Tiago Mairo Garcia
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Em operação deflagrada no início da manhã de ontem, 2, a Polícia Civil de Santa Cruz do Sul deu mais um duro golpe contra narcotráfico e ação de facções na região. Em ação coordenada pela Delegacia Regional, Delegacia de Repreensão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e 2ª Delegacia de Polícia, os agentes interceptaram por volta das 5h30, na BR-471, no trevo de acesso ao bairro Bom Jesus, uma camioneta Montana, com placas de Porto Alegre, que estava trazendo um carregamento de entorpecentes.
Ao vistoriar o veículo, os policiais civis encontraram um fundo falso na tampa traseira e localizaram aproximadamente 6 kg de cocaína pura, chamada popularmente de “Escama de Peixe”, avaliada em aproximadamente R$ 300 mil. Natural de Novo Hamburgo, o motorista, de 49 anos, que não possuía antecedentes criminais, foi preso em flagrante por tráfico de entorpecentes. Ele foi conduzido para a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) para registro da ocorrência e posteriormente ao Presídio Regional de Santa Cruz do Sul.
Ao avaliar a ação, o delegado regional Luciano Menezes, destacou o trabalho contínuo de combate ao narcotráfico realizado pela equipe da Draco coordenada pelo delegado Marcelo Chiara Teixeira e salientou que, além de gerar um problema de saúde pública, o tráfico gera desdobramentos como crimes contra o patrimônio e desde 2013 é responsável por uma série de homicídios que vem sendo registrados no município. “Desde que a facção “Os Manos” se instalou no município, já tivemos 50 homicídios registrados relacionados com o tráfico de drogas. Hoje, se morre por disputa de espaço no tráfico, traição ou por criar animosidade entre os colegas de facção”, relatou Menezes.
O delegado regional salientou que devido à crise o tráfico também se reinventou e está usando um expediente chamado de “tombar a droga”. “Os traficantes estão misturando outros produtos químicos para aumentar a quantidade e obter maiores lucros”, frisou. Sobre o fato de os presos não possuírem antecedentes, Menezes explicou que são pessoas recrutadas pelo tráfico para serem os transportadores. O delegado destacou ainda a hipocrisia existente pelo fato de a polícia não poder reprimir os usuários que consomem os entorpecentes. “Os traficantes se definem como homens de negócios que estão vendendo o produto. Hoje temos uma hipocrisia que não podemos reprimir quem deveria ser reprimido que são os consumidores que pagam pelo produto. É a lei da oferta e se não tivesse consumo, não teria ninguém vendendo.”, disse o delegado, destacando que a droga apreendida poderia render 17 mil porções de cocaína e abasteceria o tráfico por uma semana em Santa Cruz e municípios da região.
Sobre o fato da ação policial ser denominada de “Operação Traição”, Menezes frisou que o nome foi escolhido por estar ocorrendo uma traição entre os criminosos com a entrada de entorpecentes pertencentes a uma facção rival e destacou a sua preocupação com a possibilidade de haver um “derramamento de sangue” por traição dentro da facção, destacando os casos recentes de um jovem morto na rua do Imigrante e de um homem que teve o corpo queimado em Rio Pardo. “Tememos que isso vire hostilidade. Muitos são criminosos jovens que em nome de uma facção matam oponentes de forma brutal. Isso nos assusta e preocupa de que em qualquer lugar alguém pode ser morto. Não podemos permitir que uma cidade ordeira seja tomada por este perfil e trabalhamos forte para manter a cidade tranquila”, finalizou o delegado regional.














