Início Geral Curso aborda inclusão de PCDsnas empresas

Curso aborda inclusão de PCDsnas empresas

Everson Boeck
[email protected]

Durante dois dias, 9 e 10 de outubro, a Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz, em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos/RS (ABRH/RS), promoveu uma capacitação para orientar as empresas sobre como conduzir de forma eficaz inclusão de Pessoas com Deficiência (PCDs) no mercado de trabalho. O curso denominado “Inclusão de PCDs nas Empresas” teve como foco principal oportunizaràs empresas participantes o aprofundamento de aspectos da inclusão, tornando a diferença uma forma de engrandecimento e fortalecimento Institucional. Dez empresas participaram do evento realizado pela ACI, que vem discutindo o assunto há alguns anos no município.
Direcionado para profissionais que trabalhem com seleção de pessoal, bem como gerentes, supervisores e líderes nas empresas, a capacitação foi ministrada pela instrutora Gisele de Oliveira, que é deficiente visual. Ela é formada em Pedagogia Empresarial, com habilitação em Orientação Educacional, atua como consultora organizacional em programas de inclusão, treinamento, desenvolvimento, seleção de pessoal e acompanhamento funcional. É colaboradora da Unimed Porto Alegre, onde desempenha a função de Analista de Desenvolvimento Humano, atuando no programa de inclusão Somar da Cooperativa.
De acordo com Gisele, mais do que incentivar as empresas a cumprir uma lei a capacitação tem foco no máximo aproveitamento dos profissionais PCDs. “Tão importante quanto a seleção desse profissional é saber como inseri-lo no contexto da empresa para que possa desempenhar suas atividades de forma plena, impactando positivamente o ambiente organizacional e ampliando suas possibilidades de desenvolvimento pessoal. Dessa forma, empregador e empregado serão beneficiados”, enfatiza.
Conforme a instrutora, dentre os assuntos abordados estavam pontos como o início da inclusão – mitos e verdades – nomenclatura, acessibilidade, o papel da família, aspectos psicológicos dos PCDs e sua inserção no mercado de trabalho, questões relacionadas à socialização e seleção de pessoas com deficiência e como fazer o acompanhamento funcional. “O treinamento busca conscientizar e sensibilizar para a atuação de pessoas com deficiência na equipe de trabalho, desmistificando ideias pré-concebidas. As potencialidades de uma pessoa, deficiente ou não, podem e devem ser trabalhadas. Cada um é perfeitamente capaz de desenvolver qualquer tarefa, é uma questão de personalidade, não de limitação”, ressalta.O objetivo, segundo Gisele, é valorizar e respeitar as diferenças como forma de evidenciar a humanização e dar seguimento a gestão de inovação no aumento e reforço do programa de inclusão na empresa.
Para Gisele, um os incentivos às pessoas que participam de suas capacitações é o fato de serem orientados por uma PCD. “Percebo que as pessoas ficam admiradas por eu ter deficiência visual e estar palestrando. Se sentem motivadas. Sempre relato minha vida escolar. Eu comecei na escola pública regular com professores que faziam material em braile para mim. No entanto, do Ensino Médio em diante não tive nenhum método especial. Minha inclusão se deu pela ajuda de outras pessoas que liam para mim e hoje existe um software de voz onde eu escaneio meus livros e os escuto. Fui atrás, todo mundo pode ir também”, exemplifica.
A Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, determina cotas mínimas de contratação de trabalhadores com algum tipo de deficiência (PCD) para empresas com 100 ou mais empregados. De acordo com essa Lei, as empresas que têm entre 100 e 200 empregados devem reservar pelo menos 2% da quantidade de vagas para profissionais com deficiência, com até 500 funcionários a cota sobe para 3%; com até 1 mil, 4%; e acima de 1mil a cota estipulada pela lei é de 5%.

Fotos Rolf Steinhaus

Dez empresas participaram do evento realizado pela ACI


Durante dois dias a instrutora Gisele de Oliveira foi
quem ministrou a capacitação