LUANA CIECELSKI
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Três semanas após o início das ocupações das escolas no Rio Grande do Sul, como forma de pressionar o Governo do Estado por melhorias nas estruturas e apoiar a greve dos professores, os últimos dias foram marcados por uma série de acontecimentos relacionados ao assunto. Na última terça-feira, o novo Secretário de Educação, Luís Alcoba de Freitas, encaminhou uma carta-proposta às instituições. A partir disso, algumas escolas foram desocupadas e outras continuaram o movimento. Frente a isso, na manhã dessa sexta-feira, 10 de junho, uma segunda carta-proposta foi apresentada. Algumas instituições, no entanto, decidiram continuar a ocupação. Entre elas o Polivalente de Santa Cruz.

A decisão de apresentar uma sugestão para as escolas se deu porque no início do mês de junho o Ministério Público do Rio Grande do Sul deu um prazo de 10 dias para que a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) apresentasse um calendário de negociação com a comunidade escolar.Na última terça-feira, então, após se reunir com diversos órgãos ligados à questão, como a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o Conselho Tutelar e a Federação das Associações e Círculos de Pais e Mestres do RS,Luís Alcoba, visitou algumas escolas da região metropolitana e encaminhou a todas as instituições do Estado uma carta-compromisso.
Nessa carta a Seduc apresentou algumas propostas e fez algumas promessas, entre elas a de depositar R$ 40 milhões para as escolas que precisam de reparos urgentes, tendo como base recursos provenientes de empréstimos tomados junto ao Banco Mundial (Bird).Diante disso, os alunos da escola Estado de Goiás, umas das três que haviam sido ocupadas no município, resolveram encerrar a ocupação e esperar pelo cumprimento das promessas. Como a Escola Nossa Senhora do Rosário, outra das três, já havia sido desocupada anteriormente, apenas a escola Willy Carlos Fröhlich, o Polivalente, permaneceu com o movimento ativo em Santa Cruz do Sul.
Segunda proposta
Diante da decisão dos alunos do Polivalente – assim como de outras escolas do estado – de manter a ocupação, a Seduc decidiu encaminhar na noite da última quinta-feira, 9, às Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) um novo documento com propostas. De acordo com nota divulgada pela Seduc, “esta segunda proposta renova os termos da carta-compromisso que entregamos aos estudantes na terça-feira e fixa novo prazo de 48 horas, desta vez improrrogável, para a desocupação das escolas. Com este documento encerramos quaisquer negociações com os movimentos. O diálogo será restabelecido na segunda-feira quando o acesso às escolas estiver liberado para o reinício das aulas”. A carta foi entregue na escola Polivalente, na manhã dessa sexta-feira, 10, pela coordenadora adjunta Janaína Venzon. “O direito de ir e vir deve ser garantido”, alegou ela.
Como no momento da chegada da coordenadora os estudantes ocupantes estavam participando de uma oficina, o diálogo se deu com duas representantes do movimento, as alunas DannaKarnopp e Letícia Machado. Durante a conversa, Janaína disse que a decisão da Seduc de encerrar as negociações foi tomada tendo em vista o calendário letivo.“Ele será prejudicado se a manifestação não for encerrada imediatamente.”Ela também destacou que a partir de agora será cobrada das direções uma gestão melhor das escolas e que a CRE estará de portas abertas para os estudantes que quiserem lhes procurar.
Estudantes desconfiam
Ainda na manhã de ontem, Letícia eDannaafirmaram que o documento seria lido e que uma assembleia seria realizada com os demais estudantes para que uma decisão fosse tomada em conjunto. Elas adiantaram, no entanto, que o primeiro documento entregue não representava os interesses dos estudantes e que por isso ele não foi aceito. “O governo promete muita coisa e não cumpre. É sempre assim. Antes de parar a ocupação nós gostaríamos de ver as mudanças acontecendo de verdade”, comentou Letícia.
Frente a isso, na noite de ontem, após debaterem com os demais colegas e entrar em contato com grupos estudantis que participam do movimento em outras cidades do estado, os estudantes do Polivalente decidiram manter a ocupação. “Nenhum de nós quer sair da escola e como o secretário não nos dá prazos para o cumprimento das promessas, nós vamos ficar aqui”, explicou Letícia.














