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Mulheres no tatame | A arte marcial como autodefesa e desenvolvimento pessoal

De aluna a campeã, Andrea Dreher abre caminho para mais mulheres no Taekwondo

Campeã brasileira, Andrea é agora referência para novas alunas de Taekwondo
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Lucca Herzog

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Com o aumento de denúncias e registros de violência e abusos contra as mulheres, muitas vezes restam às vítimas recursos limitados: a prevenção e a capacidade de autodefesa. Não é por acaso que cada vez mais mulheres procuram por segurança em aulas de defesa pessoal e nas artes marciais.

Segundo Andrea Boufleur Dreher, instrutora chefe de Taekwondo da Elite Artes Marciais, o aumento de alunas nos últimos anos é visível. Ela é categórica quando atribui essa mudança à realidade de violência contra a mulher: “O que é mais procurado é a defesa. Cada vez mais as mulheres estão percebendo que precisam buscar a arte marcial para se defender”.

Ainda assim, os desafios não acabam. Andrea relata que há cinco anos, quando começou no esporte, por curiosidade, encontrou um ambiente historicamente masculino. “Na época”, recorda ela, “eu não tinha muita referência, porque quase todos os colegas e professores eram homens”.

Foi apenas um ano após o início de suas aulas, quando começou a frequentar competições, que sentiu o ambiente mudar: “Encontrei pessoas de outras escolas, outras cidades e estados que tem o mesmo perfil, mesmos valores, e foi aí que realmente fui encontrar outras mulheres praticando.”

Hoje, com 28 anos de idade, Andrea participa ativamente de competições. Logo após chegar até a faixa preta, conquistou o título de Campeã Brasileira em 2025, na modalidade de Fórmula, ou luta coreografada. “Eu sempre fui competitiva, mas quando entrei na academia nem tinha ideia de que havia campeonatos”, conta ela. “Meu professor, Matheus Dias, sempre gostou de competição, e logo viu que eu tinha perfil, e me incentivou”.

Muito mais à vontade como praticante e professora, Andrea relata que uma das coisas que mais acresceram em sua vida foi a confiança: “Quando comecei a treinar, eu praticamente não falava. Mas quando comecei a auxiliar nas aulas, tinha que falar na frente dos pais, e não tinha opção. Hoje eu dou aula pra uma galera, 30, 50 pessoas, e consigo falar tranquilamente”.

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Agora, a professora entrega essa experiência aos alunos e, principalmente, às alunas, percebendo um aumento significativo de mulheres e meninas nas aulas desde que se tornou instrutora: “Hoje, elas compõem mais de 30% dos praticantes na Elite. Nossa escola é uma das únicas em que todo o time principal é composto majoritariamente por mulheres, e eu vejo como foi importante eu entrar e virar uma referência. Se não tivesse uma professora, as meninas talvez não se sentissem à vontade. Eu acredito que, no futuro, poderemos diminuir a estatística de mulheres que não conseguem se defender em situações que poderiam ser evitadas”.

Aulas promocionais

Andrea ainda anuncia que durante o mês de março, a Elite Artes Marciais ficará aberta para as mulheres que quiserem conhecer e fazer aulas sem custo durante o período. Neste sábado, pela manhã, já ocorre a aula aberta de defesa pessoal aberta para novas praticantes.

Hoje, elas compõem cerca de 30% dos praticantes na Elite
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