
Sara Rohde
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Com a data mais doce do ano se aproximando aumenta a procura por cestas de Páscoa. Montar um ninho com deliciosos doces e chocolates, fortalece a tradição das famílias e alegra as crianças que aguardam a chegada do coelho com as iguarias.
Em Santa Cruz do Sul, tem quem vende as cestas de Páscoa artesanais todos os anos, são os índios, vindos de diversas localidades do Estado. Neste ano a kaingang, Solange Mineiro, natural da Aldeia Serrinha em Ronda Alta, veio ao município com sua família para vender os artesanatos. Além das cestas, ela também personaliza e disponibiliza balaios, artigos de decoração e a tradicional macela, que é colhida antes de vir ao município.
Para produzir as cestinhas há todo um processo aplicado pelos índios. Conforme Solange, o material é retirado da taquara, é realizado o processo de secagem, que dura de dois a três dias, e após, são confeccionadas as cestas, “demora um pouco para ‘instalar’ as tiras, cortamos no mato, instalamos e depois de secar, começamos a trançar as cestas. Depois de montar pintamos com tinta da papelaria. A taquara gera muita coisa, como por exemplo ‘balainhos’, peneiras e cestas de roupas”, contou.
O trabalho vendido pela índia Solange quebra um galho, mas, não é suficiente para comprar fraldas, roupas e para sustentar os seus seis filhos. O pequeno Ike, filho mais novo da Solange, tem deficiência e por isso usa muita fralda, “o Ike troca muito de fralda e não conseguimos comprar o suficiente, por isso pedimos ajuda”, explicou Solange.
Outro problema que atinge a família é a necessidade de roupas para as crianças irem à escola, “as roupas são muito caras, mal conseguimos comprar uma peça e já acaba o dinheiro”. Uma realidade que não é só da Solange, e sim, de todas as crianças da aldeia Kaingang Serrinha em Ronda Alta, que conta atualmente com mais de dois mil índios residentes.
Os índios de Serrinha estão espalhados pelo Centro vendendo as cestas de Páscoa. A Solange Mineiro está em frente ao Colégio São Luís, na Marechal Floriano, expondo seus artesanatos. Quem puder ajudar com doações de fraldas, roupas e até mesmo alimentos, podem deixar os produtos com ela.
Outra dificuldade para as famílias indígenas é o transporte dos artesanatos para a sede onde estão alojados, pois é necessários pagar um transporte para carregar os materiais, e na maioria das vezes não há vendas suficientes.

Cestas de Páscoa variam de R$ 10,00 a R$ 15,00
Ramos de Macela R$ 5,00
ESPERANÇA
Os Kaingangues vêm todos os anos durante a época para trabalhar no município. A preferência deles são duas datas, o Natal e a Páscoa, mas é na Páscoa que a procura pelos artesanatos aumenta, o que rende o sustento. Viver do artesanato é a opção encontrada pela tribo.
Apesar das dificuldades das famílias, há quem se preocupa com o trabalho deles. Em Santa Cruz os índios recebem da Prefeitura um local para dormir, se alimentar e guardar os estoques de artesanatos. “À noite voltamos para a Casa do Índio para dormir, é um pouco longe, mas ajuda os índios”, disse Solange.
O Acolhimento Temporário Indígena, mais conhecido como a Casa do Índio, anteriormente era anexado ao Albergue Municipal no Bom Jesus, mas, como o local era pequeno e não havia espaço para todos, a Prefeitura disponibilizou um amplo terreno, com uma sede, localizado no bairro Faxinal.














