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Lojistas votam contra horário diferenciado

Rosibel Fagundes
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A adesão ou não à abertura do comércio de Santa Cruz do Sul aos domingos e feriados deve ser definida apenas em novembro, quando acontece a data-base. Até lá, o funcionamento das lojas deve ocorrer normalmente. A decisão por unanimidade de não abrir em horários diferenciados ocorreu durante uma votação realizada na última quarta-feira, 6, pelo Sindicato do Comércio Varejista do Vale do Rio Pardo (Sindilojas). Também ficou acertado entre os lojistas, que em um primeiro momento a negociação da abertura em horários diferenciados será feita de forma individual, ou seja, apenas entre a Havan e o Sindicato dos Comerciários. 
Nos próximos dias, o presidente do Sindilojas Mauro Spode, deve se reunir com representantes do Sindicato dos Comerciários para iniciar as negociações. Para Spode, a atitude dos empresários foi sensata. “Eles estão certos. A abertura do comércio aos domingos e feriados é algo novo para Santa Cruz. E neste período de fevereiro até novembro, (quando a Havan já estiver em funcionamento), será um momento em que os lojistas vão ter visibilidade maior de como vão se comportar e absorver estas informações. Acredito que em novembro, será propício para discutir o assunto novamente, também vamos aproveitar o momento para negociar outras reivindicações dos lojistas que já vem de mais tempo”. 
Na Assembleia, também foi questionado o fato do comércio estar fechado durante a programação da Oktoberfest. No entanto, Spode adiantou que embora houvesse o interesse por parte de alguns empresários, falta ainda uma negociação por parte do Sindicato dos Comerciários. “Há vários anos alguns lojistas têm nos procurado para pedir a abertura das lojas no dia 12 de outubro, no dia da crianças que coincide com o período da Oktoberfest. No entanto, o sindicato sempre foi muito categórico de não permitir a abertura  nos feriados. Vamos tentar negociar. Esperamos que agora, isso mude. A  vinda da Havan vai ser um divisor de águas para o varejo de Santa Cruz do Sul. A gente vai conseguir algum resultado positivo em cima disso”, afirmou o presidente do Sindilojas. 
Sobre o resultado da decisão da assembleia do Sindilojas, pela não abertura do comércio em domingos e feriados, o presidente do Sindicato dos Comerciários Afonso Schwengber avalia como positiva. “Não foi nenhuma surpresa para mim. Agora ficou claro que os empresários entenderam que eles não podem acompanhar a política de grandes empresas. Acho que o Sindilojas agiu corretamente ao convocar os lojistas para votarem. Lembro que em 1990, quando foi aprovada a lei de livre horário, grandes empresas se instalaram aqui. E estas empresas, a maioria de redes sonegavam as leis. Enquanto que as empresas tradicionais, por não conseguirem lhe acompanhar acabaram fechando as portas. Não podemos deixar isso acontecer novamente”. Sobre possibilidade de negociação individual com a Havan, Schwengber esclarece “não existe um acordo individual. Eu não estou autorizado a negociar individualmente por empresa. Não tenho nada contra a vinda da Havan, muito pelo contrário, sou a favor da geração de empregos desde que a empresa respeite nosso acordo já existente. E agora diante da posição do Sindilojas e do Sindicato dos Comerciários de não abrirem em outros horários, vamos rever esta possibilidade em novembro quando ocorre a data-base”. 
Na semana passada, o prefeito de Santa Cruz sinalizou que pretende entrar na Justiça para garantir a instalação de uma unidade da Havan no município. Em nota divulgada, Telmo Kirst afirmou que pediu à Procuradoria Geral do Município que estude alternativas para responsabilizar judicialmente por eventuais prejuízos.  Sobre esta decisão, o sindicalista afirmou que o prefeito deve estar ao lado de empresários do município. “É preciso respeitar os santa-cruzenses  e não querer mudar as leis. Nosso comércio está crescendo com as condições  que temos.  Quando há demanda, como em datas especiais e finais de ano, temos trabalhado”, finalizou o presidente do Sindicato dos Comerciários, Afonso Schwengber.

O que pensam:

Mara Caramelo – empresária
“Sou totalmente a favor da vinda da Havan. Eu venho de cidade grande, estou aqui em Santa Cruz há 31 anos e acho que a Havan vai trazer bastante benefícios principalmente para o centro da cidade. Tem o sorveteiro, tem o dono do restaurante que vão lucrar com isso. Quanto aos abrir aos domingos,  eu não abria minha loja, mas não sou contra os outros abrirem.  Não entendo por que o receio quanto a instalação da Havan aqui. Quando as grandes redes se instalam no município a Paludo, a Renner e a Marisa acharam que os lojistas aqui fechariam suas portas. A cidade se encheu de óticas, mas as óticas que já existiam continuam vendendo . Por que tem muita  gente que precisa de óculos. Então não vejo o que pode nos preocupar a vinda da Havan”.

Tânia Majeswsky  – representante da Ecoville
“Sou favorável à vinda da Havan. Eu viajo bastante, e vou muito à loja da Havan em Santa Catarina. Eu vejo que eles possuem um atendimento diferenciado. Enquanto nós estamos nos preocupando em abrir sábados ou domingos, devemos nos preocupar em prestar um bom atendimento. Temos que nos dedicar mais nos dias que estamos com as lojas abertas e ter bons funcionários para atender. A Havan investe em cursos e capacitação aos funcionários. Podemos concorrer igual  não abrindo sábados e domingos, mas devemos investir melhorando nosso atendimento. O vendedor é a porta de entrada de uma empresa”. 

Romeu Schneider, presidente da Câmara Setorial do Tabaco 
“A negociação sobre a abertura do comércio aos domingos e feriados pode ocorrer tranquilamente em novembro. Até lá, vamos avaliar como vai ocorrer a demanda e depois negociamos. O cliente da Havan é o que circula no asfalto,  e o movimento maior deles  acontece aos domingos e feriados. A instalação da loja  aqui em Santa Cruz é algo positivo, pois atrai mais pessoas para o lado de cá.  Temos que pensar em uma negociação para abertura em datas especiais como no período da Oktoberfest, onde muitas pessoas de fora  estão na cidade e as lojas estão fechadas”. 

Roni Roberto Schuh, presidente da Associação Comercial Materiais de Construção do Vale Rio Pardo (Acomac)
“Nós como santa-cruzenses devemos apoiar a  vinda de uma empresa grande como a Havan que vai modificar o sistema de comércio da nossa região. Acredito que vá atrair muitas pessoas de outros municípios, e vai principalmente  movimentar os restaurantes e bares. Então eu vejo com bons olhos a vinda desta unidade pra cá. E com isso, o comércio de Santa Cruz também vai se adaptar ao novo momento em que estamos vivendo e se reinventar . Um exemplo disso, foi o que aconteceu com a vinda do Hipermercado Big, onde muitos mercados acharam que iriam quebrar e pelo contrário, os mercados se fortaleceram. Embora sejamos a favor da instalação da Havan,  nós da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Vale do Rio Pardo (Acomac), somos contrários a abertura de nossas lojas aos domingos e feriados. Não temos interesse em horários diferenciados, já trabalhamos todos os sábados até o meio dia”.