Início Geral Estupro: Análise de DNA resolve caso de 2005

Estupro: Análise de DNA resolve caso de 2005

Diego Dettenborn – [email protected]
 
Teve desfecho, de forma inusitada, um caso de estupro que no ano de 2005 repercutiu em Santa Cruz do Sul, mas, no entanto, não teve naquele momento, a confirmação pela polícia do verdadeiro suspeito e foi concluído sem autoria. Com base nos arquivos de DNA do banco de dados do Instituto Geral de Perícias (IGP), e após lançamento no sistema da amostra de exame de um suspeito de um crime sexual ocorrido no mês de junho deste ano, foi possível certificar que nos dois casos, as vítimas foram atacadas pelo mesmo homem e assim o inquérito foi concluído com sucesso com a prisão do suspeito.
Ainda em 2005 a vítima que atualmente tem 26 anos, não havia conseguido identificar o homem. Na época, o caso teria acontecido no mês de julho por volta das 21h, o que em relação a falta de luminosidade, dificultou a identificação do autor pela mulher. Já em 2013 a vítima, de 22 anos, conseguiu repassar a polícia maiores dados sobre o homem de 32 anos. Algumas tatuagens (uma cruz e um tubarão) e a baixa estatura (cerca de 1,60m) foram fatores determinantes para identificar o suspeito em um primeiro momento. 
Após ter sido localizado pela polícia o homem se negou a fornecer uma amostra de material genético, no entanto uma escova de dentes encontrada na mochila, foi apreendida e encaminhada ao IGP.  De acordo com a delegada Lisandra de Castro de Carvalho da Delegacia Especializada no atendimento à Mulher (Deam), o confronto do material genético e a certificação de que o sêmem encontrado em ambas as vítimas contêm o mesmo DNA do suspeito colocou um ponto final nos casos, de 2005 e também 2013. 
“É incontestável. A provas estão reunidas, o suspeito foi reconhecido e a análise do instituto foi crucial para o desfecho do caso”, declarou a delegada Lisandra. O homem e uma das vítimas moravam no mesmo bairro em Santa Cruz do Sul. A outra vítima, também violentada nas imediações do bairro, visitava com frequência a localidade em função de possuir parentes com residência ali constituída.  


Rolf Steinhaus

Lisandra: “Precisamos estimular as vítimas a procurar a delegacia”
 
 
 
 
 
 
Pena
 
O homem, de 32 anos foi indiciado por dois crimes já que em 2005 além de estuprar a vítima ainda roubou R$5. A pena para o crime sexual (sem morte) varia entre seis e dez anos, podendo ser aumentada em um terço até metade pelo uso de arma de fogo. Já na segunda ocasião, em junho deste ano, a jovem foi abordada pelo suspeito que tinha em sua posse uma faca.  
 
Dificuldade
 
Segundo Lisandra, a maior dificuldade encontrada nesse tipo de caso (crime sexual), depois de executado é conseguir colher amostras que levem ao autor. “É muito difícil para nós mulheres, depois de um ato deste nível não pensar em tomar banho. No entanto é imprescindível que a coleta seja feita logo que a vítima for atacada, o mais rápido possível. Às vezes o uso de preservativos e até mesmo o banho não deixa nenhuma chance de sucesso na coleta, o que dificulta imensamente o trabalho do IGP”.
 
Diferencial
 
Segundo a delegada Lisandra o grande diferencial para que os casos sejam resolvidos com mais rapidez e os culpados sejam indiciados é o fato das vítimas terem a consciência de que é muito importante que seja feita a denúncia. “Precisamos estimular as vítimas a procurar a delegacia. Temos alguns casos em andamento em Santa Cruz do Sul e em nenhum deles é revelado o nome e nem ao menos o bairro onde residem os envolvidos. Mantemos absoluto sigilo e temos como objetivo nunca expor as vítimas”.