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Lau: uma vida dedicada à eletrônica

Suilan Conrado
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Verão de 1931. Nasce pelas mãos de uma parteira, em Santa Cruz do Sul, Decio Lau. De origem alemã, dinamarquesa e portuguesa, o menino se interessa cedo pela eletrônica.
Aos 18 anos, já tem seu primeiro emprego. Na oficina de rádios onde trabalhava Heinz Gressler, que se torna um grande amigo, Lau se apaixona de vez pela arte da eletrônica.
Em janeiro de 1952, ele ruma para a capital gaúcha. Após adquirir experiência nas empresas Arno Decker e General Eletric, e principalmente, depois de casar com a mãe de seus filhos em Porto Alegre, Lau decide que é hora de abrir sua própria eletrônica, e no fim do ano de 1955, retorna de mala, cuia e mulher, para sua cidade natal.
Em terras santa-cruzenses, seu primeiro endereço foi na Rua Tenente Coronel Brito, onde permaneceu por 8 anos. Depois foi a vez da Rua 28 de Setembro abrigar sua eletrônica, que ficou ali por mais de 25 anos.
Atualmente a Eletrônica Lau esta há 23 anos na Rua Venâncio Aires, sendo uma das mais antigas e tradicionais do interior do Estado.

Especialista em antiguidade

A entrada é discreta. Não há grandes letreiros indicando o estabelecimento ou publicidades pomposas. A Eletrônica Lau é um cantinho localizado em uma área nobre, central e ao mesmo tempo tranquila da cidade. Um pequeno museu que abriga televisões e acima de tudo, rádios antigos.
Seu proprietário, de cabelos cor de açúcar, não esconde a idade nem a doçura no sorriso: 82 anos de vida dos quais, quase 60 deles, dedicados ao conserto de aparelhos eletrônicos.
Na ativa todo este tempo, Lau revela que o segredo para conservar a boa saúde é não se estressar e manter o bom humor. Pai de três filhos e avô de seis netos, ele afirma que não faz uso de nenhum medicamento e que todas as manhãs, realiza uma caminhada.
Mais do que cuidar da saúde do corpo, Lau preocupa-se com a saúde da alma. Guardado junto aos rádios e outras parafernálias, ele mantém uma estante repleta de livros, que contam histórias em várias línguas, todas dominadas pelo “velho” Lau. Ele reitera que aprendeu o alemão em casa, mas que o inglês, o espanhol e o francês, ele assimilou de ouvir no rádio e estudar nos livros.
Sobre a fiel freguesia, Lau conta que recebe visitas das mais variadas cidades gaúchas e também de Santa Catarina. Todos buscam o que só a Eletrônica Lau ainda pode oferecer.
Além do conserto, os amantes do som encontram verdadeiras preciosidades à venda. São rádios vindos de diversos países, das mais variadas épocas, e que custam de R$ 200 a R$ 2 mil.
O que só não tem preço são o talento e devoção do dono, que ainda segue trabalhando, para a alegria da exigente freguesia, que se preocupa em manter viva uma época longínqua, de  quando o rádio era um dos únicos meios eletrônicos disponíveis.

Fotos: Rolf Steinhaus

Decio Lau: o segredo da boa saúde é manter o bom humor

Fregueses de todo o Estado vêm à Eletrônica Lau para consertar ou adquirir rádios antigos