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Policial Civil: servir e proteger a sociedade

Suilan Conrado
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O policial civil Ricardo Martins, formado em Direito e especializado em Segurança Pública, lotado na Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente (DPCA) de Santa Cruz do Sul, exerce hoje, a função de inspetor de polícia. No entanto, mesmo sendo natural de Rio Pardo, cidade vizinha, o trajeto até assumir a atual posição foi longo.
Ricardo serviu o Exército em 1991, ingressando no Corpo de Bombeiros um ano depois. Em 1994, veio a oportunidade de prestar concurso para a Polícia Civil, sendo lotado para a cidade de Caxias do Sul, onde atuou no Centro de Operações e na Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec).
Ainda na serra gaúcha, Ricardo foi convidado a integrar o projeto de implementação da primeira DPCA do interior do Estado. Até então, estas delegacias só existiam nas capitais brasileiras.
Após sete anos de dedicação na Delegacia de Caxias, Ricardo pede transferência para Santa Cruz, com o intuito de ficar mais próximo da sua terra natal.
Em terras germânicas, ele é novamente convidado a agregar a DPCA do município, onde já se dedica a cinco anos no ofício.
Há quase duas décadas de empenho na carreira, além do trabalho desenvolvido nas  Delegacias de Proteção, Ricardo participou de diversas operações estratégicas  pelo Estado, acumulando experiência e muitas histórias para contar.
Contudo, um dos momentos mais marcantes no caminho do policial até agora, não teve notoriedade na mídia, repercussão social; tampouco se tratou de uma operação elaborada. A ocorrência atendida, se tratava de uma criança que havia caído pelo vão de uma escada do quinto andar de um prédio. Fraturas múltiplas e um prognóstico péssimo. No entanto, esta criança sobreviveu, e sem nenhuma sequela. Para Ricardo, a prova viva de que milagres existem.

– Especialista na área da Criança e Adolescente, como você avalia a questão da redução da maioridade penal?

“Eu acredito que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, não retroagirá. Alguns países que o fizeram, hoje estão revendo este conceito. Não é a questão da idade que resolve os problemas criminais, mas sim, condutas humanas criminais.
O adolescente infrator de hoje, não tratado, é o adulto imputável de amanhã. O  critério  biológico ou psicossocial não interfere, há estudos que comprovam isso. Particularmente, acho que existem outras medidas importantes mais eficazes que a redução da maioridade, como por exemplo, aumentar a reclusão de no máximo  três anos em que o menor fica retido. De qualquer modo, é preciso investir na base, ou seja, na criança. É a educação, a  longo prazo, que vai trazer bons resultados para a sociedade.”

– Você considera Santa Cruz do Sul uma cidade segura?

“Na segurança pública, temos dois aspectos: a sensação de segurança, que vai depender do local onde a pessoa mora, ruas que ela percorre, e a segurança pública efetiva, que consiste na resposta que a segurança local vai dar ao crime. Já estive em vários locais do Estado, e vejo Santa Cruz com um bom planejamento estratégico, uma boa resposta. Se compararmos com cidades da região metropolitana de Porto Alegre e Vale dos Sinos, por exemplo, a sensação de segurança aqui, e digo como morador, é excelente.
Quanto aos projetos, eles existem. O que falta para Santa Cruz e região são recursos humanos, efetivo policial, para que este planejamento seja posto em prática, trazendo à sociedade os resultados esperados a curto, médio e longo prazo.”
 
– O que você diria para quem está pensando em prestar concurso e ingressar na Polícia Civil?

“Para ser um Policial Civil, primeiramente, precisa ter um curso superior. A pessoa se inscreve, faz as provas teóricas, físicas, psicotécnicas e médicas. Depois de aprovado, ingressa para a Escola Superior de Polícia na capital gaúcha, sendo posteriormente, nomeado e empossado para o cargo de agente de polícia. Eu diria que é um excelente concurso a se fazer. Há uma reestruturação da carreira civil, uma busca da valorização profissional. No entanto, acima de tudo, precisa ser uma escolha de coração, e não apenas uma opção de trabalho; quem opta por se tornar um policial, precisa estar ciente que muitas vezes, temos de sacrificar a família por conta do trabalho. Exige muita dedicação.”

– Há quase vinte anos no ramo, para você, qual a maior recompensa em ser um Policial Civil?

“É muito gratificante chegar em casa depois de um longo dia de trabalho com a sensação do dever cumprido, buscando o equilíbrio entre a notícia de um delito e a prisão do autor, agindo de forma imparcial, tratando com dignidade o preso, com dignidade a vítima, cumprindo a missão do policial civil, que consiste em servir e proteger a sociedade.”

Rolf Steinhaus

Ricardo Martins, quase vinte anos de carreira na Polícia Civil: é preciso investir na criança para evitar a criminalidade