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Maior usina fotovoltaica hospitalar é daqui

LUANA CIECELSKI
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Completando 62 anos de existência, o Hospital Ana Nery (HAN) de Santa Cruz do Sul, anunciou na tarde da última quarta-feira, 25 de outubro, um grande investimento na área de sustentabilidade. Serão instaladas no prédio placas fotovoltaicas de geração de energia elétrica a partir da radiação solar, e essa será a maior usina de energia solar em hospital do Brasil. O empreendimento será feito em parceria com o Solled Energia, empresa local que ficará responsável pela instalação do projeto, e com o Sicredi Vale do Rio Pardo que financiará o investimento de R$ 1,2 milhão. 

De acordo a sócia-proprietária da Solled, Mara Schwengber, o projeto foi construído nos últimos meses e a implantação das placas deve iniciar nas próximas semanas de forma a estar concluída até o dia 31 de dezembro desse ano. No total, serão instalados 1.149 módulos de 330 Wp, que juntos terão a capacidade de produção de 372,45 kWp. Tudo corresponderá a uma estrutura de 2,3 mil metros quadrados nos telhados do hospital. Para definir os melhores pontos de instalação, a Solled fez um estudo de adequação dos telhados, por meio de um software, que avaliou os pontos onde a radiação solar foi mais forte nos últimos anos. 

Investimento de R$ 1,2 milhão foi anunciado nessa semana e resultará em uma economia mínima de 25% para a instituição de saúde

Com isso, a administração do Hospital Ana Nery espera ter uma economia de, pelo menos, 25% nas contas de energia elétrica a partir do mês de janeiro. Atualmente, a média dos gastos com energia giram em torno dos R$ 100 mil reais mensais, porém, como aponta o Diretor Executivo do HAN, Gilberto Gobbi, no verão esse valor chega à casa dos R$ 140 mil. “Nos meses mais quentes eu preciso estar com os ares condicionados do bloco cirúrgico ligados durante 24 horas por dia, 7 dias por semana, porque não sei quando vou receber uma cirurgia de emergência. O bloco precisa estar sempre com a temperatura ideal para um procedimento”, explica. O cálculo dos 25% de economia, porém, foi feito de forma ponderada e para baixo. Dessa forma, espera-se que na realidade a economia seja ainda maior. “Temos que considerar também que a própria instalação das placas diminuirá o calor interno, de corredores e quartos, por exemplo. Isso também pode ajudar a diminuir o consumo”, apontou Gobbi. 

Durante a apresentação do investimento, Gobbi apontou ainda que a busca pela conservação do meio ambiente sempre foi tida como uma missão do hospital. “O próprio entorno do Ana Nery diz muito, temos muitas árvores e gostamos de preservá-las”. Ele também falou sobre outras medidas que a instituição de saúde já adota há alguns anos. “Não utilizamos o mercúrio em nada do que fazemos há muitos anos. Todos os nossos termômetros, por exemplo, são digitais. Além disso, temos um plano de gerenciamento de resíduos sólidos e líquidos, temos cuidado com descarte de resíduos recicláveis como isopor e papelões, encaminhamos todo o óleo utilizado para a Afubra que o transforma em biocombustível e agora, teremos utilizaremos cada vez menos a energia elétrica mais energia limpa”, declarou. 

Já a representante da Solled, apontou que com essa instalação Santa Cruz do Sul se tornará uma referência no que se refere a utilização de energia solar. “Santa Cruz do Sul já é a cidade do interior do Estado com o maior número de microusinas fotovoltaicas instaladas, com esse empreendimento, será uma referência nacional”, comentou. 

FINANCIAMENTO

Toda a realização desse projeto, porém, só está sendo possível graças a um financiamento fechado com a Cooperativa de Crédito Sicredi Vale do Rio Pardo. 100% do valor do investimento, ou seja, R$ 1,2 milhão foram financiados com a instituição. Gobbi apontou que essa foi a melhor solução encontrada porque pode negociar as formas de pagamento de forma a conciliar com outros financiamentos que o hospital tem atualmente. Essa política de financiamento de equipamentos ecoeficientes, porém, já vem sendo adota a algum tempo pelo Sicredi. 

Conforme apontou o presidente da instituição financeira, Heito Álvaro Petry, estão está sendo disponibilizada uma linha de financiamento acessível, com prazo de até 120 meses, onde o associado tem uma parcela mensal muito próxima da atual conta de luz. “E o empreendimento logo se paga”, apontou Petry. “Faz-se uma troca. O valor que se pagava para a concessionária de energia, é o valor que se pagará durante um período para o financiamento”, explica. 

Até o mês de setembro de 2017, a cooperativa já disponibilizou 38 operações nesta modalidade. Isso corresponde a um volume de R$ ,25 milhões financiados.