Início Geral Sérgio Pacheco segue à frente da diretoria

Sérgio Pacheco segue à frente da diretoria

Jéssica Ferreira
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Em dezembro, a atual direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação (Stifa) de Santa Cruz do Sul e Região foi reeleita para um novo mandato com 95% de aprovação dos sócios votantes. Num total de 1541 associados em condições de voto, 815 votaram – destes, 774 aprovaram a chapa liderada pelo atual presidente da entidade, Sérgio Pacheco, outros 40 votaram contra e um se absteve.
Para a direção reeleita, os números refletem o grau de confiança da categoria, redobrando assim, o compromisso de bem representar e defender os interesses da mesma. As eleições ocorreram em dezembro de 2015, para a gestão de 2016/2021.
Em entrevista ao Riovale Jornal, o presidente reeleito relatou um pouco sobre sua trajetória e assuntos vinculados ao setor do sindicato. Confira:

Sérgio Pacheco

Riovale Jornal: O que lhe motiva a manter-se neste cargo depois de tantos anos?
Sérgio Pacheco: Depois do meu segundo mandato, não tive mais oposição. Então passei a ser reeleito sempre com mais de 95% dos votos. Nestes anos todos recebi convites pessoais dos trabalhadores, funcionários e diretores pedindo para que eu viesse a continuar, até mesmo devido à experiência que obtive como presidente e também pela dedicação em sempre atender a todos. O setor do tabaco tem passado por situações e negociações difíceis, então continuei neste novo mandato que se inicia em 24 de maio deste ano e se estende até 23 de maio de 2021. Após este mandato, pretendo me aposentar realmente, onde dentro da própria diretoria, acredito que sairá um novo presidente que seguirá na mesma linha de trabalho que mantive nesses anos.

RJ: Quais são as principais prioridades do Stifa?
Pacheco: Nosso alvo principal não está só em salário, mas também na condição de trabalho, e o atendimento aos trabalhadores ou aposentados desde os mais humildes aos com cargos mais colocados dentro das empresas. Buscamos a valorização da mão de obra dos nossos trabalhadores, a exemplo dos safristas como também os produtores, pois deles se requer aquele trabalho braçal e pesado. Em meio a este calor, duvido muito que haja um diretor de fumageira no meio das plantações, entretanto, o produtor está lá. Ou então, no meio do trabalho puxado e pesado do safrista, pois é através dele que se desenvolve o principal, que dá o resultado no final. Portanto esta é uma das nossas lutas, pois estes são os que mais trabalham e menos ganham.

RJ: Neste longo tempo à frente do sindicato, quais foram suas principais conquistas?
Pacheco: Falando primeiramente de um modo pessoal, hoje tenho 45 anos de Philip Morris – esta que completa seus 46 anos de empresa em 2016. Entrei varrendo a calçada e recolhendo lixo, contudo hoje estou na presidência de uma das maiores entidades do Estado. Isto porque, continuo sendo a mesma pessoa que fui lá ao início, conservando aquela humildade – sempre busco atender a todas as pessoas da melhor forma possível. Além disso, ninguém pode dizer que o ‘Sérgio’ como presidente deixou de atender alguma pessoa ou tomou qualquer tipo de decisão. Pelo contrário, atendi sempre a todos da mesma maneira e busquei sempre fazer assembleias ou votação secreta antes de assinar qualquer tipo de acordo com alguma empresa. Estamos no atual momento com um impasse com uma empresa, caso ela não atenda aos nossos pedidos, não será feito nenhum acordo. 
Herdamos em nosso sindicato atendimentos médicos e odontológico via convênios. Ao todo, atendemos através deste convênio cerca duas mil pessoas por mês, sem contar os atendimentos com especialistas em diversas áreas. Outro fator, é que jamais deixamos de atender nossos aposentados, afinal, foi através deles que nosso sindicato foi fundado. Portanto, ainda que não executem mais o trabalho hoje, ainda assim, recebem o mesmo atendimento. 
Minha meta para esta gestão é deixar uma entidade que nunca se envolveu com partidos políticos e nem tampouco desrespeita algum. Nosso foco está em atender da melhor maneira qualquer pessoa que venha nos procurar e lutar pela valorização do trabalhador da área. 

RJ: Em relação à safra nas indústrias, qual a expectativa?
Pacheco: Em meio às tais crises, é claro que consequentemente a safra acaba diminuindo em relação aos anos anteriores – mas, ainda assim, será um ano de muitas disputas entre as empresas, é neste fator em que se deve avaliar o valor do produtor de tabaco, como também do safrista. Hoje estamos buscando mostrar o que o tabaco representa e não é à toa que ele se encontra entre os principais produtos de exportação no país, o que significa que este produto é um dos melhores do mundo todo, e é plantado, cultivado e tratado aqui, na nossa região.

RJ: Como você avalia as contratações e demissões no setor?
Pacheco: Nos últimos dez anos diminuiu-se entre 30% a 50% o número de trabalhadores, tanto efetivos como safristas. Isto porque, as empresas possuem hoje equipamentos de alta tecnologia, ou seja, máquinas que produziam há dez anos atrás 2 mil cigarros por minuto, hoje produzem 8 mil. A própria usina de fumo hoje está completamente moderna com seus equipamentos. Entretanto, nos últimos dois anos pudemos notar que essas mesmas empresas não têm como mais demitir trabalhadores que realmente trabalham, ou seja, aqueles que operam às máquinas, carregam caminhão, varrem as fábricas, enfim. Para produzir a safra que as empresas compram todos os anos, precisam de um número ‘x’ de pessoas, que não há como eles reduzirem mais, a ponto de nestes últimos anos, as demissões crescerem nos setores de administração e até mesmo de diretores e gerentes.
Em relação às contratações, espero que as empresas mantenham o número, pois como havia dito, não há muito que diminuir agora. Porém, há sempre as buscas de fidelidade, ou seja, é voltada para aqueles que já trabalham em três ou mais safras, porque para as empresas isso poupa outros gastos.

STIFA

Em 1948, um grupo de empregados da Companhia Brasileira de Fumos em Folha, hoje Souza Cruz SA, fundou a Associação Profissional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo. Foi esse grupo que, em 15 de outubro de 1948, recebeu a representatividade de Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo de Santa Cruz do Sul. O reconhecimento sindical deu-se por intermédio de uma carta expedida pelo Ministério do Trabalho e trazida ao município pelo próprio presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul, Manuel Tavares.
A denominação Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Santa Cruz do Sul foi instituída em 1959, quando passou a atender não só os profissionais do fumo, mas também das demais empresas do setor de alimentação.