Jéssica Ferreira
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Nos três estados do Sul, a qualidade do tabaco da safra 2014/2015 é considerada satisfatória pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Em dezembro, menos de 2% da safra passou pelas esteiras. O pico é esperado para o período entre meados de fevereiro e março. Em termos totais de área plantada no Sul do Brasil, no ano passado foram 323,7 mil hectares e neste ano a estimativa é de que sejam 308,26 mil. A produção total do ano passado foi de 731,39 mil e este ano estão previstas 695 mil toneladas. Em entrevista ao Riovale Jornal, o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, comenta sobre a safra 2014/2015 em relação a diversos fatores.
Riovale Jornal – Qual sua avaliação da safra, tanto em relação à qualidade do tabaco como também à rentabilidade do produtor?
Benício Albano Werner – Para falar na rentabilidade do produtor é um pouco cedo, porque começamos há pouco tempo a comercializar, e a rentabilidade se dá através dessa comercialização. Mas olhando a questão de qualidade, estamos esse ano obtendo no geral uma qualidade melhor do que no ano passado, excetuando-se um pouco o litoral catarinense. A produção maior, na região dos vales do Rio Pardo, Zona Sul, Planalto Norte e Santa Catarina, tem uma média melhor do que o ano passado.
RJ – Em termos de produtividade, qual foi o índice até o momento?
Werner – Na safra 2013-2014 a produtividade do tabaco virgínia foi de 2.276 quilos por hectare, já na safra 2014-2015 a estimativa era de ser um pouco superior, em torno de 2.282 quilos por hectare, mas a média não vai chegar lá e deve ficar em 2.230. Então, em termos de produtividade vamos ter no máximo a mesma do ano passado. Porém ainda é uma boa produtividade considerando outros países.
No tabaco virgínia, neste ano nós reduzimos um pouco a área plantada nos três estados do Sul, de 273,96 mil hectares que produziram 623,51 mil toneladas na safra passada, para 263,62 mil hectares na atual safra, com estimativa de produção em torno de 600 mil toneladas.
Olhando a questão do burley, na safra passada havia 45 mil hectares e 96,56 mil toneldas foi a produção; este ano reduzimos a área para 40,09 mil hectares e a produção com uma previsão de 83,23 mil toneladas. E temos também um fumo tradicional o qual chamamos de “galpão comum”. No ano passado havia uma área de 4,74 mil e produção de 11,32 mil toneladas, este ano baixou para 4,55 mil hectares e produção de 11,01 mil toneladas.
RJ – E quanto à questão da comercialização, até o momento o que se tem e quais as preocupações sobre esse aspecto?
Werner – Até o momento foi comercializado pouco fumo, porque os produtores que terminaram de colher no mês de janeiro deram uma atenção maior para utilizar na mesma terra outros trabalhos de lavoura, como por exemplo, milho ou soja. E com isso, a parte de classificação do fumo que é realizada para dar inicio à comercialização, é feita somente depois de serem atendidos os outros trabalhos de lavoura. Por fim, a comercialização mesmo, só a partir de meados de fevereiro em diante. Com isso podemos ter uma ideia melhor dos preços médios que estão sendo praticados.
Um lado que de fato é preocupante na comercialização este ano, uma vez que a expectativa não só da Afubra, mas também da Fetag e Farsul era que teríamos uma produção menor. Temos uma redução de 4,8% e esperávamos que houvesse uma redução de 10% de área plantada. No entanto, pelo nosso conhecimento isso mostra que vamos ter uma redução de consumo em nível mundial. No Brasil isso é claro, ano passado chegamos em 7% de redução em consumo de cigarros, e esse ano não vai ficar menos. E isso nos afeta direto, porque nossa produção é o tabaco e o mesmo produz somente cigarro, e para que possamos produzir e ter mais ganho precisamos ter mais consumo.
Em termos de comercialização temos uma expectativa não muito positiva, principalmente porque estamos enfrentando uma concorrência, e não queríamos aceitar isso. Mas se precisa admitir que a produção na África e na Índia está crescendo muito, e nisso as próprias empresas estão incentivando o plantio lá assim como foi incentivado o mesmo aqui nos anos 70. Por conta disso, o que podemos fazer é diminuir a produção e investir muito mais na qualidade. Assim estaremos à frente dos demais países em relação ao tabaco. Isso seria nossa saída como grande produtor de tabaco.

Jéssica Ferreira

Benício Werner, presidente da Afubra: “Estamos enfrentando uma concorrência.
A produção na África e na Índia está crescendo muito”














