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Mãe que também é pai

Sara Rohde
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Dizem que o sentimento de mãe é o mais verdadeiro, pois mães querem o bem dos filhos, independente do que aconteça. E neste Dias das Mães nada mais justo que homenagear as mães que são pais também. Mãe solteira soa estranho? Não, nem um pouco, ainda mais que essa mãe luta todos os dias para dar a melhor educação que um filho pode ter, seja ensinando o amor ou desconstruindo padrões. Sim, a homenagem de hoje vai para a mãe Lisyanne de Souza, que além de criar o filho, trabalha, estuda e ainda é artista, mc de um monte de rima.
Riovale Jornal: Como é ser mãe solteira? Eu prefiro utilizar o termo mãe solo do que mãe solteira pois o fato de ser mãe não define o seu estado civil. 
A situação de ser mãe solo traz uma carga muito grande para a mulher. Desde a responsabilidade sobre todos os aspectos relativos à criança até a limitação da mulher enquanto pessoa, no que se refere às suas vontades como ser e, também, as suas vivências na sociedade.  
Riovale Jornal: Como tu faz para trabalhar, cantar, estudar e ter tempo para o filho?
A minha rotina é muito sobrecarregada. Com todas estas funções o que acontece é que não há possibilidade de se fazer tudo com total dedicação. Além de trabalhar para sustentar a mim a ao filho, há também toda a rotina de casa para dar conta. Fazer uma faculdade para ter uma profissão vem de encontro com a construção social que temos da esperança em obter um emprego melhor e salário digno. A minha verdadeira essência de vida é fazer música, ser artista independente. Mas a gente sabe muito bem que no Brasil a cultura popular não é valorizada. Desse modo, não há como fazer com que a minha arte seja rentável e consumida pela grande massa sem que ela perca a sua raiz de resistência. Eu faço porque amo então nada mais justo do que juntar os meus amores: o meu filho e a minha arte me acompanham sempre! 
Riovale Jornal: Como divide as tarefas e não deixa faltar amor?
Na minha casa a lei é o amor! A partir dessa premissa tudo flui naturalmente. O respeito, a união, a colaboração, o diálogo e a amizade são os pilares para a convivência e aprendizados, onde a divisão das tarefas é estimulada e organizada para que assim o meu filho cresça e se desenvolva entendendo que é um ser totalmente capaz de fazer por ele e pelo coletivo.
Riovale Jornal: Quais são os maiores desafios de ser uma mãe solteira?
Ser mãe solo é desafiador em todos os aspectos. A nossa sociedade ainda, em muito, cobra e despeja somente nas mulheres as responsabilidades da criação e educação dos filhos. Penso que a educação de forma igualitária, sem preconceitos e rótulos, seja fundamental para que haja, cada vez mais, a desconstrução destas opressões machistas sobre as mulheres. Para tanto é necessário que a família, a escola e todas as estruturas da sociedade, desde as iniciativas privadas, do poder público e da população em geral, estimulem e sejam atuantes neste processo de transformação.
Riovale Jornal: Na tua visão, como o filho vê a separação dos pais?
Hoje com 13 anos meu filho tem melhor discernimento do que aconteceu e do porquê. Quando aconteceu ele tinha apenas 2 anos. Cresceu em meio a situação. Não posso dizer que foi bom para ele vivenciar esse processo, porém tenho a certeza de que um ambiente onde havia brigas constantes seria muito pior para o seu desenvolvimento. Vejo que hoje ele compreende muito bem esse fato e afirmo que tenho muito orgulho da pessoa que está se tornando.
Riovale Jornal: Conta um pouco da vivência de mãe e filho e da relação de vocês.
A nossa vivência é de cumplicidade. Somos amigos antes mesmo de ser mãe e filho e essa é a nossa fortaleza. A nossa relação é construída pelo diálogo e apoio mútuo, além de muito amor e união sempre! O “Te amo” todos dias é a nossa oração.