Início Especiais Inovação elimina necessidade de formação da manoca

Inovação elimina necessidade de formação da manoca

Everson Boeck
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O produtor de fumo do interior de General Câmara não pensou duas vezes quando o orientador da PMB, Joares Werner, trouxe a novidade quanto ao enfardamento do tabaco. A novidade lançada na safra do ano passado 2012/2013, chamada em inglês de “no bundling”, é a confecção de fardos sem a necessidade de manocar as folhas de tabaco.
Segundo o diretor de tabaco da Philip Morris Brasil, Gerson Assmann, as dúvidas iniciais dos produtores, relacionadas principalmente ao tempo necessário para a despenca e separação das folhas do tabaco e a classificação no momento da venda do produto foram esclarecidas à medida que a comercialização avançou. “Hoje, esses produtores veem o ‘no bundling’ como uma grande oportunidade de redução de mão de obra, sem qualquer prejuízo para a classificação e comercialização do tabaco. Para a próxima safra, a expectativa é de que todos os produtores ligados à empresa com tabaco Burley adotem o novo sistema”, afirma.
Opcional para o produtor integrado à PMB, o “no bundling” exige a adequação de algumas práticas, como a necessidade de prensar menos o tabaco no enfardamento – o que gera menor peso médio dos fardos –, de manter o alinhamento das folhas na hora de despencar o produto e de maior vigilância com o excesso de umidade.

A técnica e seus benefícios

O novo método não traz mudanças nas demais etapas da classificação e comercialização do tabaco, favorecendo o fluxo de transporte dos insumos e propiciando maior oportunidade de planejamento, resultante do tempo ganho entre o término da safra em curso e o início de uma nova.
Segundo o produtor, a novidade implantada em sua propriedade reduziu custos com mão de obra e de tempo. “Como não precisa mais manocar (atar as folhas) agora levamos a metade do tempo para preparar o fumo. O que antes levávamos de 50 a 60 horas para manocar uma tonelada, agora fazemos em 24 horas. Além disso, o consumo de lenha também diminuiu em 50%, uma economia muito grande. Esse conjunto de melhorias resulta numa qualidade melhor do produto que está sendo vendido”, observa o produtor ao mencionar o “no bundling” e a sua nova estufa de grampo.

Permanência no campo

A preocupação com a saída dos jovens do meio rural é uma preocupação nacional. A falta de uma estrutura de saúde, educação e cultura voltadas aos jovens e à realidade no campo são alguns dos fatores que levam a esta evasão. João também se preocupa com este fato. Seus dois filhos não quiseram continuar no trabalho da lavoura. “Temos um casal de filhos. Ambos não quiseram continuar no campo e se mudaram para outro município em busca de uma vida profissional melhor. Assim como nós, em muitas famílias acontece o mesmo. Infelizmente a tendência é que esta triste realidade esteja cada vez mais presente no meio rural”, analisa. “Além de não ter jovens aprendendo o que nós sabemos para continuar nosso trabalho, a maioria dos produtores hoje tem minha idade, mais de 50 anos, então não sei o que vai ser”, lamenta o produtor.

Rolf Steinhaus

João: “Novidade reduziu custos com mão de obra e tempo”