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Papai Noel fobia existe?

Ter medo do Papai Noel e até sentir uma certa ansiedade por ter que participar de confraternizações de final de ano não é algo incomum e em muitos casos esses comportamentos podem ser final de uma fobia que requer tratamento. O psicólogo e palestrante Carlos Alberto Vieira, de Natal, Rio Grande do Norte, explica que fobia é algo que se apresenta com um medo e tem como principal peculiaridade a falta de uma razão objetiva.
“As fobias se sustentam em algo que se impõe no campo da representação do objeto, e que nada pode ter a ver com aquilo de que se trata na realidade. No caso de uma fobia social, o indivíduo se coloca nas relações partindo de uma representação que o faz associar as pessoas a uma ameaça à sua integridade física ou moral”, explica.
Fobia ao Papai Noel ou mesmo a reuniões familiares não é uma doença reconhecida pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), mas é uma realidade para muitas pessoas. Nos shoppings é muito comum ver crianças aos prantos só em se aproximarem do Papai Noel. Algumas acabam levando isto para a fase adulta ou até desenvolvendo algum tipo de fobia.
“A forma como a figura do Papai Noel é apresentada a uma criança é parte determinante nesse processo de construção da imagem do outro, e o significado que ele terá para ela a partir do princípio dessa identificação. O fato propriamente de essa emblemática figura não se apresentar como fazendo parte do círculo de convívio da criança, uma vez que é alguém cuja presença ocorre apenas uma vez por ano, não sendo alguém propriamente familiar, com trajes e peculiaridades não muito comuns, pode causar uma estranheza com a qual o pequeno não consiga lidar muito bem”, diz Vieira.
Segundo o psicólogo, os pais devem se preocupar em construir a identidade do Papai Noel e isto é feito através de muita conversa. “As referências transmitidas pelos pais vão se sobrepor a aparência do Papai Noel e as primeiras impressões que ele pode passar diante do seu visual e modo de agir. Insistir para com algo que não deixa a criança à vontade, uma vez que aquilo não significa algo bom para ela, sem dúvidas não seria o melhor caminho”, alerta.
Com o desenvolvimento da criança, passada a fase na qual ela aprende a diferenciar o real da fantasia, algumas pessoas acabam se deparando com situações relacionadas ao Natal que podem gerar medo, uma ansiedade leve e até ter alguma crise que venha a atrapalhar sua rotina.
Para Vieira, em se tratando de um adulto, o mais comum é elas apresentarem outros fatores associados ao fato de não gostar do Natal ou de festividades e isto, necessariamente, não é uma fobia. 
“A pouca sociabilidade, ou mesmo uma conduta anti-social, podem estar ligadas a outros constructos identitários, não sendo necessariamente algo de base patológica, mas relativa ao modo do sujeito de ser. Cada pessoa ter um modo próprio de resposta, uma maneira singular de tratar das coisas que lhe ocorrem. A psicoterapia é um recurso muito recomendado para aqueles que sofrem com esse tipo de problema. Uma pessoa em terapia se dá a oportunidade de vir a reconhecer as causas daquilo que lhe ocorre, nesse nível mais subjetivo de manifestação de experiência”, salienta.
O que a pessoa tem exatamente e o grau do seu sofrimento e como isso interfere na sua vida, que varia conforme as peculiaridades de cada um, precisa ser avaliado por um profissional. Nem sempre apenas um tratamento psicológico poderá ser a solução para eliminar quadros de medo e ansiedade, entre outros.
Qualquer tipo de transtorno, comenta Vieira, que atrapalha o cotidiano da pessoa, precisa ser tratado.  “Existem tratamentos sim, e não só de base psicológica, mas também, se necessário, de base medicamentosa, num tratamento complementar à psicoterapia. 
Vieira explica que a  melhor maneira de identificar uma fobia ou outro tipo de transtorno é refletir sobre a razoabilidade acerca das causas. “A pessoa deve avaliar se aquilo de fato apresenta perigo, se constitui de fato em uma ameaça, ou se é algo cujo modo de lidar com tal coisa é em si mesmo o real problema. A melhor hora de procurar um especialista ocorre quando a pessoa passa a reconhecer que esse problema está afetando negativamente as suas atividades, seu cotidiano, suas relações interpessoais e consigo mesmo”, afirma.