
Nelson Treglia
“Eu imagino 3 a 1 para nós”, disse o técnico do Cruzeiro, Mano Menezes, antes do confronto desta quarta-feira, 23 de agosto, contra o Grêmio, no Mineirão. “Vamos para jogar”, foi uma das frases do técnico do Grêmio, Renato Portaluppi, previamente ao jogo. No fim das contas, a resolução: o Cruzeiro venceu no tempo normal (1 a 0, gol de Hudson) e também nos pênaltis (3 a 2), e fará a final da Copa do Brasil contra o Flamengo, que derrotou o Botafogo (1 a 0, gol de Diego).
Os ideais de Mano e Renato para esta partida colocavam em campos contrários, mais uma vez, duas posições historicamente antagônicas no futebol: o “resultadismo”, a lógica “resultadista”, o futebol de resultado por um lado; e por outro lado, a técnica em sentido primordial, o toque de bola, o futebol bem jogado.
O Grêmio, neste jogo, representava o processo coletivo de longa duração (o Grêmio tem mantido este estilo de jogo desde que era treinado por Roger), e a necessidade do Cruzeiro era fazer o possível, dentro de suas limitações técnicas: tentar “simplesmente” reverter um resultado que havia sido desfavorável na Arena (simplista na intenção, mas nada simples de resolver na prática). No primeiro jogo, em Porto Alegre, o Grêmio havia vencido por 1 a 0 e, no Mineirão, detinha a vantagem.
Antes deste segundo jogo, Renato poderia ter optado pela alternativa “resultadista”: colocar Maicon no meio-campo, um jogador de maior caráter defensivo. Mas Renato confiou no processo coletivo que vinha sendo desempenhado até aqui: manteve Arthur, jogador de técnica apuradíssima, excepcional na execução dos passes, rápido e inteligente nesta execução.
Mano, dentro de sua lógica “resultadista”, precisou pensar no resultado e, portanto, pensar também no time que colocaria em campo (pois as coisas não se resolvem só no placar). O Cruzeiro de Mano demonstrou bons atributos, com uma marcação forte, intensidade, ocupação de espaços e sacrifício dos seus jogadores.
O que se viu, como resultado prático do jogo, na ‘praxis’ do jogo (e não o resultado do placar), foi uma partida paradoxal: o Cruzeiro, dono da casa, jogava com a força do futebol gaúcho; e o Grêmio, visitante, buscava “o jogo jogado”, plasmado em um toque de bola tradicional do futebol mineiro.
No final, o Cruzeiro venceu no tempo normal e nos pênaltis. Mano errou sua previsão, mas, a esta altura, não está nada preocupado com isso.














