
LUANA CIECELSKI
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Diversidade, cultura, emoção e principalmente boa música. Assim foi o fim de semana daqueles que viveram a primeira edição do Festival Internacional de Música de Santa Cruz do Sul (FIM). O evento contou com a apresentação e disputa de 18 canções (houve duas desistências) e dezenas de músicos entre a sexta-feira, 17, e o último domingo, 19 de março. A grande vencedora foi uma música composta por músicos da região: ‘A Queixa do Campo’, de Gilmar Batista, Josemar Dias e Tiago Souza, de Vera Cruz.
O evento, promovido pela Associação de Entidades Empresariais de Santa Cruz do Sul (Assemp), com patrocínio da Philip Morris Brasil e financiamento do Sistema Pró-Cultura LIC-RS, aconteceu em três etapas. Na noite de sexta-feira, 17, disputaram três vagas na final os classificados na categoria regional; na noite de sábado, 18, foi a vez dos classificados na categoria nacional competirem. Por fim, na noite de domingo, disputaram os três classificados em cada uma das categorias – os seis finalistas – e o grande vencedor foi conhecido.
A primeira colocada, a música “A Queixa do Campo” recebeu um prêmio de R$ 10 mil. Além dela, foram premiados também a cação “Samba de Compromisso”, um samba composto por Zé Renato Daudt, de Porto Alegre, que ficou com o segundo lugar e um prêmio de R$ 5 mil, e a música “No Escuro”, da cantora e compositora Nicole Carrion, de Santana do Livramento. A jovem, que ficou com a terceira colocação, levou para casa um prêmio de R$ 3 mil.
Além desses prêmios, também foram entregues valores para a melhor Intérprete (Nicole Carrion), o melhor instrumentista (Edinho Nascimento), o melhor arranjo (‘A Queixa do Campo’) e para o músico destaque (Lucas Kist), além de um troféu para a música considerada mais popular (‘Olho de Vidro’).

Recompensa
Para Tiago Souza, um dos compositores da canção vencedora, ganhar esse prêmio é uma grande recompensa. “A gente trabalha tocando em bailes, e por isso não são apenas os músicos que estão envolvidos com a nossa música. São muitas pessoas. Então, receber esse prêmio é uma forma de agradecer a elas por todo o apoio dado sempre”, disse ele.
Sobre R$ 10 mil recebidos, Tiago explicou que não são grandes os planos. “Vamos dividir entre todos os merecedores. Acho que é o mais justo”, declarou.

Difícil escolha
Um dos pontos mais destacados durante a premiação foi a qualidade das músicas e dos músicos que se apresentaram nos três dias de evento. De acordo com Sandra Mohr, uma das juradas, todas as apresentações foram de altíssimo nível e o julgamento foi mesmo difícil de ser feito. “Além das apresentações já serem de alto nível, nós também notamos um crescimento do primeiro para o último dia. Isso mostra que o pessoal estudou bastante para o último dia. O que dificultou ainda mais o julgamento”, apontou.
Ela esclareceu ainda que foram avaliados a composição, a qualidade dos arranjos, a afinação, o ritmo e a interpretação da cada uma das apresentações, e que cada um dos jurados votou através de um tablet, sem saber a nota que os demais estavam dando, para que o julgamento fosse o mais imparcial possível. “Nós não chegamos a conversar sobre as notas. A gente votou e o resultado foi divulgado por um software. Ficamos sabendo quem era o vencedor ao mesmo tempo que o público”, contou. O critério de desempate, no entanto, foi mesmo a qualidade da composição.
Na opinião de Sandra, a realização desse evento foi importante para a cidade. “Ele vai estimular o crescimento cultural, técnico e artístico dos músicos locais. A gente pode perceber isso durante o próprio festival. De uma forma geral, as apresentações da fase nacional, que aconteceram no sábado, tiveram uma qualidade um pouco maior do que as da fase regional que tinham acontecido na sexta. Porém no domingo, notamos uma mudança, como já disse, um crescimento: os da fase regional se saíram melhor do que os da nacional. Isso mostra que já durante o festival eles evoluíram”, comentou.
Show de encerramento
Outro grande momento do festival na noite desse domingo foi o show de encerramento, que contou com apresentação dos músicos que participaram e foram premiados em festivais que aconteceram na cidade na década de 1980. Veco Marques, Killy Freitas, Miguel Beckenkamp, Victor Hugo, Léo Almeida, Hilton Vaccari, Diego Maracci, Lucas Kist e André Dreher subiram ao palco e tocaram músicas premiadas nos festivais dos quais participaram, além de clássicos da música do sul do Brasil. A apresentação teve direito até mesmo a pedido de “mais uma” por parte do público presente.
De acordo com o presidente da Assemp, Flávio Bender, a ideia de convidá-los para participar desse novo festival também teve como objetivo homenagear esses músicos. “Na nossa programação sempre se tinha uma ideia de retomada dos festivais dos anos 80, então nada mais justo, nada melhor do que homenagear também os vencedores desses festivais”, disse.
Ele apontou também que a presença deles nos festivais pode servir de exemplo para os músicos mais jovens. “Na época [na década de 80] eles eram jovens, e hoje são músicos com 30 anos de carreira. Esse é o caso do próprio Veco Marques, do Nenhum de Nós. De certa forma eles começaram com esses festivais. A história deles é de festivais. Então a presença deles é especial. É um incentivo para os jovens”.
“Quero voltar”
Em sua fala, o secretário estadual da Cultura, Victor Hugo, que recebeu uma homenagem da organização do evento, destacou que a ideia de retomar os festivais é muito válida. “Acho que Santa Cruz do Sul está de parabéns por se reinserir no mapa dos festivais”, disse. Em sua visão, no entanto, é preciso fazer festivais novos, que valorizem ainda mais a parte musical e a ajuda de custo para os concorrentes. “Não se trata apenas de resgatar. Nós não voltamos para o passado. A gente tem que ter compromisso com o passado, olhando para o futuro”, disse.
Ele também aproveitou os minutos que esteve em cima do palco para cantar um trecho de uma música de sua autoria – João Barreiro – que recebeu o prêmio de melhor música no 2º Festival realizado em Santa Cruz do Sul na década de 80. “Esse clima do festival me deixou com saudades daquele tempo, então eu vou cantar um pouquinho”, justificou.
Victor Hugo disse ainda que o Estado está se dispondo a ajudar com recursos vindos de leis de incentivo sempre que a cidade quiser realizar esse tipo de evento, e colocou uma pressão: “Continuem a realizar esse festival. Eu quero voltar no ano que vem”.

Finalistas
Fase Regional
– A Queixa do Campo – Milonga, composta por Gilmar Batista, Josemar Dias e Tiago Souza, de Vera Cruz;
– A Casa Antiga – Milonga/Candomba, de Mauro Colleto, João Cleber Caramez e João Manuel Pereira Neto, de Santa Cruz do Sul;
– A Sua Verdade – POP, composto por Gustavo Sehnem, de Santa Cruz do Sul.
Fase Nacional
– Samba de Compromisso – Samba, composição de Zé Renato Daudt, de Porto Alegre;
– No Escuro – canção, composta por Nicole Carrion, de Santana do Livramento;
– Amélia – canção, composta por Volmir Coelho, de Santana do Livramento.
Vencedores
1º lugar: A Queixa do Campo, composta por Gilmar Batista, Josemar Dias e Tiago Souza, de Vera Cruz – Prêmio R$ 10 mil
2º lugar: Samba de Compromisso (Samba), composta por Zé Renato Daudt, de Porto Alegre – Prêmio R$ 5 mil
3º lugar: No Escuro (Canção), de Nicole Carrion, de Santana do Livramento – Prêmio R$ 3 mil
Melhor Intérprete: Nicole Carrion, de Santana do Livramento – Prêmio R$ 1,5 mil
Melhor Instrumentista: Edinho Nascimento, A Casa Antiga, de Santa Cruz do Sul – Prêmio R$ 1,5 mil
Melhor Arranjo: A Queixa do Campo – Prêmio R$ 1,5 mil
Músico Destaque: Lucas Kist, No escuro, de Santa Cruz do Sul – Prêmio R$ 1,5 mil
Canção Mais Popular: Olho de Vidro, de Sandro da Silva Figueiredo, de Santa Cruz do Sul – Premiação: troféu














