Everson Boeck
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Em greve desde o dia 29 de janeiro, a expectativa dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é que a paralisação tenha um desfecho esta semana. Segundo o vice-diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telegrafos do RS (Sintect-RS), Charles Grudginski, a categoria espera que a decisão do ministro Márcio Eurico Vitral Amaro, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), seja favorável à maioria ou à totalidade das reivindicações. Enquanto isso, cerca de75% do efetivo em Santa Cruz do Sul continua em greve. De 40 carteiros, apenas 10 estão trabalhando.
Na última sexta-feira, 7 de fevereiro, o ministro Amarodeterminou liminarmente que pelo menos 40% dos empregados da ECT devem permanecer em atividade em cada uma das unidades da empresa. O ministro também fixou multa diária de R$ 50 mil, a ser paga pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), em caso de descumprimento da decisão, porém acolheu apenas parcialmente ao pedido liminar interposto pela ECT, que queria permanência mínima de 80% do pessoal no trabalho.
Conforme Grudginski, a expectativa da categoria é que a greve já tenha um desfecho esta semana. “Estamos aguardando a decisão do ministro, que ficou de avaliar as provas dos últimos três anos apresentadas pela Fentect quanto às nossas reivindicações. Dependendo do que for decidido, podemos encerrar a paralisação em breve”, ressalta. “O ministro já sinalizou que tentará sensibilizar a ETC para implantar este procedimento, já que em outros três estados do Brasil ele já foi adotado: no Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, acrescenta.
REIVINDICAÇÕES
O principal motivo que levou a categoria a deflagrar a greve foram as mudanças que a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) está fazendo no plano de saúde dos funcionários. Em outubro de 2013 havia sido ajuizada uma ação junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) que tinha como uma das cláusulas não alterar o plano de saúde, no entanto, segundo os trabalhadores, esta decisão não vem sendo cumprida pela ECT. Desde o início de janeiro a empresa vem trabalhando para implantar o Postal Saúde.
Com o atual plano em vigência, os funcionários não têm número limitado de dependentes e têm a oportunidade de incluir, em alguns casos, até mesmo os pais, e pagam apenas 10% do serviço que for usado. Se o trabalhador não usar, não terá valor nenhum descontado. Se ocorrer a mudança proposta pela empresa, o plano de saúde poderá ser terceirizado e os funcionários terão um valor fixo descontado mensalmente, além de um limite dos dependentes. Segundo o vice-diretor regional do Sintect, a categoria pede que seja cumprida a cláusula definida e ajuizada no ano passado, quanto a não alteração do atual plano de saúde.
Outra reivindicação, trata da jornada de trabalho. Conforme Grudginski, os carteiros querem, ao menos no verão, que a entrega das correspondências na rua ocorra das 7h30 ao meio dia e o trabalho interno fosse condicionado das 13h às 16h30. “À tarde prepararíamos a carga para ser entregue no dia seguinte. Os meses de novembro a março são os que mais sofremos com as altas temperaturas”, sinaliza.
Questões de infraestrutura também estão na pauta. Grudginski relata que os funcionários reclamaram que o Centro de Distribuição Domiciliária (CDD), localizado na rua Ernesto Alves, é muito pequeno e tem sérios problemas de infiltração. “O espaço é pequeno e ruim de trabalhar. Dia desses veio uma chuva intensa e as goteiras molharam até a rede elétrica. Um ventilador entrou em curto circuito e pegou fogo. Precisamos usar um extintor. Mas não é só aqui. Os colegas de Venâncio Airestrabalham em uma garagem, que é apertada e quente. As reclamações quanto às condições de trabalho também são em nível nacional”, salienta.
O aumento de efetivo é outra solicitação. Para Grudginski, hoje há trabalho para, no mínimo, 60 carteiros. “Há muitos loteamentos e novos residenciais na cidade, que está crescendo e o número de trabalhadores continua o mesmo”, afirma.
CORRESPONDÊNCIAS EM ATRASO
A paralisação desde o dia 29 de janeiro interferiu no serviço de distribuição em Santa Cruz do Sul. Apenas 25% do efetivo está nas ruas e trabalhando basicamente na área central – 75% dos trabalhadores aderiram à greve. A agência dos Correios segue aberta, na esquina das ruas Venâncio Aires e Júlio de Castilhos. De acordo com Charles, a estimativa é que cerca de 200 mil correspondências estejam paradas no CDD. “Por dia, o Centro recebe cerca de 25 mil correspondências. Com a greve, agora o fluxo deve estar em 15 mil”, informa.
Pagamento de contas– OProcon alerta que a responsabilidade por encontrar uma maneira de pagar a conta é do consumidor. Charles observa que a comunidade deve ficar atenta aos vencimentos e optar pelo pagamento através da segunda via, que em alguns casos pode ser impressa no computador, em casa, ou na própria empresa que receberá o valor.
Divulgação/Arquivo pessoal
Cerca de 75% do efetivo em Santa Cruz do Sul continua em greve
Rolf Steinhaus
Grudginski: “Estamos aguardando a decisão do ministro
para definir o rumo da greve”














