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NATAL – Lembranças de Santa Cruz e de belos natais em família

Dom G’lio Fel’cio (centro da foto) j‡ morou em Santa Cruz. Agora Ž o bispo de BagŽ

Nelson Treglia
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Com larga atuação na comunidade de Santa Cruz do Sul, Dom Gílio Felício hoje é Bispo da Diocese de Bagé. “Eu sou natural de Sério/RS, hoje um valoroso município, outrora um distrito do município de Lajeado”, recorda Dom Gílio. Ele lembra com carinho do Bairro Bom Jesus de Santa Cruz, e nos conta como é viver longe dos seus familiares nesta época de Natal. Além disso, define que os valores cristãos ainda são importantes para levar a humanidade a um caminho mais positivo. Confira a entrevista:  

Riovale – Dom Gílio, o senhor tem raízes santa-cruzenses. Como é passar o Natal longe de Santa Cruz?
Dom Gílio –
A nostalgia marca significativa presença. A gente recorda a participação intensa da família na comunidade eclesial realizando encontros de preparação para a celebração do mistério da encarnação do Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. 
Porém, a religiosidade do povo diocesano de Bagé, bem como as típicas tradições de encontros, celebrações e confraternizações em torno do nascimento de Jesus Cristo e da Ação de Graças pelo ano que passou na perspectiva de um ano novo com prosperidade e paz alargam o ambiente da terra natal e as tradições culturais e religiosas da família de sangue.

Riovale – Seus familiares vão visitá-lo neste Natal? Como é a relação com eles, e o que o senhor recorda dos tempos de juventude, especialmente nas festas de final de ano?
Dom Gílio –
Evidentemente que todos os familiares estão envolvidos nas diversas atividades religiosas da Igreja Católica Apostólica Romana, nas escolas e nos bairros que vivem estarão comprometidos. 
Sempre me vem na memória o tempo que vivia junto à família, lembro da gente fazendo orações de Ação de Graças pela vida e missão de cada uma e cada um. É claro que depois da Vigília Natalina, que vou presidir na Catedral de São Sebastião, me desloco para celebrar com a família a Missa e vivenciar aquelas atividades que a família realiza neste tempo. Lembrando em primeiro lugar de agradecer a Deus pela vida e missão da família e nos comprometendo a acolher significativamente a proposta que a Igreja tem para o novo tempo de caminhada cristã e mesmo com outras palavras da tradição típica da família sempre marca presença nas atividades sociais, culturais e religiosas os temas e propósitos da Igreja Católica. 
Está muito presente a Igreja em saída lembrada pelo Papa Francisco, a Igreja discípula Missionário lembrada pelo Regional Rio Grande do Sul. As trocas de presentes que têm um significado muito importante que é a presença. Nesta troca a gente assume o sentido do presente que Deus nos deu em Jesus Cristo, para a gente procurar ser o verdadeiro presente de amor, de carinho, de paz, para os amigos, famílias e demais.

Riovale – Qual é sua visão sobre o Natal? O que a festa representa particularmente para o senhor?
Dom Gílio –
Para mim, o Natal é a culminância da promessa que Deus fez à humanidade de enviar para a terra um Salvador que se identificasse com os humanos sem deixar de ser divino. 

Riovale – O senhor entende que os valores cristãos e o Natal deveriam ser mais considerados? A sociedade está precisando mais desses valores?
Dom Gílio –
Sim, e urgentemente porque pelo que se observa no Brasil e no mundo a humanidade está à beira de um caos em que pesem muitas iniciativas positivas de grande valor cientifico, técnico e humano. Precisamos acelerar quantitativa e qualitativamente as atividades das pessoas de bem. Por que muitas vezes percebemos sinais de uma hecatombe, de guerras e conflitos que ao invés de trazer benefícios poderá destruir este bonito jardim que é o planeta Terra, obra e graça de um Deus amor, rico em misericórdia.

Riovale – E a visão comercial do Natal? Como o senhor a percebe? Ela é boa para a economia, mas seu exagero é prejudicial para compreendermos melhor o sentido do Natal?
Dom Gílio –
Não sou contra o comércio, e até podemos dizer que o comércio é um bem importante e necessário para todos nós, não só para os comerciantes. O erro que muitas vezes cometemos é acharmos que o dinheiro ou os bens matérias atendem plenamente as demandas da vida que querem ser feliz. E quando eu reflito sobre isso lembro da mensagem de Jesus que era festeiro, tanto que alguns até o criticavam, mas ele fazia isto na medida justa e a gente pode dizer a alegria, a festa, os bens matérias tudo isso é muito positivo, mas não podemos esquecer do que Jesus disse, ‘sem mim nada podeis fazer, eu sou o caminho, a verdade e a vida’. 
Vamos celebrar com jubilo a festa de Natal, e não esquecer que sem Cristo a vida perde o sentido. 

Riovale – Mande uma mensagem para a comunidade de Santa Cruz do Sul.
Dom Gílio –
Deus foi e continua sendo muito bom comigo! A família que migrou por vários lugares armou sua tenda em Santa Cruz do Sul e graças a Deus fui encontrando em todos os lugares que passei pessoas de bem que favoreceram a minha vida e o despertar de minha vocação sacerdotal. Finalmente no Bairro Bom Jesus, numa localidade apelidada de “Camboim” (nome de uma árvore), decidi abraçar a missão que vivo hoje. 
Querida Comunidade de Santa Cruz do Sul!
O melhor presente de Natal que devemos acolher e compartilhar em nossa família, em nosso trabalho, onde estivermos é o amor rico em misericórdia que nos torna discípulos missionários de Jesus Cristo. 
Desejo de todo o coração aos queridos irmãos e irmãs santa-cruzenses nativos e aquerenciados neste município um Abençoado Natal e um Feliz e próspero Ano Novo.