
A economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, palestrou nesta terça-feira, 25, na terceira edição do ano do Encontro com o Sindilojas. Na palestra Economia Brasileira: Dúvidas e Certezas a economista falou sobre as próximas eleições no Brasil e como o novo presidente vai encontrar o país. O evento aconteceu no auditório do sindicato com a presença de associados e empresários da região.
Patrícia iniciou a palestra falando sobre a economia mundial e como ela interfere nos rumos do Brasil. Em seguida, passou a falar sobre as eleições de 2018 e de como as fake news podem interferir no processo eleitoral. “As notícias falsas se espalham muito rápido e isso se dá porque as pessoas de confiança dos grupos viram avalistas de inverdades”, argumentou ela. “Tomem cuidado”.
A economista se mostrou preocupada com a situação eleitoral pois os candidatos foram conhecidos há pouco tempo, é uma eleição sem muitos recursos e são 13 candidaturas a presidente. “É preciso ler e entender o cenário, como são 13 candidatos, os votos se dispersam e as ideias também”. Ela ainda lembrou que os brasileiros não votam em partidos e sim nas pessoas.
Com relação ao atual presidente, Patrícia afirmou que nem tudo que Michel Temer fez estava errado, “mas ele está envolvido numa nuvem de corrupção”. Citou como boas para o país a Reforma Trabalhista e a Lei do Teto. “Mesmo assim, Temer não consegue rentabilizar para si as coisas boas”. No seu entendimento, a população está muito descrente com relação à política.
LAVA-JATO
Patrícia vê a Operação Lava-Jato como positiva, mas também existe um lado ruim. “Nunca pensei em ver tanta gente poderosa presa, como políticos e grandes empresários. Isso é bom e educa. Por outro lado, leva a crer que política é ruim e suja. As pessoas de bem não têm estímulo para entrar na política”. Ela citou que muitos candidatos dizem ter ficha limpa e que isso avalizaria a sua candidatura. “Eles acham que é escolher aquele que nada fez de ruim, mesmo que nada tenha feito, nem de bom. É preciso pesquisar mais cada candidato”.
Com relação aos candidatos à presidência, a economista citou os que aparecem nas primeiras posições nas pesquisas. Falou dos Planos de Governo de cada um e chegou à conclusão de que os candidatos têm falhas entre discurso e prática. “É tudo muito vago e incerto, deixa os eleitores numa sinuca de bico”. No seu entendimento, no segundo turno as pessoas vão votar contra o outro e não em alguém. “E isso é muito ruim para o país”. Ela ainda revelou que desde maio do ano passado o Governo não faz nada por causa da falta de apoio do Congresso. “O candidato eleito vai precisar do apoio dos deputados federais e senadores, por isso, também é preciso votar certo nestes cargos”.
ECONOMIA
Patrícia afirmou que o Brasil vive uma recuperação lenta, a inflação está controlada e os juros estão mais baixos. “Quando digo que a inflação está controlada, ninguém está dizendo que as coisas estão baratas, mas a realidade é que os preços estão subindo menos e o poder de compra fica mantido”, argumentou. Ao apresentar números de queda do PIB e projeções para 2018 e 2019, Patrícia lembrou que muitos falam do alto desemprego, mas entende que é necessário olhar para alguns detalhes.
Para ela, o mercado nunca teve tanta gente boa para contratar e quem tiver dinheiro, a hora é interessante para trocar a equipe. Outro detalhe é que muita gente buscou outras formas de renda que não o emprego com carteira assinada, como o trabalho de Uber, por exemplo. Portanto, há dinheiro no mercado, mas é um perfil de consumo diferente. “Quem está voltando a consumir são as famílias, não tão ávidos como antes, mas o consumo está voltando”.
Para o futuro, ela revelou que os novos governantes precisam preservar as reformas e fazer outras necessárias. “A situação ficou ruim desde 2014, com a dívida crescendo a cada ano, com o governo gastando mais do que ganha. Isso tem que mudar e os eleitos precisam entender isso”.
Patrícia lamentou que, nessa eleição, se fala mais das raivas do que se pensa no futuro. “É preciso repensar o país, promover as reformas como a da Previdência. São necessários ajustes urgentes”. Ao final, ela aconselhou os empresários a também promoverem reformas. “É preciso repensar os negócios, muitos reclamam da política, mas também não fazem as mudanças necessárias dentro das suas lojas”.














