Início Geral Em Linha Seival moradores decidem fazer a manutenção

Em Linha Seival moradores decidem fazer a manutenção

Everson Boeck
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Desde as 6h da manhã de segunda-feira, 2 de junho, um grupo de moradores de Linha Seival bloqueou a estrada que dá acesso à RSC 287 como forma de protestar a falta de investimentos para melhoria da trafegabilidade. Foram colocadas toras de eucalipto a cerca de dois quilômetros da rodovia estadual impedindo o trânsito de veículos. Sem retorno satisfatório, no final da manhã de ontem, quarta-feira, 4, a comunidade decidiu iniciar reparos por conta própria.
De acordo com o presidente da Associação dos Moradores de Linha Seival, Perci Schuster, estão sendo feitos carregamentos de cascalho e espalhados em alguns buracos com o auxílio de tratores, patrolas e retroescavadeiras que vão finalizar o trabalho. “Nós vamos fazer a manutenção mínima para que possamos transitar, pois do jeito que estava já era impossível trafegar. Por enquanto continuaremos com a estrada bloqueada. Depois que estivermos com os reparos prontos, decidiremos se liberaremos ou não”, afirma.
Conforme o representante de Linha Seival, o vice-prefeito de Venâncio Aires, Giovane Wickert, acompanhado do presidente da Câmara de Vereadores de Venâncio, Cândido Faleiro Neto, e do vereador de Santa Cruz, Vilson Rabuske, estiveram no local ontem pela manhã e entregaram aos moradores cópia da lei sancionada em fevereiro deste ano em Venâncio Aires, na qual o município reconhece que a localidade pertence a Santa Cruz do Sul.

Divulgação/RJ

Mesmo optando por executar algumas melhorias, comunidade vai manter
a via bloqueada por tempo indeterminado

O que diz o Executivo

Desde o segundo semestre do ano passado, a Linha Seival cobra da Prefeitura a execução de um recurso de R$ 800 mil obtidos junto ao governo federal através do Ministério da Agricultura, concedido por uma emenda parlamentar do deputado federal Sérgio Moraes (PTB), destinado para obras de asfaltamento em quase dois quilômetros de via. Segundo a Prefeitura de Santa Cruz do Sul, o recuso poderá ser aplicado até julho de 2015, podendo ser prorrogado por mais um ano, caso necessário.
O secretário municipal de Planejamento e Gestão, Jéferson Gerhardt, afirmou que o impasse está em questões burocráticas. Segundo ele, há indefinição sobre dois trechos: “Um dos trechos, entre a RSC 287 e a ponte no Taquari Mirim, é uma área do município e que não possui pendência nenhuma e cabe à Secretaria de Obras a pavimentação neste local. Conforme já divulgado, já foram feitas melhorias e canalização para esgotamento antes da estrada receber o asfalto, que inclusive já existe o projeto em fase de conclusão. A primeira etapa já está acontecendo”, assegura.
De acordo com o secretário, o segundo trecho, que vai da ponte até onde está sendo realizado o protesto, sofre um impasse no qual a Prefeitura não consegue comprovar que a área pertence a Santa Cruz do Sul em função de um decreto estadual da década de 1940 no qual os 15 quilômetros quadrados de Linha Seival pertenceria a Venâncio Aires. “Estamos aguardando a transferência da área para o Município para que possamos aplicar o recurso, que não poderá ser usado para outra obra, pois é específico”, explica Gerhardt.

Na Câmara de Vereadores

Na sessão da Câmara de Vereadores da última segunda-feira, 2, o impasse de Linha Seival foi levado à tribuna pelo vereador Wilson Luiz Rabuske (PT). Segundo ele, há a lei estadual 14.338, de 30 de Outubro de 2013, que permite aos Poderes Executivos Municipais corrigirem os limites entre municípios no estado. “Quase todos os requisitos da lei estão preenchidos. A exemplo de Venâncio Aires, que já encaminhou o mesmo projeto à Câmara. Santa Cruz pode fazer o mesmo. Além disso, a Caixa Econômica Federal exige o mapa corrigido para liberar o recurso. Com essa lei, o impasse se Linha Seival faz parte ou não de Santa Cruz estará resolvido”, aponta o vereador.

Divulgação/RJ

Estão sendo feitos carregamentos de cascalho e espalhados em alguns buracos
com o auxílio de tratores, patrolas e retroescavadeiras que vão finalizar o trabalho