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Manifestantes voltam a protestar

Jéssica Ferreira
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Cerca de 500 pessoas estiveram na tarde deste domingo na Praça Getúlio Vargas em Santa Cruz do Sul para participarem da manifestação contra o atual governo federal. Brasileiros insatisfeitos, com rosto pintado, cobertos com as cores da bandeira nacional, soprando apitos e levantando cartazes mostraram juntamente com outros milhares de brasileiros em todo o país a revolta contra a corrupção e impunidade que vem ocorrendo no Brasil.
Gritos de frases como “Fora PT”, “Fora Dilma” se ouviam de longe. Por volta das 15h30min os santa-cruzenses começaram a se aglomerar no local. A organização foi realizada pelo Movimento João da Silva e circulou pela internet via evento no Facebook. Logo no início os manifestantes cantaram unidos o Hino Nacional e após realizaram um minuto de silêncio referindo-se à “morte da boa gestão pública”. 
Durante o encontro na praça, alguns manifestantes se pronunciaram usando o microfone disponibilizado pelo João da Silva, onde todos questionaram o sistema eleitoral, a forma com que a gestão petista tem lidado com o país, e sobre as pessoas que se manifestam apenas pelo Facebook. “Quem quer mudanças mostra a cara”, diziam. Segundo Jorge Alfredo Buuron, empresário e integrante do Movimento João da Silva, o momento deste domingo serviu não somente para protestar, mas fazer com que cada brasileiro pense e reflita sobre a situação do país. “Só irão ocorrer mudanças com pressão popular, ou seja, com o povo se envolvendo com a política”, declarou. A data da manifestação foi escolhida em razão da grande mobilização nacional contra o atual governo, entretanto, Buuron destacou que o grupo não é vinculado a nenhum partido ou organização como o “Vem Pra Rua”, por exemplo. “Nossa intenção está em trazer para debate, além da corrupção em nível nacional, questões locais que precisam ser vistas”, disse. 
O servidor público Eduardo Maciel, juntamente com sua esposa, Fernanda de Garcia Maciel, também estiveram presentes no ato contra a corrupção. “O partido está há mais de 12 anos tentando vender uma imagem de anestesia, desconectando a realidade da falta de responsabilidade. Vários líderes do partido foram já condenados ao longo destes anos, e ao invés de alguma mudança, tem piorado cada vez mais. Por isso, está na hora de mudar, na hora do PT cair fora”, acrescentou Eduardo.  Além dele, a dona de casa Neide Janke, de 57 anos, deixou o descanso de domingo para ir à rua protestar contra a impunidade. “Vejo isto tudo como um marco muito importante e quero deixar isso para minha família – que participei de um ato contra a corrupção, e assim, levando esperança para os próximos anos e mostrando que podemos sim lutar contra esses crimes”, alegou.
Após os pronunciamentos dos protestantes, Buuron convidou todos os participantes a comparecerem nesta segunda-feira, 17, a comparecerem na sessão da Câmara dos Vereadores, com o objetivo de reivindicarem a diminuição dos salários parlamentares em 70% e estabelecer a possibilidade de que cada vereador tenha apenas um assessor. Atualmente no Legislativo, são dois assessores para cada vereador, sendo que em 2011, foi rejeitado pela Câmara o projeto de lei que reduzia o número pela metade. Em 2013 ocorreu um aumento na quantia de parlamentares, de 11 para 17, que consequentemente aumentou o quadro de assessores de 22 para 34. Considerando-se que o salário deles gira em torno de R$ 5,2 mil, resultando 176,6 mil por mês que a Câmara gasta para pagar estes assessores. 
Para finalizarem a manifestação, os protestantes por fim realizaram uma caminhada no ponto de encontro (Praça Getúlio Vargas) seguindo pela Rua Marechal Floriano Peixoto em direção à Praça da Bandeira. Durante toda a movimentação, a Brigada Militar fez a segurança.

Jéssica Ferreira

Por volta das 15h30min os manifestantes começaram a se reunir na Praça Getúlio Vargas

Jéssica Ferreira

Eduardo Maciel e Fernanda de Garcia Maciel estiveram presentes na manifestação anti-Dilma e anti-PT

Jéssica Ferreira

Jorge Alfredo Buuron: “O povo deve se envolver com política”

879 mil manifestantes tomam as ruas do país

Empenhados em afastar a presidente Dilma Rousseff (PT) e seu partido do poder, milhares de brasileiros tomaram as ruas de todo o país neste último domingo, 16 de agosto, em um protesto de dimensões ainda desconhecidas. De acordo com a Polícia Militar, a estimativa de manifestantes nos 25 estados e o Distrito Federal foi de 879 mil, número este superior à manifestação realizada em 12 de abril que reuniu cerca de 701 mil, entretanto, inferior à manifestação realizada em 15 de março, onde atingiu cerca de 2,4 milhões.
Os atos contra o governo Dilma pediram pela renúncia ou o impeachment da presidente, além de cobranças pelo fim da corrupção. Além da presidente, o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, foi fortemente criticado pelos manifestantes. Porém, o Instituto Lula divulgou em nota na noite deste mesmo domingo de protestos, que o ex-presidente jamais cometeu ilegalidades antes, durante ou depois de seus dois mandatos. Além disso, outras manifestações isoladas defendiam a intervenção militar no Brasil, atitude esta ilegal e frontalmente contrária à Constituição; em seu artigo 5º, onde diz que “constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis, ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”.
Em Porto Alegre, capital gaúcha, as manifestações deste domingo reuniram segundo a Brigada Militar, cerca de 30 mil pessoas. Porém, para os organizadores, a estimativa atingiu cerca de 60 mil desde o início da tarde até o final da manifestação. Prevista inicialmente para ir do Parcão, no bairro Moinhos de Vento, até a Redenção, a passeata foi até a Avenida Erico Veríssimo, passando pelas avenidas Goethe, Mariante e Ipiranga, retornando ao Parcão pelo mesmo trajeto.