
Dias atrás, eu acompanhava uma discussão no Sportv em que o jornalista inglês Tim Vickery dizia não entender por que no Brasil se faz a separação entre clubes “grandes” e “pequenos”. Ele complementou informando que, na Inglaterra, não era feita tal distinção. “O Crystal Palace é grande”, salientou o jornalista. Pois bem, eu particularmente conhecia o Crystal Palace do tempo em que jogava o Fifa Soccer no computador. Fui pesquisar na internet pra ver quais eram os títulos do clube, e li que a melhor colocação no Campeonato Inglês havia sido um terceiro lugar, além de dois títulos na segunda divisão e um título da terceira divisão.
Sob um olhar brasileiro, fica claro que o Crystal Palace não possui a trajetória de títulos do Grêmio, do Inter, do Flamengo, do São Paulo ou de qualquer outro “grande” do Brasil. Nem possui a trajetória de clubes ingleses como o Manchester United, o Liverpool e o Arsenal. Mas nossa visão está equivocada? O que, na verdade, é uma visão bastante sul-americana, se levarmos em consideração que Boca, River, Independiente, Racing, Nacional e Peñarol são tidos como “grandes” em seus países.
O Estudiantes de La Plata, na Argentina, não é considerado grande, embora tenha conquistado quatro títulos da Libertadores e um Mundial. Aí temos a relativização: títulos não significariam “grandeza”, então. Na discussão com Tim Vickery, o jornalista André Rizek acrescentou que o Crystal Palace, assim como outros times ingleses, lota seu estádio em todas as partidas. O que, entre os “grandes” do Brasil, não é algo costumeiro.
Essa análise me veio à mente neste momento complicado que vive o Internacional no Campeonato Brasileiro. O clube possui uma perspectiva real e crescente de rebaixamento à segunda divisão. Mas, para muitos torcedores do Inter, um possível descenso à Série B pode representar um “apequenamento” do clube, algo que, sem dúvida, será utilizado na eterna “flauta” entre tricolores e colorados, se o rebaixamento se confirmar.
Se a gente se colocar no lugar dos colorados, podemos dizer que, apesar de toda a dificuldade atual que poderá repercutir no futuro próximo do Inter, é possível respirar com uma certa tranquilidade. Quem viveu os anos 80 e 90, sabe muito bem que o Inter, naquela época, vivia um drama muito maior que o atual: faltavam os títulos da Libertadores e do Mundial, que colocavam o Grêmio em um patamar superior. Em 2006, dez anos atrás, o Inter conseguia vencer o Barcelona de forma realmente estupenda e escrevia uma história definitiva. Em termos gerais, dá pra dizer que o rebaixamento, se ocorrer, será apenas uma pequena página diante da epopeia em Yokohama contra o Barça.
Por Nelson Treglia














