Luana Ciecelski
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Dar um pouco de tempo, atenção e carinho para receber em troca um sorriso, um olho brilhando e muito aprendizado. É exatamente essa a recompensa daqueles que resolvem dedicar um pouquinho das suas vidas a uma forma de trabalho ainda não muito difundida, mas cada vez mais discutida. O voluntariado. Santa Cruz do Sul possui várias formas de iniciar nesse tipo de atividade, que apesar de não ser remunera exige muita responsabilidade. Em algumas instituições, basta entrar em contato com os coordenadores e arregaçar as mangas, no entanto, existem também aquelas instituições voltadas justamente para a gestão de pessoas que estão em busca do voluntariado.
A Parceiros Voluntários é uma delas. Ela é uma Organização Não Governamental (ONG) existente desde 2001 em Santa Cruz e mantida pela Associação Entidades Empresariais de Santa Cruz (Assemp) desde 2012. Ela foi fundada inicialmente em Porto Alegre e hoje está espalhada por todo o Rio Grande do Sul. Funciona como um elo entre quem quer ser voluntário e quem precisa desse tipo de atividade.
Por isso, ela oferece diversos programas. Para os alunos de escolas públicas que tenham interessehá o Tribos. Há também um programa para as empresas que queiram incentivar seus funcionários a fazer trabalho voluntário, o Voluntário Pessoa Jurídica (VPJ) e também um programa voltado para pessoas físicas, o VPF.
A pessoa interessada procura a Parceiros Voluntários e em seguida participa de um encontro entre os organizadores e outros interessados, chamada de “reunião conscientizadora”. Nesse encontro são apresentados os objetivos da ONG, é falado sobre o voluntariado, sua importância e responsabilidades e também são apresentadas as organizações, seus públicos e suas principais necessidades.
O passo seguinte é a escolha, de acordo com o perfil de cada pessoa, sobre uma área de atuação. “Alguns gostam de trabalhar com idosos, outros gostam de trabalhar com crianças;para outros o público é indiferente, mas eles querem exercer uma atividade específica; alguns tem mais tempo, outros só podem em um dia da semana por apenas uma hora, etc. tudo vai de acordo com a pessoa e juntos nós vamos encontrar um dia, um horário e um local, de acordo com o que ela quer e com a disponibilidade. Então fazemos o encaminhamento”, esclarece Alice Kwiatkowski, coordenadora da ONG.
Atualmente, a Parceiros Voluntários trabalha com 19 instituições para as quais manda voluntários. Durante o período que a pessoa trabalha como voluntária em uma delas, ela é acompanhada por um coordenador e também pela própria Parceiros. “Nós sempre deixamos bem claro que o voluntário tem as mesmas responsabilidades que um funcionário contratado. Até porque as pessoas com as quais ele vai trabalhar criam um vínculo, uma expectativa, esperam por ele. Então é preciso ter uma responsabilidade”, explica Alice.
Ao longo do ano a Parceiros Voluntários também faz campanhas pontuais, como o Dia do Desafio em agosto, campanhas por doação de sangue, campanhas do agasalho em parceria com a Prefeitura. “Nesses casos muitas pessoas surgem dizendo que não podem se comprometer com um dia certo, mas que estão ai, que querem ajudar também de forma pontual”.
Ajudei e fui ajudado
De acordo com Alice, o trabalho voluntário mexe muito com as emoções e todas as pessoas podem oferecer algo a alguém, tanto é que um dos lemas da entidade é justamente “O que você faz bem, pode fazer bem pra alguém”. “De repente tu toca violão super bem, mas tu não tem ninguém pra te ouvir. Lá na entidade tem gente que vai ganhar o dia se tu for lá tocar um pouco de violão. Outras pessoas gostam de fazer algum trabalho manual, mas ai percebem que não tem graça ficar em casa, fazer uma florzinha bordada, e depois não saber o que fazer com ela. Lá na entidade tu pode ensinar alguém, o teu trabalho pode servir de terapia e esse trabalho pode até se transformar em renda para a organização. De repente vai se criar algo que pode ser vendido em um bazar, um brechó”, esclarece.
De acordo com Alice, conversando posteriormente com os voluntários, os resultados são sempre positivos. “O principal retorno é assim: eu fui pensando que eu iria ajudar, mas por fim o maior beneficiado fui eu mesmo”, afirma ela. “As pessoas se sentem realizadas, se sentem felizes. Ela tem a oportunidade de fazer o que ela realmente gosta, porque uma coisa é a gente trabalhar e estudar, fazendo algo por profissão. Outra coisa é tu fazer por um hobby”.
Foi o que aconteceu com a estudante de Relações Publicas, Gabrieli Jacobs. “Faz bem interiormente. No momento que você acredita em algo bom, as coisas boas acontecem ao seu redor”, disse ela. Gabi atuou como voluntaria na Aapot por dois anos,e atualmente atua em atividades esporádicas realizadas na cidade, como campanha do agasalho e eventos beneficentes. Além disso, ela auxilia a entidade na área da comunicação, que é a área que estuda na Unisc.
Gabi conta que começou a ajudar sem algo formalizado. “Quando vi, eu estava ajudando organizações que dependiam de trabalho voluntario e daí só foi. Com o auxilio da assistente social da Aapot, eu fiz um cadastro na Parceiros Voluntários e dei sequencia em ajudar onde eu conseguia estar, dentro das necessidades que a instituição divulgava”, explica.
Ela garante que vale a pena. “Eu sempre digo que não falta tempo, o que falta nas pessoas ainda, é a certeza de que isso vale a pena. E vale sim. É gratificante ver o resultado do seu trabalho indo além de um salário no fim de cada mês”, diz. “Todos os dias eu quero acreditar que não somos apenas matéria no mundo. Eu sou idealizadora de um mundo melhor, todos os dias eu penso e desejo que alguém faça algo por alguém, seja ele um trabalho voluntario, ou não”.
Para ela, ser um voluntário é aliviar as dores da sociedade. “Dores que o mundo e a política atual nos jogam na cara todos os dias por um aparelho que toda a população possui dentro de casa, e que nos rouba o tempo qual poderíamos fazer diferente”, finaliza.
Os mais procurados
Além disso, se você é professor de educação física, fisioterapeuta, nutricionista ou psicólogo, saiba que a sua profissão é uma das mais procuradas pelas entidades. De acordo com Alice, todos as pessoas são muito importantes, no entanto, alguns profissionais são sempre buscados porque suas formações podem contribuir muito com as entidades que vão receber o trabalho voluntário. Praticamente todas as entidades que recebem voluntários, trabalham com crianças, idosos ou pessoas que se encontram com a saúde debilitada. Alguns trabalham até mesmo com os familiares dessas pessoas e essas profissões podem ser fundamentais.
Além disso, jardineiros também são constantemente procurados. Alice destaca que além do fato de que a contratação dessas profissionais que cuidam de hortas e jardins ser cara, essa é uma atividade de grande valia principalmente para as instituições que atendem pessoas doentes e seus familiares como a AAPOT (Associação de Assistência a Pacientes Oncológicos e Transplantados). “Muitas dessas pessoas vêm do interior para se tratarem na cidade e sentem falta de um trabalho assim. Além disso, essas casas recebem os familiares dos doentes, que muitas vezes passam o dia inteiro ociosos enquanto o familiar está no hospital se tratando. É muito bom quando eles podem ter uma atividade que além de tudo pode ser revertida em alimento para a casa”, esclarece Alice.
Se você que está lendo tem interesse em ajudar, a próxima reunião de conscientização está marcada para o dia 13 de maio, portanto esse é um bom momento para se voluntariar.
Luana Ciecelski

Alice Kwiatkowski: “Todos dizem: eu fui pensando que eu iria ajudar, mas por fim o maior beneficiado fui eu mesmo”
Arquivo Pessoal

Gabi (ao centro, de branco) participando como voluntária de uma das campanhas da Aapot
Organizações da Sociedade Civil (OSCs) conveniadas à Parceiros Voluntários
ASPEDE – Associação Santa Cruzense de Pessoas Portadoras de Deficiência Física
COPAME – Associação Comunitária Pró-Amparo do Menor
AAPOT – Associação de Assistência a Pacientes Oncológicos e Transplantados
LAR DA MENINA – Instituto Filhas de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Projeto Social)
INSTITUTO HUMANITAS – Instituto Humanitas Fraternidade (Projeto Social)
LIGA – Liga Feminina de Combate ao Câncer de Santa Cruz do Sul
OASE – CENTRO – Ordem Auxiliadora de Senhoras da Comunidade Evangélica (Projeto Social)
RECOMEÇAR – Comunidade Terapêutica Recomeçar
CVV – Centro de Valorização da Vida
Projeto Social Bom Jesus – Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Projeto Social)
ASAN – Associação de Auxílio aos Necessitados e Idosos de Santa Cruz do Sul
COOMCAT – Projeto Coleta Seletiva Solidária
USBEE: Centro Marista Nossa Senhora da Boa esperança
CASA DA CRIANÇA – Associação de Educação Familiar e Social do RS
APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
AAPECAN – Associação de Apoio a Pessoas com Câncer
ASDISC – Ação Social Diocesana SCS
HOSPITAL SANTA CRUZ
HOSPITAL ANA NERY














