Início Política PT quer ouvir supostos envolvidos no caso Pronaf

PT quer ouvir supostos envolvidos no caso Pronaf

Everson Boeck
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A repercussão do caso de suposta fraude em financiamentos do Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Pronaf) a produtores rurais do Vale do Rio Pardo envolvendo petistas de Santa Cruz do Sul e região chegou à cúpula do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (PT-RS). A executiva estadual da sigla vai anunciar na semana que vem uma posição sobre o suposto envolvimento de políticos da região, nos quais está sendo alvo da investigação o vereador de Santa Cruz, Wilson Rabuske, que também é coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A Polícia Federal suspeita que recursos do Pronaf tenham sido desviados pela Associação Santa-Cruzense dos Pequenos Agricultores Camponeses (Aspac), braço jurídico do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que intermediava os empréstimos. Mais de 6,3 mil agricultores teriam sido lesados e mais de R$ 79 milhões teriam sido desviados.
De acordo com o presidente do PT-RS, Ary Vanazzi, o partido criou uma comissão interna formada por três integrantes da executiva estadual que está acompanhando os desdobramentos do caso. “Desde segunda-feira estamos conversando e ouvindo os envolvidos. Depois de ouvir todos, vamos nos reunir e definir qual será nosso posicionamento. Conforme o estatuto do partido, podem ser tomadas medidas que vão de afastamento temporário até expulsão”, afirma. Para Vanazzi, em face de diversos ataques que o partido tem sofrido nos últimos meses, é preciso ter muito cuidado na questão. “Queremos mostrar para a sociedade que nós temos responsabilidades com a população, mas que, para tomarmos uma decisão sobre o caso, é preciso averiguar a veracidade dos fatos e nós estamos atentos a isto”, sinaliza. Segundo Vanazzi, paralelamente estão acontecendo reuniões com lideranças locais em Porto Alegre para tratar do assunto.

Afastamento

Os funcionários do Banco do Brasil que estão sendo apontados no inquérito da Polícia Federal na Operação Colono foram afastados das suas atividades por determinação da instituição. Em nota enviada ao Riovale Jornal pela assessoria de imprensa, o BB informa que “ao tomar conhecimento de indícios de irregularidades, foram iniciadas apurações internas para verificar reclamações relacionadas a operações do Pronaf em Santa Cruz do Sul, as quais ainda estão em andamento”. Apesar de os funcionários não terem sido exonerados, eles ficarão sem trabalhar até que a investigação tenha um desfecho. Conforme o inquérito, funcionários do Banco do Brasil – da agência que funciona junto à Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), no Centro de Santa Cruz, e da unidade de Sinimbu – teriam participação na suposta fraude.

Quebra de decoro

O vereador Edmar Hermany (PP) protocolou na última quinta-feira, 30, na Câmara de Vereadores um requerimento de criação de uma comissão especial para acompanhar a investigação junto à Delegacia de Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal. O assunto estará na pauta da sessão desta segunda-feira do Legislativo e deverá causar discussões tensas. Caso o requerimento seja aprovado, a comissão avaliará se houve quebra de decoro parlamentar pelo vereador Wilson Rabuske (PT).
Se for constatada a quebra de decoro parlamentar, Rabuske poderá ter o mandado como vereador cassado. Conforme o requerimento assinado por Hermany, “embora o momento não seja o de antecipar qualquer julgamento sobre o caso”, mas “as acusações são graves”. “Não podemos permanecer alheiros, inertes ou silentes diante da exposição nacional negativa que tivemos. É preciso um acompanhamento de perto deste assunto, cumprindo assim com nosso dever constitucional de fiscalizadores”, argumenta Hermany.

Fotos: Everson Boeck

Wilson Rabuske é investigado pela PF


Edmar Hermany protocolou requerimento para criação de comissão especial