da TC Catedral junto à antiga Secretaria de Obras, na Rua Galvão Costa, próximo ao Parque da Oktoberfest, onde essa empresa costuma encerrar algumas linhas”, ele conta. “Porém, além do espaço ser bastante precário, já que está em um prédio bem antigo e nem luz tem, os funcionários da empresa Stadtbus que não param seus veículos no centro não podem utilizá-lo”, relata.Ele ficam então a mercê de parcerias com donos de estabelecimentos ou precisam aguardar uma pausa dentro do Campus da Unisc.
A solução, segundo Castagnino seria a construção de um terminal em um ponto onde as duas empresas pudessem utilizá-lo. “Já foi encaminhado ofício para a Secretaria Municipal de Transportes, por parte do Sindiurbanos, solicitando a construção de um terminal adequado, afinal, todos são seres humanos, e precisam ir ao banheiro”, defende. Segundo ele, na ocasião as empresas até se comprometeram a auxiliar na construção desse espaço, porém o sindicato ainda não recebeu um retorno.
O que dizem as empresas
De acordo com a diretora da TC Catedral, Neusa Gessinger, a situação de seus funcionários mudou bastante com o espaço cedido pela prefeitura nas proximidades do Parque da Oktoberfest, mas a empresa também tem consciência de que falta uma estrutura mais adequada. Dessa forma, considera que a construção de um terminal poderia, sim, ser útil e espera que com o desenrolar da licitação do transporte coletivo – que atualmente está suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) – possa resolver essa questão.
Em relação aos funcionários, Neusa explica que eles são orientados para utilizem preferencialmente o espaço cedido, mas que a TC Catedral também compreende que os trabalhadores nem sempre podem esperar, em especial no caso das linhas que vão para os pontos mais afastados da cidade. “E não conseguiríamos monitorar todos os casos, porque são muitos ônibus e linhas circulando diariamente”, justifica.
Já a Stadtbus, empresa que faz a maior parte das linhas que seguem até Linha Santa Cruz, não havia se manifestado sobre o assunto até o fechamento dessa edição.
O que diz a prefeitura
De acordo com o Secretário Municipal de Transportes, Gerson Vargas, no caso de Linha Santa Cruz não há muito o que possa ser feito por parte da prefeitura. “Não é um terminal, é apenas um local comum onde circulam as linhas”, ele justifica. “Por isso, nesse caso, a responsabilidade por construir sanitários para os funcionários é de responsabilidade da empresa”.
Porém ele concorda que essa é uma questão que pode vir a ser discutida futuramente, inclusive com a liberação da licitação. “Estou no cargo há apenas algumas semanas e por isso ainda estou me inteirando da totalidade da licitação. Acho que hoje não estaria contemplada a criação de um terminal central, num local onde ocorressem os fins das linhas, e que fosse de responsabilidade da prefeitura. Mas isso pode vir a ser discutido, é claro”, disse ele.
Depois de uma inspeção da Procuradoria do Trabalho, que também notou a falta de espaços com bebedouros e água potável para a utilização dos funcionários, o MPT fez uma série de solicitações: num prazo de 150 dias, a prefeitura deverá ter uma gestão melhor das linhas de ônibus e ter realizado a instalação de sanitários nos terminais que forem de responsabilidade do município; foram exigidos também a disponibilização de instalações sanitárias e espaços para refeições em todos os fins de linha por parte das empresas. A ação ainda pediu à Justiça do Trabalho que cada réu seja condenado a pagar multa de R$ 900 mil por danos morais coletivos.














