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Dólar segue em alta batendo novos recordes

Real é a moeda emergente que mais teve desvalorização frente ao dólar em 2020

Grasiel Grasel
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A tensão mundial em torno do Coronavírus continua assustando o mercado e piorando a situação de indicadores da economia brasileira. Depois de fechar 12 dias seguidos em alta, ao longo da manhã desta sexta-feira, 6, o dólar chegou a bater R$ 4,66 durante a manhã e, na tarde, estabilizou na casa dos R$4,63. Da mesma forma, o Ibovespa chegou a registrar queda de 4,68% no dia e, pela primeira vez desde outubro de 2019, voltou a ficar abaixo dos 100 mil pontos.
Uma das preocupações de instituições financeiras tem sido a possibilidade de mais um corte na Selic, a taxa básica de juros no país, por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). A medida poderia tornar alguns investimentos menos atraentes para estrangeiros, diminuindo a demanda pelo real e consequentemente o seu preço.
Na terça-feira, 3, o BC divulgou uma nota informando que está acompanhando os impactos do novo coronavírus e reforçou uma informação que consta na ata da última reunião do Copom: “a consequência desses efeitos para a condução da política monetária dependerá da magnitude relativa da desaceleração da economia global versus a reação dos ativos financeiros”. Analistas entenderam a nota como um sinal de que a taxa Selic, que atualmente está em seu menor valor histórico, 4,25% ao no, poderá sofrer novos cortes.
O Real foi a moeda de um país emergente que mais teve desvalorização em relação ao dólar em 2020. Entrando no terceiro mês do ano, ela já acumula uma queda de mais de 15%, enquanto outros países como o México (peso mexicano) tiveram apenas 4.98%, África do Sul (rand) 9,40% e na Turquia (lira turca) foi de 12,75%.
Na Bolsa de Valores de São Paulo o medo do novo coronavírus continua desanimando o mercado e, o Ibovespa, seu principal índice, chegou a registrar uma queda de 4,68% às 10h, mas ao longo da tarde já estabilizava o prejuízo na casa dos 3%. A última grande queda aconteceu no dia 26 de fevereiro deste ano, quando o recuo foi de 7% em um único dia, causando uma perda de R$ 250 bilhões em ações.