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Presidente do Simers visita Santa Cruz por mobilização

O prefeito de Santa Cruz do Sul, Telmo Kirst (PP), recebeu na tarde de quinta-feira, 6, a visita do presidente do Simers – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Paulo de Argollo Mendes. 

O objetivo do Sindicato é mobilizar prefeitos e demais lideranças de todo o Estado para melhorar as condições de trabalho dos médicos que atendem no sistema público. Segundo o presidente da entidade, existe atualmente uma falta de interesse do profissional médico em trabalhar no serviço público, já que não existe uma perspectiva de progressão na carreira, além de os salários pagos pela iniciativa privada serem melhores.

Presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, cumpriu agenda em Santa Cruz

Mendes argumenta que um curso superior de medicina, segundo dados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, tem em média cerca de 10.500 horas, contra uma média de 4.500 horas de aula nos demais cursos de saúde, como psicologia ou enfermagem, por exemplo. E o serviço público paga igualmente os profissionais médicos, enfermeiros, etc., ao contrário da iniciativa privada. “O médico, quando termina seu curso, além de fazer um vestibular muito difícil, já fez o equivalente a duas faculdades. As residências para formar especialistas são mais três anos de estudo, com três mil horas por ano. Qualquer especialista então fez mais nove mil horas, o que dá o equivalente a quatro cursos superiores no final”. 

O argumento também é reforçado pelas condições de trabalho nos postos de saúde, que, segundo o Simers, recebe em média três vezes mais demanda do que sua possibilidade, já que um mínimo para cada posto seria de três profissionais, enquanto a realidade mostra que apenas um médico fica de plantão por turno.

A escassez de leitos com atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também deteriora a qualidade do atendimento. Paulo Argollo Mendes ressalta que desde 2015 o Estado fechou 800 leitos de atendimento universal para a população. Já o valor pago aos médicos pelo atendimento através do IPERGS – Instituto de Previdência do Estado, não é atualizado desde 2011. “O Ipê (sic) paga 47 reais por consulta. O SUS paga os encargos. Já pelo Ipê o médico precisa tirar dali o custo da estrutura, como aluguel, salário de secretários, encargos salariais. Os médicos precisam atender privado para tapar o buraco”.

A conta que faz o Simers é que cada profissional que realiza atendimentos pelo IPERGS precisa atender sete pacientes por dia para não ter prejuízo em seu consultório. A arrecadação do IPERGS cresceu 57% nos últimos seis anos, e o sindicato médico reclama que essa verba não foi investida na saúde do Estado, como prevê a lei.

O Simers questionou o governo gaúcho sobre a aplicação da verba, mas não obteve resposta, segundo Argollo. “O estado não diz, o Ipê é uma caixa-preta. Onde estão estes 57%? Sumiram!”, finaliza o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul