
Foto: Banco de Imagens/Prefeitura de Santa Cruz do Sul
Fabrício Goulart
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O crescimento do vício em jogos de apostas tem levado, em Santa Cruz do Sul, cada vez mais pessoas a buscar atendimento na saúde pública. A dependência, que avança em todo o país, é impulsionada principalmente pela facilidade de acesso às plataformas de apostas por meio do celular. Diante desse cenário, o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps AD) passou a oferecer atendimento específico para pessoas que enfrentam o problema.
A psicóloga Cátia Lucila Paul, do Caps AD, recorda que, no segundo semestre de 2025, foi formado um grupo de apoio para esses casos, isolado das demais dependências. Os encontros acontecem uma vez por semana, nas segundas-feiras à tarde, às 15h30. Embora não haja dados oficiais quanto ao número de dependentes, o serviço tem identificado um crescimento de atendimentos no município. “Ao longo dos anos, havia casos mais pontuais. Mas, do ano passado para cá, tem aparecido com mais frequência”, constata.
Cátia explica que, muitas vezes, o problema com jogos de apostas está relacionado com outras dependências, como álcool e drogas. Contudo, não é regra, e o cenário está mudando: cada vez mais pessoas aparecem com compulsão apenas por jogos. A maioria dos atendidos é formada por homens, mas também há um número crescente de mulheres buscando ajuda. Além disso, os casos podem estar associados a outras comorbidades, como depressão. “Às vezes, é difícil a gente conseguir avaliar se a pessoa já tinha problemas e o jogo entrou”, lamenta.
A profissional ressalta que nem toda pessoa que aposta desenvolve dependência. O transtorno é caracterizado quando o comportamento provoca prejuízos significativos na vida do indivíduo, como endividamento, conflitos familiares, isolamento social, faltas ao trabalho e sofrimento emocional intenso. Em alguns casos, conforme o quadro evolui, podem surgir sentimentos de desesperança e pensamentos relacionados à morte.

Foto: Fabrício Goulart
Regulamentação
Um dos grandes desafios para quem busca ajuda é a facilidade de acesso a sites e aplicativos. O governo federal possui um serviço de autoexclusão do CPF em plataformas digitais, de forma a evitar esse acesso. Contudo, o bloqueio automático funciona para serviços regulamentados, deixando de lado os clandestinos, que, muitas vezes, são os que aparecem em anúncios exibidos pelos algoritmos em apps e redes sociais.
Conforme dados apresentados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no ano passado, cerca de 11 milhões de brasileiros apresentam comportamento problemático com apostas. A coordenadora municipal de Saúde Mental, enfermeira Valquíria Toledo, destaca que, embora não haja números para o município, os casos devem ser muito superiores aos atendidos pelo Caps AD.
Nesse sentido, a profissional destaca que o transtorno costuma permanecer oculto por bastante tempo. Como a maioria das apostas é realizada pelo celular – embora também haja os bingos clandestinos –, familiares muitas vezes só descobrem o problema quando as dívidas já se tornaram insustentáveis.
Atendimento
Valquíria explica que, antes de iniciar o acompanhamento na unidade, a pessoa passa por um acolhimento e avaliação das necessidades individuais. A partir daí, é elaborado um projeto terapêutico singular, que pode incluir participação em outros grupos, consultas médicas e atendimentos individualizados. “O Caps é diferente de uma clínica. Não é focado no atendimento médico, medicação e psicoterapia. Temos muito mais como diretriz trabalhar o coletivo”, afirma.
O Caps AD está localizado na Rua Marechal Deodoro, 654, Centro de Santa Cruz do Sul e há um serviço 24 horas pelo WhatsApp (51) 92001-3370. Além disso, quem precisa de ajuda pode procurar uma unidade básica de saúde de referência para atendimento.













