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Muay Thai: O campeão está de volta

Diego Dettenborn – [email protected]
 
 
A quebra na rotina e a saudade da família e dos amigos não foram o bastante para o santa-cruzense Maurício Big Castilho, 29 anos, desistir do seu maior sonho: lutar e conviver entre os maiores nomes do Muay Thai mundial. O atleta e professor de Muay Thai é hoje em dia um dos nomes mais fortes do esporte nacional. Bicampeão brasileiro e vice-campeão mundial, Big Castilho passou três meses na Tailândia. De lá ele trouxe, além de medalhas, aprendizado e uma bagagem profissional de dar inveja a qualquer atleta.
Sem planejamento, mas com muito pé no chão. Foi assim que Big Castilho deu início à trajetória que o levaria à Tailândia. A princípio seriam apenas duas semanas de competição, no entanto a paixão pelo esporte o fez permanecer três meses na Tailândia, berço do Muay Thai mundial. O santa-cruzense embarcou ainda no dia 10 de março, rumo a Bangkok, local onde seria realizado então o Campeonato Mundial de Muay Thai, que se estenderia até o dia 22 daquele mês.  O retorno ocorreu no último dia 5. Cerca de 60 dias após o esperado. 
Defendendo as cores da seleção brasileira de Muay Thai no evento organizado pela maior entidade de muay thai do mundo, a World Muay Thai Federation (WMF), Big Castilho atingiu duas grandes marcas com importantes conquistas para o país. O santa-cruzense tornou-se vice-campeão mundial na categoria acima de 91 kg (lutam atletas com peso livre) – semi profissional e também garantiu o terceiro lugar na classe amadores. 

Diego Dettenborn

Big Castilho com as medalhas conquistadas em solo tailandês
 
 
 
Como se não bastassem as duas conquistas, Big Castilho migrou para um centro de treinamento particular, a fim de aprimorar seu conhecimento sobre o muay thai. “Conversei com minha família e decidimos que profissionalmente seria muito bom eu ficar, mas não foi fácil ver pela internet as fotos do meu filho, ver crescendo e tudo mais. Isso poderia servir para me deixar ruim ou para me motivar, escolhi a segunda opção. Várias vezes quando eu estava treinando, fazendo corridas longas ou até mesmo ultrapassando meu limite físico, eu pensava no meu filho, na minha família para seguir”, afirma Castilho.
 
Sem limite
 
Em solo tailandês, Big Castilho praticamente viveu o muay thai. Sua rotina era resumida em treinar, comer, dormir e treinar. Segundo ele, a experiência obtida durante este período pode fazer todo o diferencial para o restante da sua carreira. “É muito diferente lá, a comida, o clima e o treinamento é extremamente rigoroso. Quando falo em rigoroso, quero dizer que às vezes até acima do limite, sem pensar na saúde do atleta. No começo sentia náuseas, dores, mas aos poucos fui me adequando até mesmo porque eu queria muito tudo aquilo”. 
 
Superação
 
Big Castilho ainda realizou duas lutas profissionais pela Federação Tailandesa de Muay Thai. Diante de um atleta mexicano e também diante de um atleta da Tailândia, o santa-cruzense conquistou a vitória, ambas por nocaute. Segundo Big, superação foi a palavra de ordem. “Cada dia a mais lá me significou muito, mas tive que superar os desafios que apareciam todo dia.” Em solo santa-cruzense desde o dia 5 deste mês, o professor e lutador voltará a ministrar aulas na Big Fighters e posteriormente encaminhar atletas para algumas competições de nível estadual e nacional. O objetivo para esta segunda metade do ano é o Campeonato Brasileiro de Muay Thai.