Pessoa idosa e o protagonismo nas transformações sociais. Esse foi o tema que norteou os trabalhos durante a 4ª Conferência Municipal do Idoso de Santa Cruz do Sul. Representantes do poder público municipal, de grupos e clubes de terceira idade, universitários, gestores e a comunidade em geral reuniram-se na Câmara de Vereadores para refletir e debater ações em prol dos direitos da pessoa idosa.
Em Santa Cruz do Sul, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12% da população tem mais de 60 anos. Em 2004 o percentual era de 10%, o que representa um rápido crescimento na avaliação da presidente do Conselho Municipal do Idoso, Miriam Etges. “Temos um longo trabalho pela frente: fazer a política do idoso vingar em cada município deste Brasil”, disse ela.
Já na visão da vice-prefeita e secretária municipal de Inclusão, Desenvolvimento Social e Habitação, Helena Hermany, o crescimento do envelhecimento constitui um fenômeno com reflexos políticos, econômicos e sociais e revela uma necessidade urgente de construção de políticas públicas que assegurem qualidade de vida a pessoa idosa. “Já se fala hoje na quarta idade, tendo em vista que logo será comum chegarmos aos 90, 100 anos. Essas pessoas precisam permanecer ativas e inseridas no contexto social”.
Convidado a palestrar no encontro, o coordenador estadual da Política do Idoso Dionízio Kuchinski, introduziu sua explanação falando da questão do cuidado consigo mesmo e com o outro. “O ser humano pode viver 120 anos, tudo depende de como vivemos”. Ele disse que há 10, 15 anos, na base da pirâmide populacional estavam as crianças, jovens e adultos, mas que essa configuração já está se invertendo e tomando a forma geométrica de um vaso, como é o caso da Europa, onde os idosos já representam grande parcela da população. “A evolução da medicina, a tecnologia e os nossos hábitos do dia a dia nos proporcionam isso. Vamos viver mais e melhor se nos cuidarmos”. No entanto ele chamou a atenção para a importância da convivência e do não abandono. “O idoso não pode ficar apartado da sociedade, o ser humano foi feito para se relacionar”.
DECOM/PMSCS/Divulgação
Propostas vão ser levadas para Conferência Estadual
Um dos pontos mais discutidos na conferência foi também a questão do Fundo Municipal do Idoso, criado em maio deste ano e, apenas a espera de regulamentação. Já incluído na proposta do Plano Plurianual, esse mecanismo possibilitará a captação de recursos que revertam em benefício da população idosa. Ele sugere várias formas de captação, dentre elas a dedução do Imposto de Renda pessoa física e a realização de convênios com empresários do comércio, em especial farmácias e grandes mercados, para que a clientela possa escolher doar os centavos do troco a algum projeto ou instituição voltada ao atendimento do idoso. “Todo mundo doa, ninguém nega isso, agora deixar 2, 3 centavos para o grande empresário isso causa desconforto e indignação”, disse.
Ainda na parte da manhã as secretarias municipais de Inclusão, Desenvolvimento Social e Habitação; Segurança, Cidadania, Relações Comunitárias e Esporte; Educação e Cultura; Planejamento e Gestão; Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia participaram de um painel em que secretários e representantes fizeram um relato dos serviços, equipamentos, programas e ações que a prefeitura mantém para atender especialmente o idoso. À tarde os participantes foram divididos em grupos e os trabalhos concentraram-se sobre os três eixos temáticos: Programas, projetos, ações, serviços e atividades; Gestão; e Participação. Na sequência foram elencadas propostas e eleitos os delegados – titulares e suplentes – que irão representar o município na Conferência Estadual do Idoso, dias 29 e 30 de novembro e 1º de dezembro, na capital.














