
O projeto Solo Protegido, fruto da cooperação técnica entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), entrou em nova etapa após a apresentação dos resultados do primeiro ano de atividades, em 25 de março último. Com duração prevista de 60 meses, a iniciativa tem como meta diagnosticar e promover a qualidade do solo em unidades produtoras de tabaco no Sul do país.
Durante a Expoagro Afubra 2026, realizada em Rio Pardo, o projeto foi destaque no estande da Embrapa. Segundo Fernanda Viana Bender, assessora técnica do SindiTabaco, “o setor segue investindo na busca permanentemente por melhorias na produção no campo”. O levantamento inicial abrangeu 33 propriedades rurais em três estados e envolveu mais de 500 produtores, dos quais 358 responderam integralmente aos questionários técnicos.
Os dados revelaram que 96,4% dos entrevistados têm no tabaco sua principal fonte de renda e 83,8% pretendem continuar cultivando até 2029. A percepção sobre a qualidade do solo foi considerada positiva ou intermediária por 85,5% dos produtores. A pesquisadora Juliana Maciel Bicca destacou que o sistema produtivo está em transição, com espaço para práticas mais conservacionistas como o plantio direto.
Desafios e próximas ações
O relatório apontou predominância da adubação mineral (99,4%) e ampla adoção da calagem (90,2%). Já o uso de bioinsumos ainda é incipiente, conforme a pesquisadora Luana Centeno Cecconello, o que abre espaço para modelos de manejo mais sustentáveis. Outro ponto identificado foi a necessidade de aprimorar a construção dos camalhões, prática comum no cultivo de tabaco. “O produtor ainda não costuma fazer os camalhões orientados de forma técnica e, por isso, o projeto encontra oportunidade para crescer”, afirmou o coordenador Adilson Luís Bamberg.
Entre os entrevistados, 81,5% demonstraram predisposição para implementar novas técnicas. As 33 propriedades selecionadas receberão planos de intervenção, com início das coletas de amostras de solo já em abril. O cronograma prevê monitoramento das boas práticas agrícolas, capacitação técnica e consolidação de modelos conservacionistas, com vistas a fortalecer a sustentabilidade e a renda dos produtores.














