Início Geral Riovale leva cultura ao Presídio Regional de Santa Cruz

Riovale leva cultura ao Presídio Regional de Santa Cruz

Na tarde da última quinta-feira, 15 de maio, foi realizada mais uma etapa do À Flor da Pele, projeto cultural que está sendo desenvolvido pelo Riovale Jornal com as detentas do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul e que tem como objetivo principal levar arte e cultura para as mulheres privadas de sua liberdade. Além disso, o projeto busca permitir que sejam conhecidas e reconhecidas tantas vidas e situações, muitas vezes negligenciadas pela maior parte da população.
Nessa etapa, foram levadas oficinas de pintura e produção literária, ambas vislumbrando construir com as detentas um acervo artístico e que futuramente dará forma a uma exposição de artes plásticas com as obras produzidas pelas próprias detentas e uma revista literária que será lançada para a comunidade local e regional.
A oficina de pintura foi ministrada pela artista plástica Eliana Baumhardt, que através de técnica e didática pertinentes, levou às detentas a produzirem desenhos capazes de revelar emoções, saberes e dizeres das vivências e trajetórias de cada uma. “O desenho permite que cada mulher possa expressar suas emoções, angústias e desejos, colocando no papel tanto elementos do que viveram, quanto situações que sonham para o seu próprio futuro”, destaca Eliana.

Marli Silveira

Ação trouxe técnicas de pintura às detentas. Oficina literária também fez parte das ações

 

Nas demais etapas da oficina de pintura, outras técnicas e momentos serão oportunizados e levados às detentas a fim de que elas possam se reconhecer no que produzem e ampliar sua condição de possibilidade humana e cultural.
Já a oficina de produção literária foi coordenada por Marli Silveira e aos poucos a mesma ganha contorno de um rico acervo poético e literário e que em formato de revista chegará à comunidade. “A arte tem permitido que as mulheres detentas possam se expressar e estabelecer um vínculo com o mundo fora da prisão, garantindo que tanto a elas quanto a sociedade troquem informações e responsabilidades, informando-se reciprocamente da existência das mais diversas situações e realidades”, lembra Marli.
É importante que se diga que as mulheres não são obrigadas a produzir e participar das ações. Há um processo de construção que permeia cada atividade levando em conta a dignidade e a humanidade que existe em cada um dos envolvidos no projeto. “A confecção da revista e a produção das telas não são os objetivos do projeto, devem ser o resultado de uma ação que deseja ser propositiva, acima de tudo, garantindo a autonomia criativa e dados concretos capazes de chegar ao conhecimento da sociedade”, ressalta Marli.
Na próxima semana outras atividades e ações serão desenvolvidas com as detentas, todas, indistintamente, visando levar arte e ações culturais para as mulheres privadas de liberdade.