LUANA CIECELSKI
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O secretário estadual da Cultura, Victor Hugo Alves da Silva, chegou a Santa Cruz na noite de terça-feira, 13 de outubro, acompanhou o desfile temático da Oktoberfest, participou do jantar oferecido pelo SindiTabaco à imprensa dentro do Parque da Oktoberfest e durante todo o dia e ontem, 14 de outubro, cumpriu agenda pelo município. Na manhã de ontem, concedeu entrevista ao Riovale Jornal.
Lembrando do tempo em que participou de festivais de música em Santa Cruz do Sul, Victor Hugo se disse muito à vontade na cidade e surpreso com a alegria do povo santa-cruzense e de sua participação na Festa da Alegria. Sobre essa mesma festa, ele falou cheio de elogios, destacando seu papel junto à cultura e economia. O secretário destacou também a necessidade de incentivo cultural para que festas como a que acontece em Santa Cruz se repitam sempre. Ele afirmou que esse deverá ser o foco do seu trabalho durante esse ano e os próximos três.

“Não pretendo criar novos mecanismos de incentivo à cultura, porque entendo que a hora não é para isso, e sim para uma revisão dos mecanismos já existentes”, afirma. Dessa forma, o secretário diz que pretende entrar no segundo ano de trabalho, já com um novo regramento ativo. “Nós temos um sistema que é importante, mas que ainda permite concentração de valores em determinados projetos culturais”, criticou. “Se eu tenho um orçamento de R$ 35 milhões para todo o estado, como vou destinar R$ 9 milhões para um único evento como já aconteceu esse ano?”, questionou. Isso deverá mudar. E para isso, o secretário pretende criar limitadores. “Quero fatiar o bolo”, diz, e assim destinar verba para mais regiões e não quase toda ela para a capital estadual, Porto Alegre, como acontece atualmente.
No entanto, para que essa verba chegue a mais municípios, cada Prefeitura precisa saber elaborar os projetos que permitam à cidade disputar os recursos, e esse é outra deficiência que o secretário percebe hoje no estado. “Isso também reproduz a lógica de concentração da renda”, disse. “Por isso eu dei início ao projeto ‘Juntos pela Cultura’, onde foram oferecidas oficinas que ensinaram as pessoas a fazer projetos. Quando se fala em gestão cultural, fala-se também de capacitação”.
Outra ideia do secretário é investir em uma incubadora cultural. Vitor Hugo explica que ela deve iniciar as atividades em 2016, junto a Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Esse local vai auxiliar as pessoas que queiram montar um negócio cultural, mas não sabem como começar, ou qual o melhor investimento de acordo com suas condições financeiras e necessidades de seu município.
Sociedade União, Ponto de Cultura
Outro destaque da agenda do secretário foi a visita à sede da Sociedade Cultural e Beneficente União, local conhecido pela preservação da cultura negra. De acordo com Vitor Hugo, a secretaria pretende incluir o espaço no programa Redes Ponto de Cultura, pelo papel que a organização tem na preservação da identidade cultural de um povo.
O projeto é uma parceria entre a Secretaria Estadual da Cultura com o Ministério da Cultura que já tem 74 locais conveniados em todo o Rio Grande do Sul. A meta, no entanto, de acordo com Vitor Hugo é chegar em 105 pontos ainda em 2015. Cada um desses locais recebe anualmente R$ 180 mil reais.
O objetivo desse programa, de acordo com o diretor de Cidadania e Diversidade Cultural do Estado, Leoveral Goelzer Soares, é incentivar a cultura comunitária. “É organizado um plano de trabalho de 36 meses, período no qual é incentivado o fortalecimento de um laço entre a comunidade e as raízes da produção cultural feita por aquele grupo de pessoas. Ele basicamente fortalece a diversidade cultural”, explica Soares.
Em outras regiões do estado, o programa já auxilia quilombos, grupos indígenas, grupos de mulheres, entre outros.














