Diego Dettenborn – [email protected]
Fazer música em Santa Cruz do Sul nem sempre foi fácil e viver dela por aqui é hoje um privilégio para poucos. Mesmo com os recursos que temos, a qualidade e a diversidade musical, as dificuldades dos artistas locais são inumeráveis. Para quem escolheu viver apenas da música a estrada é muita longa. Distante de ser apenas um hobby, trabalhar com a arte é hoje em dia um grande desafio. Preconceito, falta de oportunidades e valorização, fazem parte do dia a dia de quem optou pela música como estilo de vida.
Em solo santa-cruzesense ao longo dos anos muitas bandas e artistas ganharam expressão. No entanto, para aqueles que apostaram no município como casa e palco, muito pouco foi conquistado. Em 2013, muitos artistas novos apareceram e conquistaram espaço por aqui, no entanto, o apoio dos órgãos públicos é praticamente reduzido a zero e poucas são as casas que dão o mínimo para que eles possam executar com dignidade seu trabalho, seja financeiramente ou até mesmo no que diz respeito à estrutura.
Lugares como a Legend Music & Bar, casa santa-cruzense que se tornou referência em qualidade e apoio aos músicos não só da cidade, como da região, são raros na terra do chucrute e da polonaise. Rodrigo Jaeger, músico santa-cruzense evidencia o que segundo ele acaba sendo um obstáculo para novas bandas e artistas locais. “Quando se traz um artista de fora com um cachê três ou quatro vezes maior do que o de um artista daqui, você acaba tendo um projeto com risco maior e acaba investindo muito mais em marketing e divulgação, consequentemente o evento vai atrair mais gente”.
Carol Law

Jaeger: “Já vi muita gente tentando sair daqui e não conseguindo, mas já vi muita gente morrer aqui tentando mudar a cena local”
Referente às dificuldades que faz com que, apesar da qualidade, os músicos santa-cruzenses não sejam reconhecidos fora da cidade, até mesmo por falta de apoio de setores públicos e privados, Jaeger ressalta o que, segundo ele, é crucial para o artista se sobressair. “Aqui a maioria dos músicos acaba optando por dar aula de música, ter 15 projetos ao mesmo tempo, ou acabam com outro emprego e levam a música como hobby. Já vi muita gente tentando sair daqui e não conseguindo, mas já vi muita gente morrer aqui tentando mudar a cena local A culpa também é dos músicos que não se valorizam como deveriam, principalmente na cena underground”.
Luana Schwengber

Cristiano: “Sabemos que é complicado para o musico de Santa Cruz sobreviver só da música”
Referência
Os empresários Marco Machado e Cristiano Sehn, proprietários da Legend Music Bar apostaram em qualidade e estrutura para músicos e clientes. Fundada em dezembro de 2010, bastou alguns meses para a casa já se tornar referência em todo o estado quando o assunto é valorização da classe de músicos e qualidade nas apresentações.
Diferentemente da maioria dos estabelecimentos que, automaticamente visam o lucro, no pub, que tem como slogan “O lugar da boa música”, a valorização dos profissionais está em primeiro lugar. Marco Machado, que também é músico, destaca trato com os artistas. “Isso aqui é uma empresa, tem que dar resultado. No entanto, como sou músico, ás vezes quando vou negociar com banda, me corta o coração ter que estar apertando no cachê, mas agora estou do outro lado do balcão. Preciso analisar os dois lados da moeda: Valorizar o músico, sempre, mas dependo do meu negócio, preciso ter resultados mostrar para os meus sócios que é rentável. Ter um equipamento decente, uma desenvoltura de palco. Isso tudo contribuiu para que no final, o show acabe valendo mais”.
Já Cristiano Sehn evidencia a falta de apoio dos próprios artistas. “Às vezes, eu mesmo quando comecei no mercado da noite precisei praticamente pagar para trabalhar, mas como uma porta de entrada. Isso acontece com os artistas também. Sabemos que é complicado para o musico de Santa Cruz sobreviver só da música. Não há união da galera. Noto que as vezes trazemos uma banda da cidade tão boa quanto uma banda de fora, mas os outros artistas locais não comparecem até mesmo para apoiar, existe uma divisão”.
Luana Schwengber

Como músico, Marco vivencia os dois lados da moeda














