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Polícia Federal afirma que não pode divulgar informações sobre inquérito

Everson Boeck
 
Na última quarta-feira, 22, o coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) em Santa Cruz do Sul, Wilson Rabuske, que também é vereador pelo Partido dos Trabalhadores no Legislativo Municipal, concedeu entrevista aos veículos de comunicação locais onde falou sobre a possível fraude ocorrida no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), denúncia que é investigada pela Polícia Federal (PF). Procurado pela reportagem do Riovale Jornal esta semana, o delegado da PF, Gustavo Schneider, informou que continua vigorando a proibição de proceder qualquer ato de comunicação social pertinente ao fato e, portanto, a PF não está autorizada a prestar informações sobre o inquérito.
Esclarece a nota enviada ao Riovale pela Polícia Federal de Santa Cruz do Sul nesta sexta-feira, 24: 
“Conquanto nos tenha sido notificada a decisão judicial, exarada pelo Exmº. Min. do STF, Dr. TEORI ALBINO ZAVASCKI, no sentido de haver levantado o sigilo nos autos do referido Inquérito, na verdade continua vigorando, para a Polícia Federal, a proibição de proceder qualquer ato de comunicação social pertinente ao fato.
Desta maneira, e considerando orientação da Superintendência Regional da PF no RS, conquanto sensíveis ao direito dos veículos de comunicação social de informarem a população, continuaremos não nos manifestando sobre a investigação operada na chamada Operação Colono, pois agir de maneira diversa implicaria falta funcional passível de punição disciplinar, além de configurar infração penal.
Quanto aos fatos que vêm sendo noticiados por veículos de abrangência nacional, embora não estejamos alheios à enorme repercussão que vêm provocando junto à opinião pública, não sabemos qual a fonte de tais matérias jornalísticas, mas certamente nenhuma informação partiu do subscritor ou de quaisquer servidores lotados nesta unidade policial federal e ao firmatário subordinados.”
 
Entenda
 

O jornal Folha de S. Paulo publicou também na quarta-feira uma notícia onde aponta ligações telefônicas interceptadas pela PF as quais levantaram a suspeita que dinheiro do Pronaf havia sido usado em campanhas do PT no Rio Grande do Sul. Após denúncias, que só vieram a público no início de outubro deste ano embora tivessem sido feitas em 2012, de produtores que não teriam autorizado empréstimos e outros que não teriam recebido os valores de créditos que haviam sido concedidos, o Ministério Público iniciou a chamada Operação Colono. Segundo o inquérito instaurando em 2012, o esquema estaria sendo praticado há cerca de seis anos e envolveria outros municípios da região, como Vera Cruz, Venâncio Aires, Sinimbu e Passo do Sobrado. Conforme as denúncias dos agricultores, eles encaminhavam os empréstimos, os recursos eram liberados, mas eles tinham acesso a uma parte ou nenhuma do valor.  Os desvios teriam por finalidade cobrir gastos com campanhas eleitorais do PT. Além do vereador Wilson Rabuske, também está sendo investigado o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT-RS), reeleito no último pleito, entre outros nomes ligados ao MPA e à Associação Santa-Cruzense dos Agricultores Camponeses (Aspac).