LUANA CIECELSKI
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Dar um pouco de tempo, atenção e carinho para receber em troca um sorriso, um olho brilhando, um novo conhecimento. Ao invés da recompensa financeira, essa é a retribuição de alguém que que decide dedicar um pouco de seu tempo e seu talento a uma atividade voluntária. Ainda assim, o voluntariado é considerado um trabalho. Isso porque ele exige tanta dedicação como qualquer atividade com fins econômicos.
E em Santa Cruz do Sul, o que não faltam são formas de ajudar alguém, de embarcar em uma dessas atividades. Um bom exemplo é a organização Resistência Urbanas = Aprendizados Subversivos, ou apenas Coletivo RUAS, como tem sido chamado. Voltado para a realidade das pessoas que moram nas ruas, ele vem se destacando por ser o único que lida com essas pessoas.
Fundado há um ano e meio pela acadêmica de psicologia Maria Luiza Adoryan, – a partir de uma curiosidade dela em saber como as pessoas em situação de rua vivem -, atualmente o grupo é composto por cerca de 15 pessoas. Juntas elas procuram realizar atividades, não de assistencialismo, mas de aprendizado coletivo. “As nossas ações são construídas coletivamente com participação direta de pessoas que vivem em situação de rua. A nossa proposta e visão é a de pensarmos e fazermos atividades com eles, e não para eles”, explica Mallu.

São realizadas, periodicamente, refeições com os moradores como uma justificativa para reunir pessoas para um dia de conversas e debates sobre os problemas enfrentados e outras questões que permeiam a realidade de quem vive em situação de rua. Dessa forma eles já trabalharam com mais de 50 pessoas que tem como moradia as ruas do município.
O que o Coletivo RUAS quer é dar voz a essas pessoas. “Eles são sempre afastados das ruas centrais para que a população não os enxergue, mas a gente quer justamente dar voz a essas pessoas que tem tanto a nos falar”, observa a fundadora do grupo. Um dos principais pontos de encontro é a Praça SiegfriedHeuser, no entorno da pista de skate, além do próprio Albergue Municipal.
Em um dos últimos eventos, realizado no dia 21 de abril, por exemplo, foi preparada e servida uma feijoada vegana no Albergue Municipal e para pessoas em situação de rua pela cidade. “O contato é emocionante. No último evento muitos de nós choramos ouvindo as histórias que um morador de rua nos contou. Essa vivência é muito boa para os dois lados”.
Uma das pessoas presente nessa atividade foi a jovem Maria Dora, de 14 anosque, pela primeira vez, participou de uma ação voluntária do Coletivo RUAS. Segundo ela, o voluntariado era algo que já estava em sua mente, e a oportunidade não poderia ser melhor. “Distribuir feijoada vegana aos moradores de rua foi simplesmente maravilhoso.Quando encontramos o primeiro grupo e começamos a conversar com eles, o choque foi imediato. Eu ainda estou chocada, para falar a verdade. Eles são tão queridos e a situação das ruas é tão precária. Junto com o choque, veio a emoção. Eu entendi tudo o que eles diziam, senti o que sentiam e foi muito bom. Eu não vou esquecer nunca isso e mal posso esperar pelas próximas ações do grupo, para que eu possa participar”, relatou.
Apesar da pouca idade, a menina ainda dá um banho de consciência, amor ao próximo e fé no ser humano. “A desigualdade escancarada me deixou surpresa e assustada, mas eu sei que as coisas vão mudar. Acredito em uma civilização de amor, onde as pessoas se respeitam, e sei também que a mudança do mundo começa em nós mesmos. Tenho muita admiração pelo trabalho do Coletivo RUAS e pela força e coragem dos moradores de rua”, expressa.
O RUAS é uma das organizações que está sempre em busca de mais pessoas que queiram se voluntariar e participar das atividades. De acordo com Mallu o contato pode ser feito através da própria página do Facebook do grupo (www.facebook.com.br/coletivoruas) ou ainda pelo e-mail [email protected]. Além disso, mai informações sobre o grupo estão disponíveis no Facebook. Àqueles que tiverem interesse, a experiência inesquecível e o aprendizado estão garantidos.
Outras formas de ser Voluntário
Mas existem voluntários com todos os tipos de jeitos, habilidades e vontades. Alguns já sabem o que querem e por isso, estabelecido o primeiro contato com a entidade, eles arregaçam as mangas e partem para o trabalho. Porém existem também aqueles que nunca participaram de uma atividade voluntária, ou que querem prestar algum serviço, mas não sabem qual, não sabem por onde começar ou qual entidade procurar. É juntamente para essas pessoas que servem as instituições voltadas para a gestão de pessoas em busca do voluntariado. Caso da Parceiros Voluntários.
Fundada em 2001 em Porto Alegre, a Parceiros é uma Organização Não Governamental (ONG) que em Santa Cruz do Sul existe desde 2012, mantida pela Associação Entidades Empresariais de Santa Cruz (Assemp), onde está instalada sua sede. Ela trabalha, atualmente, com 18 instituições para as quais manda voluntários.
Como funciona?
A Parceiros oferece diversos programas. A pessoa interessada os procura e em seguida participa de uma entrevista ou reunião onde são apresentadas informações sobre o trabalho voluntário, as instituições vinculadas, as atividades disponíveis em cada uma delas, etc. Nesse momento a pessoa interessada no voluntariado também é ouvida. “A gente sempre quer saber quais são as preferências das pessoas, o público com o qual ela prefere lidar, o tempo que ela tem disponível, as habilidades dela, entre outras coisas. E então a gente faz sugestões de entidades que se enquadrem mais no perfil dela”, explica Alice Kwiatkowski, coordenadora da Parceiros Voluntários em Santa Cruz.
A partir de então, basta que a pessoa escolha uma área de atuação, uma instituição. “Alguns gostam de trabalhar com idosos, outros gostam de trabalhar com crianças;para outros o público é indiferente, mas eles querem exercer uma atividade específica; alguns tem mais tempo, outros só podem em um dia da semana por apenas uma hora, etc. tudo vai de acordo com a pessoa e juntos nós vamos encontrar um dia, um horário e um local, de acordo com o que ela quer e com a disponibilidade. Então fazemos o encaminhamento”.
Uma das coisas que a ONG procura sempre deixar claro é a importância desse trabalho. “Eu diria até que ele tem mais responsabilidade que o trabalho dito comum. Porque quando se é voluntário, você lida, quase sempre, com um público vulnerável, com pessoas que estão realmente precisando do seu trabalho por algum motivo. E você cria um vínculo com essas pessoas, mais do que cria em uma relação profissional, porque no voluntariado há uma doação mútua”, esclarece Alice.














