
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, foi reeleito neste domingo, 25, para um quarto mandato à frente da Presidência da República. Com 100% das urnas apuradas, Lula alcançou 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos, derrotando Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno – o senador recebeu 59.826.041 votos, 48,21% dos válidos.
A vitória foi consolidada após uma forte recuperação da campanha petista na reta final da disputa. O movimento ganhou impulso com uma estratégia mais agressiva nas redes sociais e com o aumento das mobilizações de rua em apoio ao candidato.
No ambiente digital, Lula passou a adotar uma comunicação mais direta e informal, com vídeos em formato selfie e mensagens voltadas ao eleitorado. Um dos principais marcos dessa mudança foi a entrada do deputado André Janones (Rede-MG) na campanha.
Janones organizou o grupo “Exército de Lula” no WhatsApp, que reuniu mais de 10 milhões de participantes. A iniciativa contribuiu para ampliar o engajamento de apoiadores nas redes sociais e reforçar a disseminação de conteúdos favoráveis ao candidato.
Paralelamente, manifestações espontâneas tomaram as ruas de diversas cidades brasileiras. Movimentos sociais, entidades estudantis e grupos de apoio promoveram atos em todo o país. As imagens de mobilizações com predominância da cor vermelha passaram a simbolizar a reação da candidatura petista no segundo turno.
Propostas para o novo mandato
Durante a campanha, Lula defendeu a continuidade e a ampliação de políticas implementadas ao longo dos últimos quatro anos. Entre os principais compromissos apresentados no plano de governo estão a manutenção da política de valorização do salário mínimo acima da inflação, novos investimentos em defesa nacional e a criação de um Ministério da Segurança Pública.
Segundo o programa de governo, a nova pasta teria como objetivo ampliar a participação da União em políticas de segurança pública atualmente conduzidas pelos estados. Na área da saúde, o presidente reeleito propôs a criação daquilo que classificou como “a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo”. O plano prevê investimentos em diagnóstico precoce, modernização de equipamentos, ampliação do acesso a tratamentos e atualização de medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos.
Para a educação, Lula prometeu expandir o programa Pé-de-Meia, criado em 2024 como incentivo financeiro-educacional para estudantes do ensino médio da rede pública. Entre as iniciativas anunciadas está a criação de modalidades voltadas ao ensino superior, como o chamado Pé-de-Meia Universitário. No campo da política externa e econômica, Lula reafirmou o compromisso de manter relações diplomáticas e comerciais com todos os países. Após enfrentar o que classificou como um “tarifaço” imposto pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump, o petista defendeu o fortalecimento da economia nacional por meio da industrialização e da abertura de novos mercados para as exportações brasileiras.
Biografia
Lula nasceu em 27 de outubro de 1945 em Garanhuns (PE). Antes de ingressar na vida pública, trabalhou como metalúrgico e ganhou projeção nacional ao presidir o sindicato da categoria no ABC paulista durante o processo de redemocratização do país.
Sem curso superior, formou-se torneiro mecânico pelo Senai. A liderança que exerceu nos grandes movimentos grevistas da década de 1970 e a defesa que fazia da democracia durante a ditadura militar no Brasil o inspiraram a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980.
Nos anos seguintes, participou da campanha das Diretas Já e, em 1986, foi eleito deputado federal pelo PT. Lula construiu uma trajetória política voltada à defesa dos direitos dos trabalhadores; à ampliação de políticas sociais; ao combate à miséria e à fome; e à participação do Estado na promoção do desenvolvimento econômico.
Ao longo da história política recente, consolidou-se como uma das principais lideranças da esquerda brasileira e do campo progressista. Também ganhou projeção internacional, sendo reconhecido com uma das mais importantes lideranças mundiais neste século. Disputou a Presidência da República em várias ocasiões, até vencer a eleição de 2002.
Governou o país entre 2003 e 2010, voltou ao cargo em 2023, após ter sido absolvido de condenação no processo envolvendo a Lava Jato, e de ter cumprido 580 dias de prisão. Com a vitória eleitoral em 2022, tornou-se o primeiro presidente da República a ser eleito três vezes para o cargo. E chega, agora, ao quarto mandato. E, segundo ele próprio, será seu último. (Agência Brasil)













